O lado profundo da vida

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Se existe profundidade é preciso que ela suba à superfície. Porque hoje a superficialidade se impõe à profundidade, diz o filósofo alemão Peter Sloterdijk, para quem, a vida atual não convida a pensar.

Estamos nos mostrando na medida do que agrada, do que imaginamos receber elogios, estamos lendo o que vem comentado porque pensar pode ser até certo ponto, um exercício doloroso de resgate do aprendizado de uma vida, que tornou-se esvaziada pela pressa e pela superficialidade a que estamos submetidos nas práticas diárias.

Estamos vivendo ora introspectivos escondendo a boa sorte. Ora, ressentidos, invejando a boa sorte dos outros.

Dos baques sofridos  à alma lavada não temos aprendido quase nada. Tomados pela vaidade, deixamos para trás o frescor dos fins de tarde e nos trancamos vencidos pelo cansaço de um dia vivido em colisões frontais por espaço, por emprego, por um relacionamento. Enfim, a rotina nos aprisiona.

A combinação das necessidades e potencialidades internas e externas deveriam nos levar a um placar de razoável empate. Mas não! As necessidades e potencialidade internas tem sido negligenciadas. Não lemos mais, porque tememos não entender, não estendemos a mão, porque tememos ser tocados pelo veludo da pele, não ouvimos mais o outro, porque somente nossas verdades importam.

É preciso construir o eu interior, mesmo a partir da confusão, da arrogância ou do caos. É o mundo interior, coração e mente que precisam receber cuidados. No mundo superficial basta panos, jóias e carros, porém, para restaurar a mente e o coração, um pouquinho mais. É preciso dedicar tempo às amizades, leituras, pensamento crítico e muito respeito; coisas e sentimentos que habitam o lado profundo da vida e apenas, tão somente apenas esporadicamente emergem a superfície para serem pinçados.

Para nos sentir precisamos desistir das facilidades. Se um dia nos fizeram simples, nos afastamos dessa natureza e resgatá-la é o serviço de emergência que vai nos devolver os movimentos vitais.

Eis que a extraordinária exigência de mergulharmos nas águas profundas nos salvará da mediocridade, da comparação, da reclamação e das dúvidas e teremos aprendido a retornar para nossa essência