A sociologia, quase sempre desconfia da felicidade humana

Começo escrever destacando o valor da reflexão, o processo de olhar para trás e aprender com o que fizemos, antes de seguir em frente. Dessa forma, podemos aplicar pequenos passos para a melhoria da caminhada. A felicidade é subjetiva, não objetiva, e o que definimos como sendo a felicidade pode ser debatido ‘ad infinitum’. A ansiedade, diante do nosso tempo conturbado, associada à nossa crescente compreensão da brevidade da vida, pode ser a principal razão pela qual aparentemente e incessantemente nos tornamos buscadores da felicidade.

A maioria dos livros de sociologia, sem dúvida, debate os tópicos tradicionais e inevitáveis ​​de “estratificação social”, “socialização”, “papéis”, ‘status’, ‘classe’, ‘racionalização’, só para mencionar alguns. Embora todos esses tópicos consagrados pelo tempo tenham mérito, relevância e potência sociológica, é raro que alguém considere a ‘felicidade’ como uma preocupação fundamental dos sociólogos. Na maioria dos índices de livros de sociologia, a felicidade quase nunca aparece.

Comecemos por considerar se a felicidade ou a busca da felicidade pode encontrar alguma justificação no discurso da sociologia e se a sociologia tem um vocabulário adequado para capturar experiências de felicidade. Considerando-se uma disciplina crítica, a sociologia, quase sempre desconfia da felicidade humana. De forma provocativa, posso sugerir que a sociologia de fato prospera com base no fato de que as pessoas, fatalmente ou no contexto social, devem ser de alguma forma, infelizes e se revezam em algum tipo de estado de infelicidade; ou seja, são reprimidos, alienados, oprimidos, sem liberdade, impotentes, miseráveis.

Nos últimos anos, a chamada ‘sociologia das emoções’ ganhou posição como uma preocupação promissora no campo da sociologia. Em vários autores, entre os quais, Zygmunt Bauman, encontramos referências relativamente frequentes a emoções como solidariedade, compaixão, amor, medo, liberdade e felicidade, dando início, gradualmente, a reflexão sobre a importância social das emoções, estudos que nunca foram proibidos, mas foram largamente ignorados em tempos anteriores.

Perguntado se a sociologia pode ajudar as pessoas e na verdade também os próprios sociólogos a alcançar a felicidade, Bauman respondeu que a felicidade não consiste em estar livre de problemas, mas em enfrentá-los, combatê-los e superá-los.

Sociólogos estão realmente preocupados em identificar as muitas enfermidades e males enfrentados pela sociedade contemporânea. O sociólogo americano, naturalizado canadense, Robert Stebbins sugeriu uma agenda para uma chamada “sociologia positiva” que, em vez de focar sobretudo no que parece estar errado na sociedade, mostra mais preocupação com o estudo sobre como as pessoas podem organizar suas vidas de modo que essas vidas se tornem substancialmente gratificantes, realizadas e felizes.

O sociólogo tem inúmeros trabalhos publicados, destacando que o lazer é o caminho para uma vida feliz.  O lazer pode ser casual, onde exercemos atividade prazerosa no tempo livre, como leitura, caminhar, conversar com amigos; lazer sério, que é a busca por uma atividade interessante, hobbies, atividades voluntárias, que valorizam a construção de um mundo social e o lazer baseado em realização de projeto, que pode ser evento que evidencia a criatividade e a habilidade para gerar a autorrealização, como eventos esportivos, festivais artísticos.

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