O tempo não desgasta as lutas

O Brasil tem o maior eleitorado compulsório do mundo e essa regra faz parte da nossa experiência democrática e a obrigatoriedade, que no país vigora desde a Constituição de 1946, é uma das razões pelas quais, muitos eleitores sequer se lembram em que votaram nas últimas eleições gerais. Apesar disso, o voto é considerado uma atividade política igualitária, já que cada eleitor, seja ele quem for, tem direito apenas um voto. Ou seja, potencialmente, são os cidadãos que podem promover mudanças políticas.

O brasileiro há certo tempo desacredita da política. Em uma pesquisa do Instituto Ibope nas eleições passadas, 68% dos eleitores entrevistados disseram ter pouco interesse nas eleições e, segundo o Instituto Datafolha, 18% dos eleitores pretendem anular o voto para deputado federal. 49% não iriam às urnas se o voto fosse facultativo. E segundo o Ibope, se não fossem obrigados a votar, seis em cada dez eleitores deixariam de comparecer às urnas.

O voto é facultativo na maioria das democracias, porém, o que protege o sistema político hoje no país é o voto obrigatório, senão já teria entrado em um processo de falência.

É de se supor que sucessivos casos de corrupção, acúmulos de escândalos, políticas públicas que não chegam na ponta, onde a população vulnerável clama por ações do governo sejam elementos que contribuam com esse descaso do eleitor em participar do processo político. É portanto, compreensível o desalento, porém, é inevitável fugir do tema, que nem sempre é uma doutrina pacífica, ainda agora envolta em discurso direto de ódio.

Observe porém, que a democracia se digitalizou e as mídias sociais e outras medidas estão sendo desenvolvidas como um meio para melhorar o engajamento dos eleitores e a participação política dos cidadãos. Facilitando inclusive que se denunciem maus serviços e atitudes de parlamentares e governo, assim como  possibilita o empréstimo da voz à causas cidadãs e sociais e contra abusos.

Tudo se articula no discurso do mundo político, onde os recursos públicos embora pareçam inesgotáveis, não são. Esse mundo que precisa de seu engajamento para melhorar é feito de desigualdades, falta comida, faltam vagas nas creches, nos hospitais, meninas faltam às aulas porque no orçamento miserável da família não sobra dinheiro para comprar absorventes higiênicos. A justiça de São Paulo nega pedido da Defensoria Pública para colocar em prisão domiciliar uma mãe de 5 filhos que furtou coca-cola, miojo e suco em pó, cujo valor totalizou 21,69. Na delegacia ela declarou que roubou alimentos porque os filhos passam fome. Nada justifica para o ato infracional mas este, escancara o estigma da fome, que os governos empurram para debaixo do tapete.

Mais de 19 milhões de brasileiros passam fome. Não é uma razão forte o suficiente para você levantar a voz?

Esse país precisa do seu engajamento para melhorar porque o Ministério da Economia bloqueou 2,7 bilhões do orçamento da Educação em 2021, mandou cortar 90% dos recursos da ciência e anunciou que vai investir apenas 0,00069204% do PIB na área e sabemos que nenhum país do mundo avançou sem que houvesse investido pesado e feito da ciência, tecnologia e inovação a rota para o progresso.

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