Vamos falar do assédio?

O conceito de assédio vem se expandindo nos últimos anos. Desde uma cantada constrangedora na rua, enviar mensagem direta de conotação sexual, chantagem no ambiente de trabalho, abuso familiar, ataque inesperado de conhecidos ou amigos até chegar a acontecimentos agressivos e violentos. As opções são muitas.

É verdade que contar a história pode ajudar outras vítimas a não se sentir tão sozinhas e fazer com que os outros compreendam a amplitude e a profundidade do problema.

O jornal The New York Times e a revista New Yorker publicaram reportagens com relatos e documentos indicando que Harvey Weinstein, um dos executivos mais poderosos de Hollywood, havia estuprado três mulheres e praticado assédio sexual repetidamente durante quase 30 anos. Há casos que datam de 1980.

Na rede social Twitter, atrizes, que foram assediadas por este diretor, foram encorajadas a admitir o fato publicamente e encorajaram outras mulheres que tenham sido assediadas sexualmente por qualquer homem a escrever “me too” (eu também) no comentário.

A lista cresceu assustadoramente. Desde então, dezenas estrelas do cinema, incluindo atrizes como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow, vieram a público contar como o produtor se aproveitou da sua posição para assediá-las.

Como resultado da avalanche de denúncias, o diretor foi banido da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e deve enfrentar um tumultuado processo na Justiça americana. Este final de semana outra figura de Hollywood, o escritor e diretor James Toback é acusado de usar sua posição para assediar mulheres.

No Brasil a Mira Filmes lançou ano passado o documentário “Precisamos Falar do Assédio”, dirigido por Paula Sacchetta. O trabalho é o resultado da sistematização de depoimentos colhidos numa van que percorreu as ruas das zonas nobres e pobres de São Paulo e Rio de Janeiro, ouvindo desabafos femininos.

As mulheres que não quiseram mostrar o rosto usaram máscara para ser filmadas. Impressionante como o documentário dá a sensação de estarmos sentadas frente à frente com as mulheres que fazem as narrativas.

Os inúmeros relatos são tão chocantes quantos os das vítimas dos diretores e produtores americanos. E embora as mulheres sejam incentivadas a denunciar abertamente, a maioria prefere o silêncio por medo de se expor e não conseguir trabalho, de perder o provedor da casa, medo de vingança, além disso, reconhecemos que há certo conservadorismo para sustentar discussões acerca do tema em espaços públicos.

E nada realmente vai mudar até que as consequências penais e sociais para os homens sejam severamente sentidas na pele deles. A cada hora 11 mulheres são vítimas de estupro no Brasil e incontáveis outras sofrem algum tipo de assédio e certamente entre os fatores que contribuem para isso, está o fato de que a grande maioria dessas ocorrências não vêm a público.

Saudemos a bravura das mulheres que se manifestaram, porque a exploração exercida através do poder acontece em toda parte e esse comportamento é inaceitável.

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