Não pense num elefante

George Lakoff, é professor de Ciência Cognitiva na Universidade da Califórnia em Berkeley e autor do livro “ Não pense em um elefante”, no qual ele relata o estudo sobre a propensão dos políticos em usar o discurso sucinto como forma de manipular o eleitor e como isso tornou-se uma estratégia valiosa na comunicação eleitoral. Palavras e mensagens curtas, corretamente passadas, são essenciais para ganhar apoio popular.

Ciência Cognitiva é uma ciência interdisciplinar, que lança mão dos recursos que podem contribuir para o estudo da mente, tais como; psicologia, linguística, ciência da computação e das neurociências. E o título do livro remete à questão de que é necessário transmitir uma mensagem e repetí-la várias vezes para que ela ganhe vida. E se você pede a alguém que não pense num elefante, a primeira coisa que vem à mente da pessoa, é um elefante.

O livro é sobre como entendemos as mensagens que recebemos, como aprendemos o que sabemos e como absorvemos as ideias novas que nos são apresentadas. Se um fato bate de encontro aos nossos valores, ele será aceito e, por outro lado, se a ideia for muito distante da realidade, a tendência é refutá-la, independentemente de ser verdade ou não.

Uma coisa que o autor menciona e reforça é que o enquadramento do sistema de crenças e de valores morais do candidato, ao passar a sua mensagem, é valioso e é reprovável o político que vende ideias nas quais sequer acredita apenas para obter benefício político ou econômico. Enfim, agir sempre sem deixar nenhum rastro nefasto é um bom exemplo, e a sensatez é uma virtude cada vez mais necessária e quando é acompanhada de lealdade e franqueza é melhor ainda.

O que vemos acontecendo hoje nos governos não sustenta a ficção de direita e esquerda e tampouco é possível para um só partido ou coligação representar o rigor econômico e a justiça social. Pode ser que no fim das contas, entraremos em um período de redistribuição ideológica e política, onde as ações e ideias afirmativas tenham sobrepeso às negações. Do ponto de vista político, é melhor afirmar uma posição e discurso do que viver a negar fatos e desmentir boatos.

Lakoff diz seguidas vezes que os eleitores não votam em seus próprios interesses, eles votam em seus valores e estes, são constantemente ignorados. Mas observe que, quando suas ideias não se encaixam na visão de mundo de determinado público, então eles não se dispõem a ouvi-lo.

Reforça ele dizendo que quando ouvimos mensagens que não se encaixam em nossa cosmovisão, simplesmente não conseguimos processá-las; então podemos ignorá-las ou contra-atacá-las, ou literalmente, nem ouvi-las.

O que Lakoff fez foi vincular a questão da crença política à ciência cognitiva, levando o entendimento de que a melhor maneira de sensibilizar a opinião política das pessoas é falando sobre valores, em vez de argumentos específicos sobre questões específicas, em explicações demoradas.

Grandes ideias ganham eleições. Estatísticas e detalhes esmiuçados, não.

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