Quem tem medo de mudança?

Mesmo não sentindo-me bem governada, não penso habitar outra República. Aqui colocada a esperança no nível adequado às coisas inconcebíveis, como missão de santo em causas impossíveis, entre curiosidade, preocupação e especulação, vamos marcando a existência entre prazer e dor, nos conformando com regulamentos que oram apertam, ora afrouxam o homem em seu insulamento.

Se eu pudesse escolher um novo lugar de nascimento, escolheria nascer numa sociedade de homens mais íntegros do que eruditos e que ninguém se pusesse acima da lei. É muito difícil ser um “cidadão” neste país!

Suponhamos vencidas as primeiras dificuldades, as reformas capengam e os estresses são palpáveis. Visitando o site do Congresso Nacional é possível perceber a obtusa concentração de homens estranhos, sem almas fortes, sem expressão de virtudes e com zelo excessivo pela aparência.

A maioria desses senhores protelam deixar a base do governo, temendo ficar fora de alguma vantagem e mantendo-se alinhados, colocam suas bases eleitorais em severo risco. São assim…acendem uma vela para Deus e outra para o diabo.

No entanto, cada um aliena o bem que tem, daí decorre a espetacularização da nossa miséria cotidiana, onde os grupos políticos que discutem nosso destino se organizam a partir da soma das vontades particulares, da distinta designação de suas vaidades.

Que horrível agitação experimentamos nós testemunhas de tantos julgamentos. No Supremo, as novidades não cessam. Um susto por dia!

Esta semana julgam as contas de campanha da chapa Dilma/Temer que, quase unanimemente, os políticos fingem que nunca existiu. A impressão que se tem é que Temer praticamente nasceu no posto que ocupa, dado o pânico de se discutir honestamente o assunto.

Não se trata de escolher uma situação mais favorável para o Brasil encerrar o ciclo presidencial, trata-se de fazer Justiça, de deixar a lei cumprir-se, como tem que ser. Se a chapa cometeu crime, que seja cassada. O drama que disto resultar, tem que ser resolvido após a cassação.

Contudo parece que a instituição suporta bem as idiossincrasias do nosso sistema democrático e então, sem temer!

Mais do que reivindicar direitos cidadãos, do que marcar postura de oposição, essa é uma abordagem política, que postula ao STF a possibilidade de promover o reencontro do cidadão com a esperança de ir vendo o país livrar-se de um a um dos homens investigados por corrupção, estejam estes, nos cargos que estiverem.

Recomeçar é uma tarefa que os brasileiros comuns executam todos os dias. O país não há de parar e homens íntegros ainda existem, em todas as esferas da vida pública.

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