Uma moral em casa e outra na praça

Precisamos acordar com o sentimento de que algo bom irá acontecer, mesmo que ao longo do dia nossa esperança seja alvejada por fatos imprevistos e negativos.

Não alienar-se, nem tampouco entregar-se à sensação de que caminhamos para o fim do mundo, diante dos fatos que têm abalado nossos dias. Como escreveu Benedetto Croce, filósofo italiano, que foi senador em seu país: política não se faz com água benta, mas em nenhum caso, é lícito romper a fé.

Para além do inferno das delações e operações, a vida pulsa e a cidade, o Estado e o país não podem parar.

Na coluna do economista Ricardo Amorim, uma boa nova. O PIB de Mato Grosso deve crescer mais de 5% neste ano capitaneado pelo agronegócio, claro. Na contramão da notícia de Amorim, os indicadores sociais apontam que o Brasil acaba de ganhar exatamente 5,9 milhões de novos pobres.

Geraldo Alckmin lança-se efetivamente candidato à presidência da República e quer antecipar a agenda de campanha percorrendo a BR-163, de Santarém até Cuiabá, para avaliar a questão da infraestrutura no país.

Há general do Exército ameaçando intervenção militar se o Judiciário não conseguir solucionar os problemas dos políticos com a corrupção. O general já levou bronca do superior que, em nota, reafirma o compromisso da instituição com a legalidade, estabilidade e legitimidade.

Sabe que está rolando o maior festival de música do planeta no Rio de Janeiro? O Rock in Rio é um show também de diversidade e política. Onde a dragqueen brasileira, Pabllo Vittar dividiu o palco com estrela internacional e levantou o público com danças ousadas e muito carisma, mas o coro que tem unido a galera, é político: “Fora Temer”.

Tento ser otimista, porém, o ânimo se arrefece quando leio que Bolsonaro e Magno Malta lideram a votação popular para eleger o “Congressista do ano”. O consenso é sempre condicionado às circunstâncias, e neste caso é também humilhação à pátria.

Haveremos de caçar jeito de viver, de aprender com os erros nossos e dos outros e estabelecermos um parâmetro novo que nos impeça de avançar o sinal, mesmo quando o momento parecer propício e vantajoso.

Reconheço a inquietação e desordem do momento e qualquer análise crítica e séria deve passar pela construção das novas relações necessárias para elaborar um novo projeto de desenvolvimento para o país porque, da forma que está, o Estado brasileiro está incontrolável.

Eu nunca vi estes diálogos acontecerem, embora toda filosofia política prega que no âmbito do Estado, a vida política se constitui de um processo de elaboração permanente de diálogo. Quem sabe agora?

O ponto no qual chegamos deve ser tão discutido quanto à necessidade de encontrarmos uma forma de seguir adiantenuma concepção democrática de responsabilizar quem deve ser responsabilizado, cobrar ressarcimento de quem levou vantagens indevidas, garantir o direito pleno de defesa ao que sente-se injustiçado.

Mas, a vida não pode parar, as instituições não devem ficar estagnadas apesar de terem sido atingidas em sua essência. Não há mais como ter uma moral em casa e outra na praça.

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