Tudo nos diz respeito

Somos hóspedes de uma passagem. E não devemos parar no meio de uma passagem. Precisamos, então, nos arriscar, educar para o enfrentamento, para perder o medo que se tem hoje, até das situações cotidianas, como atravessar as ruas, tomar um ônibus, medo de aceitar as falhas, de aceitar-se. Medo… de quase tudo.

Porém, a chave paradoxal para nossos acertos é admitir os erros de forma saudável e autêntica. Devemos ser seres com interrogação constante e fazer dos questionamentos e tentativas, o eixo das nossas existências, considerando as informações críticas que nos ajudam a aprender e adaptar-nos às novas experiências.

Em qualquer idade e tempo não há nada de errado quando vacilamos, quando ficamos abaixo das expectativas que muitos consideram realistas. Enfrentar momentos de decepção, preocupação sem varrer lixos emocionais para debaixo do tapete é como explorar as frustrações, tornando-as um exame de autoconhecimento, uma luta interna para aprender a correr riscos e preencher o vazio de identidade que acomete principalmente indivíduos jovens.

Seja qual for a vida escolhida, sempre há riscos envolvidos e é preciso coragem para se virar nesse mundo de códigos e regras, que tentam controlar seres instáveis, deslocados e muito ocupados, a maior parte do tempo. Banalidades e rotinas nos levam a parar de sonhar, a trafegar comodamente por vias confortáveis de mão única.

Entretanto, não é certo ficarmos alheios àquilo que diretamente nos diz respeito. E tudo nos diz respeito, da vida à morte, tudo afeta nossa essência flexível, instável, remanescente das incoerências de que somos todos dotados.

No mundo de incertezas temos que sair por aí, buscando resolver os problemas de um só golpe, e como não falhar se sequer sabemos se, por inércia ou intencionalmente, vamos empurrando para outras pessoas e contextos a causa e consequência das nossas inevitáveis frustrações.

A culpa, contudo, não é dos outros, mas pode ser uma somatória de tudo: rusgas do passado, traumas de infância, a sociedade que é má, a falta de oportunidade, de saúde ou educação. Não transfira os problemas. Escolha reconhecer os erros, não temer recomeços e ir em busca de novas perspectivas para a vida que está morna.

Se falhar, não perpetue no sofrimento e interrogue as questões mais controvertidas que podem ter causado frustração e mude. A coragem de mudar, assumir riscos é essencial em qualquer altura da vida. E não estamos falando de saltar de pára-quedas, e, sim, arriscar o que se sabe e o que se tem em troca de uma chance de reinventarmos nossas vidas.

Aceitar, enfim, que viver é ter que conviver com ideias contraproducentes, inábeis e erradas e que muitas vezes, diante da complexidade que é viver, é impossível não fracassar. Mas não desista de seus sonhos e que nunca lhe falte ousadia para arriscar!

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