Nós estamos aqui

Vulneráveis, tentando a sorte grande de ser feliz. Reparo, todavia, que a felicidade não é um valor bom para a economia em uma sociedade que tem substituído a virtude pela utilidade e que nos empurra para uma área nebulosa entre o mundo das ideias e o mundo possível. Um fosso imensurável!

Porém, não podemos sucumbir a sensação de futilidade e desânimo diante dos filhos que temos para educar, dos jovens com os quais temos o compromisso inabalável de pavimentar o futuro. O desinteresse e apatia com temas sociais e políticos são filhos que desgostam, porém são legítimos de uma sociedade que não tem inclinações que cativam.

Em parte, o que presenciamos é que os demônios estão ou continuam soltos. Como no dia em que o exército sírio carregou bombas com gás sarin e lançou sobre os opositores do regime do ditador Assad. Pessoas cairam em convulsões e paradas respiratórias até a morte.

Um garoto de 13 anos desmaiou, ao recobrar os sentidos, procurou pelo avô. Não o encontrou mais e desnorteado mostrava o lugar onde o avô estava e repetia: “Ele estava aqui”.

Do outro lado, o sentido de estarmos vivos nos remete a responsabilidade de conter os demônios, com ações baseadas na ideia de amor, compaixão, justiça e esperança. A histórias das vidas não podem seguir sendo contadas dando excessivo destaque as estruturas e sistemas.

Estamos aqui, tentando confiar pois sabemos que o declínio da confiança implica ruptura na linha fundamental que moldam as estratégias para viver bem.

Certa vez, o escritor francês Jacques Attali, explicou o sucesso fenomenal do filme Titanic alegando que os espectadores identificam suas agonias pessoais com o choque do navio ao iceberg. Disse ele que o Titanic somos nós, a nossa sociedade cega, hipócrita e impiedosa com os pobres. Todos nós supomos que há não apenas um, mas vários icebergs à nossa espera, escondidos em algum lugar no futuro, contra os quais, plácidos e indiferentes nos chocaremos até um dia afundarmos ao som de uma música qualquer.

É um grande salto de fé permanecer otimista, relevar o papel das emoções afirmativas como peso determinante da maneira de agir, individual e coletivamente. Tem havido pequenos ganhos, mas é desconcertante ver a sociedade prosperar com grande parte de população negligenciada pelos governos.

É minha convicção ensinar que a sociedade pela qual devemos lutar deve ser uma sociedade multireligiosa, multirracial e multicultural.

O mais importante de tudo é não reduzir drasticamente o universo dos sonhos, não espalhar medo. Assim precisa ser. Não podemos escapar de nós mesmos.

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