Picuinhas partidárias

Em março de 2015 eu escrevi neste mesmo espaço que começava a perceber o vento soprando num movimento significativo empurrando o país para a direita. Tive a impressão que mesmo os jovens estavam convertendo seus perfis numa linha mais conservadora em quase todos os aspectos das discussões que permeiam a vida contemporânea.

Esta perspectiva estava sendo percebida por vários analistas, que acreditavam que os movimentos ocorridos em 2013 ajudaram a eleger parlamentares conservadores, avaliando suas filiações partidárias. Esse contingente significativo de deputados eleitos que hoje estão terminando seus mandatos, são líderes evangélicos, empresários e militares, que se filiaram em partidos pequenos, com viés anti esquerda. Jair Bolsonaro elegeu-se deputado em 2014 pelo PSC, onde já defendia agenda conservadora e somente dia 07 de março deste ano filiou-se ao PSL.

Eleições no Brasil tem sido um processo contínuo. No bojo de uma eleição já se articula a próxima e a conjuntura nacional encarregou-se de fazer um grande bem ao presidente eleito: consolidou a desidratação de partidos grandes e viciados no poder, como o MDB e PSDB, o que vai favorecer o governo eleito, deixando-o sem a menor obrigação política de aliar ou barganhar apoio.

O tom da campanha subiu no WhatsApp, Facebook e Twitter. Jair Bolsonaro é desde 2017 considerado o político brasileiro mais influente nas redes sociais, que demonstraram efetividade na sua campanha, embora candidatos de todos os lados, tenham também denunciado que essas mídias sociais foram veículos propagadores de uma infinidade de notícias falsas.

Todavia, o mundo social é muito mais complexo do que os discursos e propagandas transportados pelos veículos citados acima e até mesmo mais complexo do que sugere o belo artigo escrito ontem por Fernando Gabeira, intitulado “Uma virada à direita”, onde reconhece que a esquerda não se reinventou e tornou-se uma presa fácil para uma campanha movida pelos pensadores de direita que surgiram no cenário político e orientaram o impulsionamento e compartilhamento de notícias pelas redes sociais.

Nas redes sociais os exércitos perfilaram. Na visão de mundo de qualquer cidadão brasileiro é impensável um governo eleito desprezar os eleitores que escolheram outro lado, outro candidato. Agora é hora de desfazer as picuinhas partidárias, fortalecer a democracia e responder com boas ações o clamor por reformas e mudanças na oitava maior economia do mundo. Hora de aprender com os erros e deixa-los para trás e conectar-se com todos os segmentos da sociedade brasileira.

Voltaire, filósofo francês escreveu O Tratado sobre a Tolerância em 1763: “Digo-vos que é preciso olhar todos os homens como nossos irmãos. Como! meu irmão, o turco? meu irmão, o chinês? o Judeu? o siamês? – Sim, sem dúvida. Não somos todos filhos do mesmo pai e criaturas do mesmo Deus? Possam todos os homens lembrar-se que são irmãos”.

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