Respeito pela vida

Não precisamos perguntar se esta ou aquela vida merece solidariedade. Toda vida é sagrada e devemos ser vida que quer existir em meio à vida que quer viver. É bom conservar e acalentar a vida; é ruim reprimir e destruir a vida, em qualquer hipótese estudada, segundo o filósofo alemão, Albert Schweitzer.

Entretanto, o suicídio é um fenômeno que se manifesta ao longo de toda a história da humanidade, em todas as culturas.

Numa semana em que a mídia explorou o tema suicídio, diante do fato ocorrido com jovem, de 23 anos que tentou o suicídio atirando-se do Portão do Inferno e foi salva. Sem nenhum julgamento e pretensão, decidi revelar que o suicídio é um tema que intriga-me e ao qual, dedico parte do tempo dos meus estudos como cientista social.

Não é recente meu interesse em entender esse fenômeno social, como Émile Durkheim, sociólogo francês, trata o tema.

Ao escrever “O Suicídio” (1897), Durkheim analisou muitas formas individuais e diferentes tipos de suicídios, procurou determiná-los a partir do exame de casos de desconfiança, infidelidade, falta de integração com a sociedade, além de estabelecer relação do suicídio com estados psicológicos alterados por paixões anormais, por hereditariedade e até por raça.

Durkheim distingue três tipos de suicídio: suicídio egoísta, suicídio altruísta e suicídio anômico, este último, caracterizado pela falta de viabilidade que o individuo vê em seu quadro social, o que o induz a interpretação de que está de mãos atadas e incapaz de promover qualquer mudança na própria vida.

O ato em si pode ser entendido, não como punição, mas como fuga. É a partir dos estudos publicados por Durkheim que se inaugura um novo olhar sobre o suicídio. O trabalho é perfeito no sentido de apresentar inúmeras variações de comportamentos que podem levar ao suicídio.

Pesquisou a tendência ao ato nos diferentes cultos religiosos, nas faixas etárias, reações climáticas, poder econômico, alcoolismo, tudo sem negar que o suicídio é um ato individual, mas que as predisposições individuais sozinhas não são as causas da maioria dos suicídios.

Muitas pessoas tentam o suicídio diante da incapacidade de suportar dores emocionais, como: perda de pessoas queridas, término de relacionamentos, traumas. Outras, aparentemente sem razão, de repente, num arrebatamento passageiro são arrastados para a escuridão, no outro, é um estado constante de melancolia, do qual não consegue se libertar e está ligado ao caráter da pessoa.

Com um psiquiatra amigo aprendi que é possível estabelecer uma relação acentuada entre o suicídio e a depressão endógena, aquela que não depende de uma causa aparente para a tristeza se instalar. Com início brusco e como descolorimento da vida, a morte é uma ideia quase obsessiva, o risco de suicídio é enorme e vemprecedido de delírios e ruptura com a realidade.

A depressão endógena, de forma simples, é explicada como uma dor persistente que existe lá dentro, com o inconveniente de não ser fácil de observar.

A intenção é algo muito íntimo para ser percebida de fora. As causas são tão complexas e vão desde fator genético à falhas biológicas, como desequilíbrio em algum fator químico do cérebro, como a diminuição aceleradada serotonina. Portanto, não é possível ver um louco em todo suicida.

Vincent W. van Gogh (1853-1890), o famoso pintor holandês, era depressivo,  num surto psicótico, cortou a própria orelha  e anos mais tarde, se matou com um tiro e acreditava que, com seu ato, faria com que os amigos e familiares se sentissem seus assassinos.

O que fazer então, para viver uma vida plena?

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