5 meses

5 meses é pouco tempo para tenha se desmobilizado a multidão que apoiou e votou no Presidente Jair Bolsonaro. Em que pese todas as declarações de apoio,  há descontentes recentes e desertores.

Mesmo que se considere que a maioria dos apoiadores estejam firmes com o Presidente, o momento de mobilização política, das concentrações foram deixados para trás e agora, com outras pautas, outras urgências, muitos podem não se dispor de tempo ou de encantamento suficiente para saírem às ruas.

Não é ato de coragem apoiar mas silenciar.

Esse é um governo que ainda não é identificado com nenhuma pauta específica, que não é defendido pela maioria na Câmara nem no Senado. Esse é um governo que se perde em explicações e divagações e não atua para efetivamente emplacar as reformas difundidas como essenciais, algumas que foram inclusive mote da campanha.

Se são essenciais, por que ainda não saíram do papel? Por que não foram pautadas para votação? Porque os líderes do governo não estão efetivamente debruçados em cima desses projetos? O Congresso tem em si a capacidade para irritar o povo, de segurar votações e depois, transferir culpas.

O Centrão existe, como aliás, sempre existiu e tem procedimento padrão para impor suas vontades, para que as velhas práticas do toma lá, dá cá não sejam combatidas sem que algo equivalente seja apresentado para o novo ciclo.

O centro sabe que pode trancar a pauta, sabe que pode pedir, porque mais cedo ou mais tarde, numa ou outra proporção, serão atendidos.

Em entrevista recente, o ex Presidente José Sarney disse que o presidente Bolsonaro aposta nas evidências do caos e que isto é um erro. Falta ao governo ajustar-se a liturgia do cargo e não esperar que o cargo se adapte ao governo.

O governo não pode, em momento algum estar numa situação de imprevisibilidade. Há toda uma estrutura montada para articular as políticas, para ligar uma ponte à outra, para dar sustentação e governabilidade ao presidente. Só que estas estruturas devem ser administradas com o mínimo de conhecimento da realidade política, certo pragmatismo, enfim.

Sem ter maioria é difícil aprovar as pautas, avançar nas agendas de reformas. A crise atual não é causada pela falta de firmeza dos partidos. Nunca foram fortes isoladamente. Mas a união do DEM e MDB balança qualquer estrutura.

 

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