A teoria do princípio do dano

Sem dúvida alguma, você tem o direito de colocar sua própria vida em risco. As liberdades individuais devem ser respeitadas, mas elas não representam direitos irrevogáveis. Como argumentou na teoria do princípio do dano, o filósofo britânico John Stuart Mill em Sobre a liberdade, 1859: “sua liberdade é limitada pelo dano que pode causar a outras pessoas”. Em outras palavras, a liberdade individual, tal como John Mill a propõe não admite restrições outras que não sejam um eventual prejuízo a outras pessoas.

Quando a ação ou até mesmo a omissão de um indivíduo causar um dano irreparável à coletividade, ele pode ser interpelado, cobrado quanto a sua responsabilidade para com o coletivo. Temos que pensar o quanto é importante para o coletivo que sejamos individualmente responsáveis quanto a pandemia. A partir dessa compreensão cada indivíduo deve fazer a sua parte para reduzir as taxas de infecção e transmissão do vírus e isso implica não ser complacente com as pessoas que agendam e não comparecem para receber a vacina.

Para se ter uma ideia da absurda evasão, reproduzo aqui o que li no site da Prefeitura de Cuiabá: ”Quase 70% das pessoas agendadas para vacinar contra a Covid-19, na quarta-feira (16/06), em um dos seis polos de Cuiabá, não compareceram. Os dados são das equipes que coordenam a vacinação na capital de Mato Grosso. Do total de 4.934 pessoas dos grupos prioritários agendados, somente 1.492 estiveram nos locais, totalizando 3.442 faltosos”.

Segundo uma assistente social que trabalha em um polo de vacinação, as razões da evasão são várias, que vão desde a falta de colaboração de familiares para levar a pessoa para vacinar, esquecimento e também um método utilizado para não receber a dose de determinada vacina, porém, segunda ela, a razão principal é mesmo o descaso no trato da pandemia. A falta do senso de responsabilidade coletiva.

Uma amiga jornalista confidenciou que não compareceu no dia agendado porque viajou para uma visita de rotina à família numa cidade próxima a Cuiabá e quando retornou, reagendou; a professora que faltou ao agendamento, com quem falei também não teve nenhuma razão urgente para ter faltado. Alegou que, embora tenha se cadastrado, não há pressa porque as aulas não começaram e ela não pretende voltar à sala de aula, vai requerer o benefício da licença prêmio e continuar em casa. Sugiro que as pessoas pertencentes a grupo prioritários que não comparecem no dia agendado, deveriam gozar de uma tolerância mínima, sob pena de perderem o status de prioridade.

Num país que acaba de romper a inacreditável marca de 500 mil mortos e ainda registra a absurda marca de mais de duas mil mortes por dia, não há outra alternativa senão renovar nossa fé e a compreensão de que temos que ter responsabilidade com a vacinação, nos proteger, proteger nossa família e tantos quantos nosso gesto puder alcançar. Pequenas ações individuais podem realmente fazer uma diferença de grandes efeitos coletivos, mesmo que seja difícil de perceber.

A vacinação é considerada a intervenção médica mais eficaz e mais barata por meio da qual a imunização individual e coletiva é alcançada. Espera-se que as vacinas diminuam não apenas as taxas de infecção, mas também as taxas de transmissão do vírus. Isso significa que tomar a vacina pode proteger você e outras pessoas e contribuir para que a população alcance a imunidade coletiva o mais rápido possível.

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