Nas mesas do poder

5772eb7b0e216345751b8998king_arthur_and_the_knights_of_the_round_table.jpegDesde a antiguidade clássica, o poder esteve vinculado aos homens que concentram em suas mãos o destino de seus contemporâneos, somando-se a isto, a extrema complexidade do ser humano e o fato de políticos atuarem dentro de instituições com capacidade de impor comportamentos, fazer promessas mirabolantes e impulsionados pela vaidade e ambição tornam-se seres suscetíveis de atos de caráter não genuínos.

Acrescenta-se ainda o fato de a política está associada a ações que implicam relações de poder, dominação e submissão no espaço público e obtém-se como resultado, um coletivo que desperta irrefragável interesse.

Infelizmente, nos últimos anos temos sido exemplos de escândalo e corrupção, mais do que modelo de democracia e de diversidade. O ciclo vicioso de votar com ignorância e falta de objetividade acabou fortalecendo a colocação de seres emblemáticos no poder, cuja derrubada do pedestal não dá-se senão com mais escândalo e tentativa de vitimização dessas figuras proeminentes que chocam o país a cada relato.

Não gosto disso! De viver a expectativa de publicação de listas, de presenciar cenas de arrependimento e delação, num ato que poupa o trabalho de quem é pago para investigar, com mecanismos próprios, sem envolvimento moral e passional nos fatos.

Lembrando que numa lista de acusação cabe tudo: desafetos, amigos traídos, traidores, delatores, detratores, ricos e puxa-sacos. E mais, o Manual de Cerimonial Público recomenda que em caso de haver necessidade de se trabalhar com uma lista e não havendo clareza na função hierárquica dos indivíduos, deve-se optar por colocar os nomes (dos amigos delatados) em ordem alfabética, para facilitar a conferência.

É desconfortável perceber a facilidade colocada no ato de roubar, roubar, depois revelar e ter a possibilidade de viver livre. A pena, cumpre-se falando do mal de si e implicando outros. Falar a verdade, algo que temos ensinado aos nossos filhos desde pequenos, virou prêmio, absolvição; não entrando no mérito da legalidade, claro, mas sim, no âmbito da moralidade.

A vida privada do homem marca a forma de agir no âmbito público, portanto, a forma verdadeira de ser do indivíduo, reflete na sua forma de fazer política. Vigiai a vida pessoal dos homens em quem você pretende votar em 2018.

Lembrando que não deve mais existir seres supremos, que devemos, de uma vez por todas adentrar na perspectiva de deixar de lado o indivíduo como sujeito central da política e concentrar a atenção nas instituições.

Observando as rodadas do jogo em todas as esferas de poder “parece” que há uma tentativa desesperada de se quebrar o ciclo da corrupção, de enfrentar o fantasma que ameaça revelar-se ao aperto de cada condenação. Contudo, deve haver alguma resistência de passar o Brasil à limpo, em confrontar os fatos e perceber a incoerência do enriquecimento ilícito exibido por toda parte. Desde Cícero, 106 a.C., foi dito que “ deve-se ao nosso próprio fracasso moral e não a um capricho da sorte, que apesar de conservar o nome, tenhamos perdido a realidade de uma república”.

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