A CORRELAÇÃO ENTRE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E A SAÚDE MENTAL

A violência contra a mulher tem várias faces. Cada mulher é diferente e o impacto individual e cumulativo de cada ato de violência depende de muitos fatores complexos. Embora cada mulher sofra violência de forma única, há muitos efeitos comuns de viver com o estigma da violência e viver com medo. Antigamente as mulheres mantinham-se em silêncio sobre a violência, mas agora estão encorajadas a denunciar e procurar ajuda. A justiça de gênero, todavia, não pode ser estabelecida enquanto as estruturas misóginas não forem resolvidas.

Há um ano, os pesquisadores que participaram da Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde para debater as consequências da masculinidade sobre a saúde das mulheres, corroboraram a tese de que a violência contra a mulher tem alta correlação com transtornos mentais. Depressão, ansiedade, transtorno do sono, transtorno de estresse pós-traumático, ideação suicida e distúrbios mentais podem estar diretamente relacionados com relações abusivas e violentas contra as mulheres.

Enquanto foi diretora-executiva da ONU Mulheres, Michele Bachelet, médica, ex-presidente do Chile trabalhou focada em pesquisas e literaturas sobre a violência contra as mulheres por acreditar que essa violência é uma das violações mais frequentes dos direitos humanos, e, está enraizada no desequilíbrio de poder entre os gêneros, além de ser uma ameaça para a saúde das mulheres e dos seus filhos e sobretudo, um fator de risco para o desencadeamento de problemas de saúde mental das mulheres.

A violência é como uma pandemia silenciosa e não deixa nenhum país ou comunidade intocados. A violência é vivenciada por mulheres em casa, no local de trabalho, consultórios médicos e em espaços públicos, sem tréguas.

O livro ‘Violência contra as mulheres em todo o mundo’ e ‘Aspectos específicos da violência’, lido e adotado por Bachelet, examina o efeito da violência contra as mulheres na sua saúde em geral, na sua capacidade de trabalho, nas relações familiares e nas diversas formas de traumas e fornece provas substanciais da difusão da violência contra as mulheres em todo o mundo, destacando particularmente a desigualdade de gênero, como causa profunda da violência, que detona diretamente a saúde mental das mulheres.

A Organização Panamericana de Saúde, formalmente já reconhece a violência de gênero contra a mulher como um fator de adoecimento mental e desde então, várias perspectivas de estudos foram abertas, relacionando diretamente a violência praticada por parte do parceiro íntimo, do ex-parceiro, abuso sexual por parceiros do trabalho, situações de coerção, como causas de resultados fatais, como homicídios e suicídios. Fora essas tragédias, normalmente, a violência leva à vários transtornos de ansiedade, já citados e outros, como exaustão emocional, auto culpa, perda de humor e isolamento.

O livro, as pesquisas, são apelos a uma maior sensibilização na promoção de mudanças no sistema de tratamento de violência nas políticas de saúde mental.

Todavia, apesar das evidências, a maioria das políticas e programas de saúde mental não inclui voluntariamente a questão da violência como causa primeira para investigação, ainda.

Enquanto isso precisamos confrontar a masculinidade tóxica de quem é o vetor da violência contra as mulheres, porque são eles que espancam e matam.

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