De olho na expressão facial

Foi com o estudo dos gestos das mãos que Paul Ekman iniciou suas pesquisas sobre a comunicação não-verbal em seres humanos e, na época já havia uma discussão sobre a expressão facial no contexto dos estudos sobre comportamentos emocionais, algo que havia sido iniciado lá atrás com Charles Darwin, quando publicou o livro “A expressão das emoções no homem e nos animais”.

Em tempo de discursos eleitoreiros, “fake news” e muito jogo de cena é muito importante prestar atenção e perceber quando uma ação facial é espontânea e genuína ou apenas uma expressão posada, controlada e dissimulatória.

Paul Ekman, um dos maiores especialistas do mundo no campo das emoções, dedicou sua vida a pesquisar emoções e a desenvolver ferramentas para nos ajudar a perceber nossa vida emocional e dos outros. Ele iniciou as pesquisas acreditando que expressão e gesto eram aprendidos socialmente e podiam variar de uma cultura para outra, porém ao avançar nos estudos e trabalho de campo, foi ficando evidenciado que independente da sociedade e cultura em que se vive, os indivíduos, igualmente provocados, vão reagir movendo os mesmos músculos da face e cita que, inacreditavelmente, um rosto pode produzir mais de dez mil expressões.

Pesquisas realizadas por vários anos e diferentes pesquisadores, além de Ekman, confirmaram a existência de 7 emoções básicas que possuem expressões faciais universais. São elas: alegria, tristeza, raiva, aversão, surpresa, medo e desprezo. Vivenciando essas emoções nosso corpo, sobretudo nossa face sinaliza para os outros se estamos levemente ou profundamente deprimidos irritados ou furiosos, se abrimos um sorriso apenas educado ou acolhedor.

As emoções são o que motivam as decisões importantes que tomamos e determinam a qualidade dos momentos que vivemos. A leitura deixa enfático que organizamos nossas vidas para maximizar a experiência de emoções positivas e minimizar a experiência de emoções negativas. Nem sempre conseguimos, mas é isso que tentamos fazer o tempo todo.

Sinais de emoção surgem e são perceptíveis quase instantaneamente quando uma emoção começa. Quando estamos tristes, por exemplo, nossas vozes ficam automaticamente mais suaves e baixas, e os cantos de nossas sobrancelhas são puxados para cima. A pesquisa mostrou que os sinais vocais de emoção são, assim como os do rosto, sinais universais. Na tristeza há grande perda do tônus ​​muscular, a postura cai, sem ação. No desprezo há um impulso de evitar o objeto desprezado, na surpresa e no assombro há atenção fixa no objeto que causa a emoção.  

Notadamente algumas pessoas são muito mais emotivas que outras e por incrível que possa parecer a pesquisa revela que não nos emocionamos de modo perceptível com tudo; não estamos nas garras da emoção que afeta os músculos da face o tempo todo. Também vivemos momentos de relaxamento total!

Adentrando a transversalidade do tema, um estudo recente rejeita o uso de injeções de toxina botulínica, o famoso botox, utilizado para diminuir os sinais de envelhecimento na face, porque deixa o rosto rígido e promove a paralisia temporária dos músculos, impedindo que a emoção cause transformação facial perceptível.

PAUL EKMAN é professor de psicologia no departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Especialista em expressão, fisiologia da emoção e engano interpessoal. Autor premiado, ele recebeu o Prêmio de Contribuição Científica Distinta da Associação Americana de Psicologia.

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