A relevância do entendimento

Segundo entendimento de Norberto Bobbio, no Dicionário de Política, os fins e os objetivos da política são definidos de acordo com os interesses dos grupos e políticos dominantes. Não há de ser assim em todo e qualquer contexto. Aliás, não deveria ser assim de forma alguma, não devemos viver sob o signo do conflito de interesses.

No caso político, o entendimento é necessário para se implantar as medidas que não gozam de consenso absoluto e precisam ser discutidas, polidas, adequadas até chegar a um nível que, mesmo que não agrade a todos os parlamentares, favoreça algum encaminhamento.

Via de regra, quase todas as medidas anunciadas pelos governos esbarram na má vontade, na vaidade, na lista ou não das prioridades. Se souberem trabalhar em conjunto, expurgando os ruídos provocados pelas bases, governo e parlamentares poderão avançar nas pautas de interesse do país.

Entender a natureza dos projetos, a relevância da aplicação de leis novas e acima de tudo, responder a inquietação da população é praticar a política republicana, que põe em relevo o bem comum sem desidratar os antagonismos entre os diversos interesses, mas, dando-lhes porém o contorno de que o bem comum deve ser buscado, sempre.

O debate acalorado é um elemento que bem ilustra a forma de fazer política do brasileiro e nem de longe significa rusga ou falta de educação. Entretanto, a paralisia é causada pelos pequenos mal-estar que vão se avolumando, pela adoção de estratégias mascaradas para fazer emperrar a máquina já lenta do executivo.

Historicamente é difícil um projeto, uma lei ser votado em consenso inicial. Mesmo quando não há o que negociar, alguns encontram razões para enrolar e para tornar o parlamento um lugar tenso, enquanto no plano ideal, deveriam todos trabalhar juntos e celebrar alianças progressivas.

As duas indignações

L´INDIGNATION  EST  UN

PROCESSUS

DÉMOCRATIQUE

 

Quando um evento triste ou violento ocorre temos a tendência de expressar nossos sentimentos, quase sempre permeados pela indignação. Decorre daí, experimentarmos dois tipos de indignação.

Primeiro, a indignação relacionada diretamente ao fato que nos chocou e logo depois, como se estivesse corrigindo o exagero desta, a indignação escamoteada em espanto por termos nos indignado, com a violência já naturalizada ou com sofrimentos já sabidos inevitáveis.

Vivemos em sociedade e inúmeros conjunto de atitudes não mais como retornar. A vida moderna nos ensina que é para frente que devemos seguir, independente do que deixamos ou vemos lá atrás. Carregamos os exemplos, as lembranças e deixamos as sujeiras escondidas atrás dos tapetes que negamos levantar.

Indignar não é nenhum ato de redenção. É um susto involuntário. Não é nenhum elemento novo, amigo. É a mente pressionando para que não nos esqueçamos dos valores que tentaram incutir na nossa educação; viver com ética, sermos bondosos e tolerantes.

Quem, imperfeitos como somos, nunca pensou em passar do desejo à atitude de maltratar alguém que lhe fez algum mal? Porém, as duas indignações não permitirão o revide. Pois que, o mal causado por outro lhe indignou e o seu pensamento, ainda que tênue de fazer o mal, causa a segunda indignação.

Melhor aprender viver combatendo a percepção ingênua da completude e interpretar nossa história fixadas nas impossibilidades e que a indignação seja nosso estado de lucidez!