Desconstrução

Diferentes de muitos não me preocupo apenas em construir meu ser, que foi acumulando saberes, crenças, descrenças, amor e desamor nas estradas da vida. Há muito em mim, que não foi agregado propositadamente, não me reconheço em muitas fases de andar e calar.

O que busco há certo tempo é livrar meu corpo e meu espírito de fardos, pessoais e sentimentais. Busco leveza. Uso para escrever nos jornais, as palavras que uso para falar comigo mesma. Se aconselho, sugiro, a intenção não é mostrar que sei e sim, mostrar a luz que enxergo quando a escuridão se faz mansa e latente.

Porque andar em linha reta, aceitar o peso de tudo que vivi, do que vivo e por certo, viverei não acrescenta a doçura que busco no viver. Estou deixando para trás o peso de tudo que não me faz sorrir mais, crer mais, sonhar mais. E assim tem sido, porque nem tudo que foi edificado no meu caminho leva-me ao lugar que almejo chegar. Houve o momento de juntar conhecimento, experiências e tralhas.

Livro-me agora do que excede à minha necessidade espiritual.

Descubra o que o Ano Novo reserva para você

Li um anúncio sobre a venda de um livro com as previsões de como será o ano de 2018 para pessoas de todos os signos, com dose generosa de bons acontecimentos, realizações de sonhos adormecidos, encontros inesperados. É forçoso acreditar que a leitura do destino esteja ali tão destacada no signo e destinada a pessoas distantes e distintas.

Acerca do futuro digo que as coisas acontecerão dentro dos limites do que escolhermos ou do que não pudermos evitar. Mas quem conhece o céu assegura que os alinhamentos dos astros interferem irremediavelmente nas nossas vidas e através de estudos de uma série de fatores é possível que os astrólogos ante vejam algumas possibilidades.

Um líder espiritual indiano diz que no plano sensível a vida pode ser uma combinação de destino e livre arbítrio. A chuva é o destino, molhar-se ou não, é sua escolha.

Previsível, a existência não é. Pense como seria a vida condicionada a levantar, deslocar para o trabalho, almoçar, trabalhar mais, assistir televisão, dormir, levantar… Nutrir a rotina pode ser confortável, mas logo os dias vão se esticar numa linha infinita atrás de nós, e a vida desprovida de significados é o anúncio que já não estamos mais vivendo.

Acontecimentos externos e alheios nos desviam de nossos caminhos, aproxima-nos de pessoas, tira-nos pessoas. A imprevisibilidade da vida faz curvas extraordinárias exatamente porque não precisamos exercer controle aborrecido sobre nosso destino na terra. Os problemas não são insuperáveis, ser feliz todos os dias não é tarefa realizável para o ser humano, mas o caráter importa e precisamos decidir que neste ano não aceitaremos a mentira, o fanatismo, o preconceito, a ignorância nem a mesquinhez.

No ano que passou recebemos e compartilhamos muitas mensagens com receita pronta ensinando tudo: como ter paz, meditar, reconciliar, viver com simplicidade, reconquistar a auto-estima. As mensagens de boas festas foram quase todas neste sentido: Shakespeare disse isso e aquilo, sobreviver, orar, amar e perdoar.
Ele não deve ter dito nada disso!

Mas sabe? Nem os astrólogos nem Shakespeare podem fazê-lo entrar em contato com sua verdadeira essência e torná-lo útil. Somente a generosidade ensina-nos a perder o medo de sermos bons e à medida que a nossa fé amadurece, podemos aprender a humildade e mudamos, reconhecendo claramente as fraquezas e virtudes nossas e dos outros.