A transversalidade entre ser e fazer

A busca do homem por um significado consiste em identificar um propósito que o faça se sentir positivo, o que é essencial para sobreviver as tempestades e guerras simbólicas mas isso nem sempre é levado em conta quando consideramos o ambiente de trabalho da maioria de nós.

O conhecimento que adquirimos deve servir ao interesse da transformação social, subsidiar a reflexão e fornecer armas para desvelarmos a realidade e promovermos sua transformação, sobretudo nesse momento em que sentimos o peso do mundo nas costas. A pandemia impactou a vida de milhares dos mais diversos modos: perda de familiares, amigos, outros perderam o emprego, outros perderam a fé, a esperança.

Há total transversalidade entre ser e fazer, embora o ser deva sempre vir antes de fazer. Não devemos trabalhar pelo trabalho em si, mas pelo que o trabalho pode transformar em nós e na vida de outras pessoas. Nossa identidade não deve ser interpretada apenas a partir pelo nosso desempenho profissional, porém, é uma dádiva incalculável quando o trabalho reflete quem somos, pois seguramente somos bem mais que um profissional fechado nas linhas de um currículo.

O trabalho pode, sim, ser uma das fontes do nosso contentamento se pudermos nos ver no que produzimos. Trabalho e vida são criações compatíveis, transversais, principalmente quando conseguimos liberar o trabalho da relação meramente econômica. Em meio ao turbilhão de dias corridos, não devemos permitir que nossa essência se esvaia em apenas uma direção.

Equilibrar a carreira e o que reclama a vida interior, os pequemos momentos em que ninguém está avaliando é importante para que não sejamos definidos pelo que fazemos ou pelo que outros dizem ou pensam avaliando nossa performance profissional apenas, menos ainda pelo que alcançamos em termos materiais e sim, por quem somos como seres humanos.

Todo esforço que fazemos para consistentemente investir em nossas necessidades interiores, são determinantes para melhorar nossa qualidade de vida agora e no futuro.

Não estamos aqui falando de separação entre vida pessoal e profissional. Estamos falando de viver integralmente o que se carregamos no coração em todos os espaços que ocupamos. Cada pessoa tem uma série de valores com variado nível de importância dado a cada um deles. E o que propomos é que os valores pessoais sejam destacados para que posam impactar de forma positiva as atividades que permeiam o dia-a-dia das pessoas produtivas.

Quando você é maior que seu currículo você influencia as ações, decisões, o comportamento de outros e não permite que haja desconexão entre valores, sonhos românticos e trabalho. Você é a pessoa que é e isso reflete no seu trabalho e além. Nutrir a mente e o corpo com boas leituras, com o convívio harmonioso com pessoas de diferentes `backgrounds´, estar aberto a argumentações de pessoas que pensam diferente, são combustíveis que podem afugentar os demônios interiores.

 Estamos vivenciando um dramático ciclo novo, que exige a prática do autoconhecimento e da introspecção. A autorreflexão é uma ferramenta rica, quando precisamos nos recriar.

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