Coisas que devemos deixar para trás

Final do ano sempre foi um período de reflexão sobre o que vivemos, onde avançamos, nos decepcionamos, o que aprendemos e sobretudo sobre o peso que não devemos carregar para o ano seguinte. Vivo um momento de emoções coletivas, portanto, minhas alegrias e preocupações são as mesmas de milhares de brasileiros; quero um Brasil melhor, exalando humanidade nas ações do governo, preocupado com a fome, com a intolerância, com a violência política.

Assim como milhares de brasileiros tenho me preocupado com o estado da democracia do Brasil e o risco de um retorno aos dias sombrios do regime militar, que já vivenciamos. Embora com solavancos, sem dúvida, até agora a democracia brasileira tem resistido bravamente e resiliente, apesar do clima político tensionado, que se inaugurou desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro, que tem procurado abertamente causar danos à democracia, contudo, até agora não conseguiu infligir danos irreparáveis, até porque o Supremo Tribunal Federal, vigilante, tem tentado suprir as falhas mais flagrantes do próprio governo.

O presidente atacou veementemente às instituições democráticas, com ataques contínuos dirigidos ao judiciário e até pedidos para fechar o congresso. A relação de Bolsonaro com o STF é conturbada desde o início do governo. Certa vez, durante uma reunião de gabinete o presidente declarou que queria enviar tropas para fechar o STF, disse que não estava blefando e estava pronto para tomar medidas radicais se os ministros dificultassem sua vida, mas foi convencido a se conter do arroubo ditatorial por assessores próximos. Abandonemos esse tempo de desrespeito às instituições!

A imprensa tem sido outro alvo de críticas nos quatro anos do governo e acusada de fazer campanha contra o Brasil. Diante do ataque presidencial, os donos dos principais veículos da grande mídia e as três associações nacionais do setor, lançaram um manifesto reafirmando o compromisso com o Estado de Direito e as decisões soberanas das eleições, coordenadas por “uma Justiça Eleitoral cuja atuação tem sido reconhecida internacionalmente”. Até agora, Bolsonaro não conseguiu intimidar a mídia e o debate público no Brasil. Abandonemos a prática perversa de desacreditar a imprensa e constranger seus profissionais.

A saúde pública foi negligenciada antes, durante e depois da pandemia. No início do seu governo, o presidente encerrou o programa “Mais Médicos”, que supria a necessidade de atendimentos médicos nos municípios do interior do Brasil. Na Pandemia, ignorou estudos científicos, regrou orçamento e debochou de pessoas morrendo. Diminuiu gradativamente os investimentos no custeio do Sistema Único de Saúde (SUS), como resultado, hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) estão sucateados e com carência de profissionais qualificados e exames. Abandonemos o tempo obscuro de negligência com a saúde pública.

Com mais armas e munições do que nunca à disposição dos brasileiros, disseminação de notícias falsas e palavras de ordem que incitam o ódio, as memórias dos tempos duros do regime militar opressivo estão começando a desaparecer, fazendo surgir uma certa nostalgia da ditadura, levando pessoas para frente dos quartéis pedindo golpe militar.  O pior é que o retorno à ditadura é uma possibilidade real na mente de muitos brasileiros esclarecidos e da maioria, de alienados.  Vamos enterrar de vez os resquícios da ditadura militar e calar a voz dos ensandecidos que disseminam ódio e fazem apologia ao crime.  

É preciso calar a voz e muita reza para ‘desdemonizar’ o coração de pessoas como o militar, lotado no palácio do planalto que gravou um áudio incitando colegas a dar um tiro na cabeça de quem faz o “L”.

Aliás, essa ideia de matar opositor é alimentada pelo atual presidente desde os anos 1990, quando numa entrevista vociferou: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, no dia em que partir para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez. Matando uns 30 mil, começando pelo FHC (Fernando Henrique Cardoso, que era o presidente), não deixar ele pra fora não, matar. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente.”

Vamos deixar para trás o governante que promoveu tudo isso que citei acima.  

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