Sem sombra e água fresca

O ano efetivamente começa sob o signo da incerteza e do medo, com as chagas das chacinas ocorridas nos presídios nos estados do Amazonas e Roraima e no lar de família brasileira, em Campinas. O PMDB governa o país sem, de fato, conseguir estabilizar o sentimento de desconfiança e intranquilidade.

Ministros falam e fazem besteira a toda hora e prejudicam a governabilidade de Temer. No auge de duas rebeliões nos presídios citados, com expressivo número de mortos, o mínimo que o ministro da Justiça pode fazer é admitir um estado de guerra entre facções criminosas, que se organizam e se fortalecem dentro das prisões.

Mas o ministro é dado às contradições. Ora reconhece, ora furta-se a reconhecer o conteúdo de ofício assinado por ele próprio, enviado ao Governo de Roraima, negando ajuda, quando lhe foi exposta a explosiva gravidade do sistema carcerário do estado. Ao término da contagem dos mortos, fechando os caixões, o insignificante secretário Nacional da Juventude de Temer critica que a mídia valorizou excessivamente os marginais e conclui que deveríamos ter uma chacina por semana no Brasil.

Do Congresso Nacional, um deputado do Solidariedade de São Paulo, conclama os presos do maior presídio de segurança máxima, Bangú I, a promover matança maior, capaz de superar o número de mortos nas duas chacinas.  Não defendo bandidos nem idiotas. Pessoas com cargos públicos não deveriam emitir juízos de valores particulares em situações complexas e públicas.

Porque para mim trata-se de preconizar a volta à barbárie. Certo que, no caso, não há como separar o joio do trigo. Morreram marginais, ponto. Mas é dever do estado, de certa forma, patrocinar essa atrocidade? Pode membro do staff do governo fazer apologia a essa violência medieval?
Foi demitido e condenado ao ostracismo o inexpressivo secretário e aguardamos agora as medidas de segurança que serão adotadas para impedir que essas cenas brutais não se repitam em outros estados, inclusive aqui em Mato Grosso, e viajem mundo afora, denunciando o descaso, o desgoverno, no qual estamos todos mergulhados.

No exterior, 2017 irrompe com um ato de guerra à democracia americana e leva os russos a vencer a eleição presidencial nos Estados Unidos. A conclusão consta nos relatórios da Agência Nacional de Segurança, da CIA e do FBI, que apontam para a certeza que os espiões russos acessaram dados que foram excessivamente manipulados e divulgados para enterrar a possibilidade da vitória dos democratas.

E assim, o casal Obama despede-se da Casa Branca, tentando passar aos jovens americanos o sentido de pertencimento ao país; aos imigrantes, a sensação de serem parte da melhor nação do mundo para se buscar uma oportunidade. Realmente, o multiculturalismo firma-se como valor do futuro e temos todos que aprender a aceitar às diferenças.

Agora vamos vagarosamente entrando em janeiro, com esperança de que o mal tenha vindo logo, em dose única.

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