Houve muitas forças nos dividindo em 2016, de pessoa para pessoa, de partido para partido, de grupo para grupo. Não se pôde gozar do direito à dúvida. Tivemos que ser contra ou a favor das ideias, estar com ou contra determinada pessoa ou grupo político.
De certa forma, essa é uma analogia apropriada para o desempenho decepcionante do ano de 2016, e não há receita do que é necessário fazer para combater a instabilidade financeira e o agravamento do mal-estar econômico e político que pode e deve irromper no ano de 2017.
Foi um ano ruim em todos os aspectos, considerando o desempenho local ou global. Um período economicamente frustrante, de crescimento insuficiente e disperso, onde o governo brasileiro não conseguiu ajustar seus gastos e não sabe o que inventar para gerenciar a economia.
Isso combinado com o progresso insuficiente nas questões centrais das reformas estruturais prometidas aqui no Estado e no município também.
Enfim, as condições econômicas se mantiveram difíceis, e a política da revolta acabou acentuando-se por toda parte. A economia e a política tornaram-se cada vez mais interligadas em um ciclo problemático e ameaçador, que já dura mais do que as pessoas podem suportar, no sentido de viverem arrochados. A desigualdade nos mobiliza, os discursos controversos tentam esconder a disparidade gigante entre o que os poderosos dizem e a vida que as pessoas levam. 2016 foi um ano de desastre atrás de desastre, que levou-nos a experimentar e viver sob certa onda de imensa inquietação nacional e global e local.
Será que não há um caminho de equilíbrio entre o capitalismo e a solidariedade, o respeito pela força de trabalho e o compromisso com a educação, saúde e segurança para amenizar a fúria do que foi o ano de 2016?
A arrogância e a ignorância não combinam com esse quadro impressionante de desmantelamento. É hora de ser humilde, repensar, ouvir as pessoas, optar por mudanças, o que não significa sucumbir aos incitadores do quanto pior melhor, nem se deixar levar pelo modismo de menosprezar a verdade e esconder-se atrás das mídias para disseminar maldades e boatos. Não foi fácil habitar no universo on line em 2016. As coisas feitas e ditas se espalharam velozes e distantes antes que tivessem tempo de encobri-las ou nega-las.
Lá fora, embora seja muito cedo para julgar, provavelmente a possível aliança entre os presidentes Trump e Putin mudará inexoravelmente o cenário político internacional, fortalecendo homens de verborragia truculenta e ações igualmente temidas. Por certo, a impetuosidade de ambos respaldará a carnificina promovida pelo ditador Sirio Bashar al-Assad.
E como resistir ao nacionalismo global e o avanço desses líderes autoritários? É preciso fazê-lo, de uma forma ou de outra, utilizando os contrapesos inibidores do exagero: as ruas, a imprensa e os tribunais.
Tomara que eu tenha argumentos impecáveis e abundantes para defender o ano de 2017.