Ninguém está seguro até que todos estejam seguros

A pandemia não chegou ao fim. Não estamos liberados do uso de máscara em local fechado, temos que ser vacinados e as normas sanitárias estabelecidas continuam vigentes, embora percebamos um relaxamento desproporcional das norma de biosegurança, considerando o “inferno” que estamos vivendo há quase 2 anos. O que vou relatar agora está nas capas dos maiores jornais do mundo e no site da Organização Mundial da Saúde este final de semana; os países estão lutando para impedir a entrada de uma nova variante da covid, batizada de Ômicron, com casos confirmados na África do Sul, Bélgica, Egito e líderes globais reconhecendo o quanto estamos vulneráveis. O alerta ao mundo foi feito por cientistas sul-africanos.

A descoberta é muito recente e o rastreamento do novo vírus está sendo feito especialmente na África, em Botsuana, onde pesquisadores indicam que pode ter ocorrido uma mutação genética, com suposta capacidade do vírus se disseminar mais rapidamente do que a variante Delta, amplamente conhecida. Outra grande preocupação é saber se as vacinas até aqui produzidas e aplicadas serão eficazes para conter a propagação dessa variante, considerada altamente infecciosa e evitar mortes.

Cientistas alertam que a nova variante não precisa de muita ajuda para encontrar as dezenas de milhões de pessoas que estão desprotegidas, sem vacinação completa. E enquanto houver partes do globo com baixas taxas de vacinação, continuaremos a ter criadouros ideais para novas variantes.

Todos os lugares do mundo, das metrópoles aos vilarejos foram alcançados pela pandemia do coronavírus, porém, nem todos foram alcançados pela vacinação. Agora, a realidade de um mundo globalizado não apenas pelas relações comerciais, mas ligado também pelas misérias volta a nos assombrar. Sob muitos aspectos essa nova situação muda definitivamente nossa ideia de lugar, de segurança. Para onde tentarmos ir, não encontraremos terra segura, esta epidemia está a nos acompanhar por onde andarmos. Se os cientistas a debelam de uma forma, o vírus se transmuta e ressurge numa terra que muito provavelmente tenha sido negligenciada ou esquecida.

Para quem decidiu sair e viver a vida, virando a página da tragédia das 614 mil mortes e mais de 22 milhões de casos no país, apresentando a narrativa de que a pandemia essencialmente chegou ao fim, seria bom um recuo mental e reavivar as imagens das unidades de terapia intensiva colapsadas, os anúncios dos números assustadores de mortes diárias incluindo aí, familiares de muitos de nós.

Pode parecer uma ideia atraente acreditar que atingimos o equilíbrio, porque ansiamos voltar à vida normal, mas isso vai de encontro à realidade da existência de uma pandemia que continua latente. Existe uma realidade ruim eclodindo hoje na Africa que pode ser irradiada para muitas outras populações, inclusive a nossa.

Além disso, vale relembrar as entrevistas de cientistas, infectologistas e virologistas afirmando que  novas variantes continuariam a evoluir, mas com os cortes das verbas do fundo para a ciência, a comunidade científica brasileira não tem recurso (equipamento e reagentes) para fazer pesquisas para entender se as variantes são mais ou menos virulentas. Entretanto, virologistas mundo afora estão voando em alta velocidade para entender se as propriedades e o potencial da nova variante pode evitar a imunidade das vacinas e das pessoas que já foram infectadas.

A narrativa cruel de que “todos vamos morrer um dia e não adianta fugir dessa realidade e que temos que deixar de ser um país de maricas”, não pode se repetir, caso o monitoramento da nova variante mostre que ela tem potencial para causar surto em países com alta taxa de cobertura da vacina.

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