Psicopata e esquizofrênico

Quantos de nós não experimentaram períodos de desolação, desespero e medo da escuridão de nosso próprio mundo interior?

De acordo com especialistas, muitas pessoas sofrem de distúrbios e fobias e, em algum momento de suas vidas, se não são diagnosticados elas sujam suas mãos porque são incapazes de compreender e debelar seus demônios internos, mantidos no escuro, secretos e invisíveis.

Não raro deixamos de enxergar o mal porque somos emocionalmente impulsivos e incapazes de suportar uma variedade de decepções e negações que fazem parte da vida. Aí entram os homens de mentes doentes, sem emoções apropriadas, egocêntricos, enganadores e destituídos de sentimento de culpa ou remorso.

Semana passada fomos tragados para a escuridão de dois mundos distantes e doentes. Dia 02 de outubro nos Estados Unidos um “lobo solitário”, nome dado aos assassinos que agem sozinhos, disparou contra uma multidão que se divertia num Festival de Música Country, em Las Vegas.

Matou 58 pessoas, feriu 515 e suicidou-se segundos antes da polícia invadir o quarto de hotel onde havia se hospedado. Um ato deliberadamente premeditado. O assassino transportou mais de 20 armas para a suíte, fez um buraco na janela e armou a espetacularização do próprio sadismo, desvio de caráter e frieza.

O assassino de 64 anos, americano branco, classe média alta, era filho de um famoso ladrão americano, foi criado pela mãe e levou vida aparentemente normal até aposentar-se. Mas, em algum momento, a mente mostrou-se doente e deve ter variado por não saber lidar com a imprevisibilidade e transtornos da existência.

E a psicopatia instalou-se causada por alguma disfunção biológica ou por mera aspiração à cometer um crime complexo que causas se a morte de muitas pessoas. O psicopata é um predador da espécie humana.

Três dias depois, a pequena cidade brasileira de Janaúba, em Minas Gerais, passou por seu rasgo de dor. O vigia da creche ”Gente Inocente”, Damião dos Santos, ateou álcool no local, nas professoras, nas crianças e em si mesmo, provocando 11 mortes; 1 professora, 9 crianças e o assassino, além de ter deixado vários feridos, com queimaduras graves. A professora com o corpo em chamas ainda se debateu tentando conter Damião e salvar as crianças.

Damião, de 50 anos, não deveria estar trabalhando num Centro de Educação Infantil com livre acesso às crianças. Há mais de 3 anos apresentava comportamento estranho, faltava muito e à família já havia dito que iria se matar.

Damião tinha mania de perseguição e acusava a própria mãe de querer matá-lo. Deixou bilhetes que comprovam sua loucura. Talvez fosse esquizofrênico. O que ninguém em Janaúba duvida é da premeditação da violência. Damião incendiou a creche no mesmo dia que seu pai havia morrido, 3 anos atrás.

Ninguém velou o corpo de Damião e no sepultamento estavam apenas os funcionários da funerária.

Nos Estados Unidos o massacre reacendeu o debate, que nunca vai adiante, sobre o controle da venda de armas de fogo. Alguns sobreviventes dizem que passaram por momentos de raiva, de dor e agora estão gratos pela vida. Em Janaúba, o pequeno Kaio, de quase 3 anos, chorando, abraçado à mãe desculpou-se por não estar na sala de aula: “desculpa mãe, o homem correu atrás de nós cheio de fogo.”

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