Uruguai – caso de sucesso na educação

Entrando no segundo mês do ano de 2022, o mundo da educação está em um momento crucial. A pandemia continua a atrapalhar o aprendizado diário das crianças em todo o país, trazendo ansiedade e incerteza para o início de mais um ano letivo.  

Parece que é impossível recuperar tudo o que foi perdido em termos educacionais nos  últimos dois anos  e a pergunta de um aluno do Centro de Educação Unificado Casa Blanca, em São Paulo, para a sua professora ecoou como um grito de socorro para que a escola fique aberta. “Professora, demora muito a hora da janta? Na minha casa não tem gás, então de manhã eu só comi bolacha”. A pergunta do aluno é a constatação de que a merenda distribuída pelos governos, sobretudo municipais, é grande aliada no combate à fome e no desenvolvimento da criança, que também têm acesso ao lazer e serviços de saúde por meio da escola. 

Profissionais da educação do Banco Mundial e UNICEF fizeram um estudo sobre as reais possibilidades de se reverter as perdas educacionais ocasionadas pela pandemia, conforme o esperado, mostram que o impacto da pandemia no aprendizado dos alunos do ensino fundamental e médio é muito significativo, deixando os alunos em média cinco meses atrasados ​​em matemática e quatro meses atrasados ​​em leitura, por ano letivo. A pandemia inegavelmente acabou atingindo mais duramente os alunos historicamente desfavorecidos, que não conseguiram acessar a internet o tempo necessário, ou tempo algum.

O Uruguai é a história de sucesso na análise do Banco Mundial. O país se adaptou rapidamente ao ensino digital e em plena pandemia as crianças uruguaias continuaram a aprender, sem interrupção. Eis a razão: Nos últimos dez anos, o governo uruguaio investiu maciçamente em infraestrutura escolar, conteúdo digital e capacitação de professores, montou centros de suporte digital de última geração para as escolas, deixando o país bem preparado para migrar para o ensino online quando as salas de aula fechassem. Implementou a política de “um laptop por criança” e criou até uma agência estatal para atender as demandas da educação digital.

Quando as escolas fecharam, o governo conseguiu responder rapidamente distribuindo material digitalmente e personalizando o ensino remoto para o nível de aprendizado de cada aluno. Resultado do investimento? 98% dos alunos usam a educação remota regularmente, inclusive nas áreas rurais.

De modo geral o que os pesquisadores constataram foi a realidade de professores que desconheciam atividades digitais básicas, governos que não investiram em  infraestrutura digital para apoiar o aprendizado online, o que ocasionou as perdas educacionais e negou às crianças a possibilidade de se manterem em contato com colegas de classe e professores. Embora a aprendizagem digital não produza os mesmos resultados que a educação presencial, o investimento governamental em tecnologia usada de forma eficaz e includente pode preencher as lacunas educacionais e evitar a perda de aprendizado, como ocorreu no Uruguai.

Na maioria dos lugares, os sistemas educacionais tiveram que lidar com fechamentos de escolas, com acesso desigual às ferramentas de tecnologia, fundamentais para o ensino à distância. Ao mesmo tempo, houve muita discussão e observação sobre os danos sofridos pela educação de crianças e adolescentes, consequencia do distanciamento duradouro dos alunos com o ambiente escolar, acumulado desde o ano de 2020.

A questão central agora é investir na recuperação do aprendizado, olhar para o país vizinho e usar a experiência da pandemia como um catalisador para melhorar a educação de modo geral.

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