De Kant a Bobbio pouco mudou

O filósofo político italiano Norberto Bobbio, descreveu a serenidade como a mais impolitica das virtudes exatamente pela dificuldade que temos de estabelecer uma relação saudável com os adversários sobretudo porque esse conflito é gerado no seio da arrogância, onde quase todos os que se postam desde o início como imbatíveis, pregam que a verdade é única e lhes pertence.

Não considero inferior, a virtude da escolha pelo caminho moral, pelo cumprimento da palavra empenhada.

Discutir eleições e candidaturas não passa efetivamente pelo ato de fazer o outro sentir-se estúpido. Bom mesmo é ter o ponto de vista desafiado pelas idiossincrasias peculiares da política, escapar das influências de modo a não estar receptivo ao menor som e a toda e qualquer impressão que tentam nos passar. É na solidão das análises que nos vemos limitados unicamente aos nossos recursos, que enxergamos a capacidade que temos em nós mesmos.

O bom político deve aceitar a lógica da disputa, as regras do jogo, sem ao final, ser rancoroso ou vingativo. Os que ficam a remoer ofensas, alimentando ódio, não conseguem abrandar a tempestade dos sentimentos e ter uma relação justa com os adversários. E o período eleitoral é curto, instável e merece ser vivido com respeito.

Cito o filósofo italiano Benedetto Croce que ilustrou a ética política, usando a profissão de médico como termo de comparação ao dizer que quando se trata de buscar a cura de uma doença ou submeter-se a uma cirurgia, ninguém vai atrás de um homem honesto e justo; todos procuram médicos e cirurgiões, com habilidade na prática da medicina.

Digo que nas coisas da política tem sido também assim. Mas pode mudar se o cidadão entender a diferença entre votar naqueles que sabem perfeitamente executar e lucrar com a atividade política e aqueles que não rejeitam suas licitudes para servir  ao sistema de negociatas e lutas individuais.

A ilusão que o conhecimento de grande parte da população está fundamentada na tecnologia da informação e na mídia que propaga os fatos, o que causa a falsa impressão de que todos os paradigmas da sociedade mudaram com a informação massiva que chega a todos em toda parte.

Contudo ainda desperdiçamos tempo odiando, marginalizando, rotulando pessoas por causa de suas ideologias, preferências e crenças. Estamos assustados e quase paranoicos nesses tempos de eleições livres, onde o cidadão está sendo alimentado por notícias falsas, arranjos contraditórios, acordos impróprios e outras formas de falta de respeito.

Recorro ao filósofo Immanuel Kant para encerrar: ”Todo homem tem o direito de exigir o   respeito dos próprios semelhantes e reciprocamente está obrigado ele próprio a respeitar os demais”.

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