Ruídos, controvérsias e paralisia

É claro que se tem produzido muitos artigos, textos bons e sobretudo boataria tentando explicar o momento, no mínimo, intenso de adversidades que estamos enfrentando na política e, por conseguinte, em outros campos da vida social.

As controvérsias estão sempre presentes e muitas vezes os boatos predominam sobre a seriedade e verdade dos fatos. No limiar dos ruídos, tem-se produzido uma infinidade de notícias que não se sustentam diante da real situação, transitória ou não, da política.

As fissuras em várias esferas de poder são inocultáveis e os “homens públicos/inimigos” não vieram de outro planeta; saíram todos da nossa sociedade democrática, da minha família, da rede de relacionamento da sua família e são frutos, quase sempre da minha e sua escolha.

E na nossa relação com a realidade, ao presenciarmos ou lermos sobre um fato, nem sempre o fazemos com o espírito livre de dívidas, das tradições, das conveniências. E ao falar de política com alguma seriedade não se pode negar seu poder de transformação, nem tampouco ignorar que o ponteiro da transformação pode ser acionado para cima e para baixo e que atinge não apenas os convertidos, os ideológicos, mas tem também o poder de converter.

Chega de ressentimentos com a política. É assim que a coisa se processa nos períodos pré-eleitorais. A base aliada do governo, que sempre começa coesa e gigante, racha e fica difusa. Não temos que achincalhar, piorar o que já está caótico.

Podemos enriquecer nossa visão de mundo deixando de propagar noticias falsas viralizadas com o proposito de assaltar a razão e a responsabilidade que temos diante dos temas polêmicos e do clima de quase loucura que nosso estado atravessa. A paralisia que advém disso não faz bem a ninguém.

No livro Fahrenheit 451, escrito por Ray Bradbury, o autor cria uma sociedade onde tudo é controlado e na qual qualquer nível de reflexão é proibida.

Na escola, crianças não fazem perguntas, as casas e apartamentos não possuem sacadas porque ficar contemplando paisagens por algum tempo, pode gerar um pensamento meditativo.

Os leitores são presos e os livros são queimados. O conhecimento dos fatos só é permitido através dos aparelhos de televisão instalados espalhados por todos os cômodos das casas e espaços públicos.

O senso comum prevalece até o dia em que após várias incinerações de livros, o bombeiro conhece uma garota destemida, que não reconhece nele uma autoridade e faz-lhe pergunta sobre o cotidiano e sentimentos como amor e felicidade.

A garota nega-se assistir televisão e guarda o tempo para observar as pessoas, conversar e pensar. O bombeiro é instigado a refletir sobre o fascínio que a leitura exerce nas pessoas que não aceitam viver apenas atados as imagens e notícias que a televisão reproduz, pessoas que desafiam a ordem estabelecida, pelo prazer de construir seus próprios pensamentos.

Um aspecto inquietante entre a historia do livro e a vida real é que estamos diante de uma sociedade que não é analfabeta, mas muitos só reproduzem as fofocas que ouvem, só leem programação de Netflix e manual de instagram.

Aqui ainda não se queima livros. Aproveita e leia-os para formar seu próprio ponto de vista, para não ser intolerante diante do que é complexo, do que é desviante e contraditório. E isso vale quando falamos sobre política ou qualquer outro assunto e quando falamos dos outros, sejam estes políticos ou não.

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