Não é engraçado. É machismo. É misoginia

A educação está vinculada ao respeito às culturas e sabemos que nossa base de valores culturais são questionáveis e que trabalhar a educação vinculada a valores fundamentais tem sido um desafio nesse país que nunca priorizou políticas educacionais de qualidade.

As famílias fazem o que é possível para a formação do caráter dos filhos dessa pátria, grande parte, sem educação.

A atitude dos quatro brasileiros, semi-bárbaros na Rússia, em torno do lamentável caso de misoginia, mostra que avançamos pouco na educação dos nosso jovens. Falta civilidade.

Todos os envolvidos no episódio tiveram oportunidades de receber educação de nível superior e isso reforça os resquícios da falta de seriedade de um país que cria leis para proteger as mulheres, nunca, porém preocupou-se em educar seus filhos para tratar não somente as mulheres, com respeito e igualdade. Não podemos deixar de acreditar no papel da educação, mas tem sido desanimador.

Trato de comentar o caso, embora eu saiba que esses quatro idiotas não representam a maioria dos jovens brasileiros, todavia, não creio que seja um fato isolado.

Os “meninos” são conhecedores dos efeitos das mídias sociais de catapultar indivíduos ao estrelato da noite para o dia. E buscaram a fama. Só não contavam que a reação seria absolutamente contundente no sentido de expô-los ao ridículo e até levá-los a responder criminalmente pela “brincadeira”.

Não podemos minimizar e banalizar a cena grotesca em que homens cercam uma mulher, gritam palavras vulgares ao som de risadas e deboches. Expressou-se bem a atriz Leandra Leal ao escrever: “não é engraçado. É machismo. Misoginia”.

Pena que somente agora, depois da repercussão internacional e estrondosa do caso, os quatro marmanjos vieram a público lembrar que são pais de meninas, que respeitam muito suas esposas. Bem, poderiam ter pensado nisso 1 minuto antes de deixar escapar o ranço do machismo, da falta de educação e misoginia.

Já assinei a petição criada pela russa Alena Popova, que já juntou outro vídeo de brasileiro perseguindo uma mulher tomado pelo exagero da má conduta.

O ministério das Relações Exteriores já se manifestou envergonhado diante dos casos e estuda uma possível punição quando os homens retornarem ao Brasil. Dois dos, quatro citados acima, já foram demitidos de seus empregos. Outra vergonha sofrida pelo ministério das Relações Exteriores foi a prisão pública de um assaltante brasileiro foragido da Justiça, há muito procurado pela Interpol, dentro do estádio de São Petesburgo, durante o jogo Brasil X Costa Rica.

Renato Janine Ribeiro, é professor titular de ética e filosofia política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e acaba de lançar o livro A Pátria Educadora em Colapso”, pela editora Três Estrelas.

Tem o propósito de nos lembrar ou ensinar que o atraso cultural que nos perturba é crônico e que educar é tirar a pessoa do confinamento na casa, no bairro e dar-lhe a compreensão para conviver com um universo maior e com a diferença. Educar precisa incluir e abrir as pessoas para o mundo e para a convivência civilizada.

Diz Janine que a educação tem de ser um instrumento para o crescimento pessoal, para abrir oportunidade profissional, mas este é um ideal que o Brasil está longe de ter.

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