Falsos especialistas – efeito Dunning-Kruger

Antes de ter a chance de processar um acontecimento, já estamos nas redes sociais fazendo uma leitura superficial de todas as opiniões apressadas já publicadas, quer seja sobre a guerra na Ucrânia, vidas particulares de personalidades ou a “graça constitucional” concedida pelo presidente Bolsonaro ao deputado e aliado político.

Muitas vezes, me pergunto se devo me manifestar sobre determinado tema, para depois não sentir aquela pontada de arrependimento por não haver lido antes sobre o assunto, por ter sido superficial, irônica ou por não ter sido clara na minha posição. Li o post do ex-procurador da República, ex-senador e ex-governador Pedro Taques sobre a “graça constitucional” concedida pelo presidente. Pedro Taques é um dos maiores constitucionalista do país, quem sou eu para comentar abaixo? Aplaudi!

Interação quente simplesmente não vale a pena. Antes de comentar um tópico, não se auto censure, respire, analise se o comentário não criará problema ou controvérsia inútil promovida pelo momento de calor, além disso não abra mão de demonstrar empatia diante das dificuldades dos outros antes de clicar em postar o comentário.

A reflexão é sobre o que há por trás do motivo pelo qual nos sentimos compelidos a avaliar, opinar e a participar de quase tudo nos dias de hoje, sem esquecer, portanto, que somos criaturas sociais. Criaturas sociais, seres emocionais, impulsivos, opinativos que querem entrar em contato, querem fazer parte da tribo, se solidarizar, criticar e comungar com outras pessoas usando o maior megafone que já possuímos; as mídias sociais, que de ruim, apresenta o fato da falta de hierarquia, onde a opinião de todos é tratada da mesma forma.

Os psicólogos americanos David Alan Dunning e Justin Kruger, em estudo, que tornou célebre no ano de 1999, demonstraram que pessoas com baixa habilidade em uma tarefa tendem a superestimar suas competências, sobretudo, em público. O efeito Dunning-Kruger é o nome dado ao um fenômeno quando alguém sabe pouco sobre um assunto e já se julga especialista. Enquanto isso, os especialistas de fato reconhecem que o tema é muito mais complexo do que eles próprios supunham inicialmente. Essa é a tendência dos menos competentes ou versados em um assunto superestimar suas habilidades, creditarem a si títulos de especialistas e apresentarem resultado de suas próprias pesquisas.

Por exemplo, no momento presente, sobre a invasão da Rússia à Ucrânia, ler artigos dos especialistas militares, funcionários de relações exteriores, é muito útil para formar a opinião sobre a invasão e bombardeios que já duram dois meses. Ao contrário disso, a maioria das pessoas nas mídias sociais acredita que sua opinião é equivalente a de um estrategista militar. Isso perpetua o problema que leva os não especialistas a fornecer conselhos de “nível especializado”.

Em vez de correr para postar, corra para ler e entender que o fato da Ucrânia contar com apoio da ONU, OTAN, União Europeia, dezenas de países importantes como Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, França, Canadá não significa o fim da guerra. A ONU acusa a Rússia de crimes de guerra e a Rússia segue acirrando tensões, cometendo crimes e causando grande impacto na geopolítica da região, diante da alegação dúbia de muitos líderes de governos de que é preciso evitar um confronto militar direto com a Rússia. 

Aprecio debates e conversas saudáveis com as pessoas on-line ou presencial sobre tópicos diversos e não acho que a internet seja um ambiente “terra de ninguém”, onde as discussões possam prosperar, sem responsabilidade.

Tenho milhares de dúvidas, procuro novas fontes ou amigos que tenham um ponto de vista mais especializado sobre o assunto que quero comentar, aproveito para aprender, formar minhas próprias opiniões e munida com informações corretas, posto, sempre.

Excesso e moderação

Os autores clássicos concordavam com a importância da moderação mas também deixavam claro que não é uma virtude fácil. Tácito a chamou de “a mais difícil lição de sabedoria”, Horácio ligava a moderação a todas as coisas boas mas difíceis de alcançar na prática. Platão destacou tanto a importância quanto a dificuldade da moderação em A República, onde a definiu como a virtude que nos permite temperar nossas paixões, emoções e desejos. Aristóteles na Ética a Nicômaco, definiu a moderação como um meio-termo entre extremos, uma virtude que “um mestre de qualquer arte está sempre buscando”. É uma virtude desafiadora.

A moderação como temperança também ocupa um lugar-chave na tradição cristã, na qual é considerada, juntamente com a prudência, uma virtude cardeal. O teólogo cristão São Tomás de Aquino, argumentava que a moderação não é incompatível com fortaleza, coragem e sabedoria. Ninguém pode ser sábio e corajoso sem ser, ao mesmo tempo, moderado.

Na visão comum, a moderação é comparada à indecisão, fraqueza, oportunismo e covardia. Aos olhos de quem defende essa interpretação, a moderação aparece como uma virtude branda, incoerente e indesejável, o oposto da firmeza e clareza de propósito. “A moderação se vê como bela”, disse Friedrich Nietzsche, “apenas porque não sabe que aos olhos do imoderado ela parece negra e sóbria e, consequentemente, feia”.

O tempo recente nos apresenta a hipermodernidade, como uma cultura paradoxal, que combina o excesso e a moderação, o tempo acelerado, a vida em regime de urgências, os horários estão cheios e a vida tem que ir além do mundo do trabalho, precisamos de divertimento, lazer, alimentar o espírito. Surgem aí as construções mais personalizadas dos usos do tempo: uma necessidade de melhor organização individual da vida.

Em Os Tempos Hipermodernos, Gilles Lipovetsky, filósofo francês, teórico da hipermodernidade, elege temas como individualismo, o exagero, a ética, moda como as  características de uma sociedade de consumo estabelecida sob o signo do excesso, um frenesi de mudança, insegurança em relação ao futuro, com a proliferação de estudos, mestrados, doutorados, pesquisas e desenvolvimentos de medicamentos e terapias para garantir que a sociedade hipermoderna tenha um futuro conciliador. A despeito de comportamentos excessivos, há o outro lado das pessoas, investindo na vida saudável e na paz interior. Logo, se de um lado há o excesso, o consumo exagerado, a correria, a competitividade, de outro há a recomposição de certa ordem no comportamento, esse paradoxo, essas normas contraditórias são características marcantes da hipermodernidade.

Lipovetsky analisa a procura atual pela leveza na vida, sem no entanto dispensar a obsessão pela performance profissional e pelo reconhecimento social e incrivelmente prova que estes paradoxos se sustentam. Apesar de toda atribulação, de estarmos sempre à beira de um furacão, estamos, ao mesmo tempo criando sistemas para tornar a vida mais leve, investindo em instâncias de leveza, tanto no mundo digital, no divertimento, no lazer, na espiritualidade.

Por isso o sucesso do budismo, da ioga, das práticas esportivas, das atividades artísticas. A medida que a pressão da vida privada fica mais difícil, as pessoas vão buscar cada vez mais meios de aliviar o peso de sua vida com atividades psicoespirituais que funcionam como uma espécie de remédio. Isso vai continuar porque não há alternativa. A novidade do mundo hipermoderno é justamente essa busca pela moderação, porque sabemos que amanhã haverá ainda mais competição, mais peso e aí, serão consumidos mais antidepressivos e espiritualidade.

Se nossos excessos se dão por medo, como de perdermos o emprego, de nos tornarmos irrelevantes, de deixarmos como herança aos nossos filhos uma vida precária, é praticamente inevitável que respiremos essa atmosfera de desassossego, ansiedade e confusão por muito tempo, a menos que aprendamos a ajustar as velas do navio para o modo moderação, para evitar que ele naufrague em tempos de excesso.

Reconfiguração das forças políticas

Deputadas e deputados federais ou estaduais que pretendiam trocar de partido antes das eleições 2022 tiveram 30 dias para fazê-lo sem perder o mandato por infidelidade partidária. Chama-se a esse “arranjo” de janela partidária, que terminou no dia 1º de abril passado, entre desconfortos e construção de novos projetos. Essa regra está prevista em lei e o entendimento é que o mandato dos parlamentares (deputados e vereadores) pertence aos partidos e não aos candidatos eleitos. Toda essa reviravolta partidária que ocorreu na última semana mostra a complexidade do sistema eleitoral brasileiro, da qual os parlamentares têm se aproveitado para se reacomodar no sistema.

Do ponto de vista político, os parlamentares devem mudar de partido quando  perceberem que seus pontos de vistas não mais estão alinhados com a linha de conduta adotada pelo partido ao qual estão filiados, porém, n prática, a decisão e os critérios da mudança de partido tem muito mais a ver com a possibilidade de se aumentar as chances de se eleger ou para juntar-se interessadamente ao grupo dos líderes nacionais que apoiam. Essa contextualização justifica o reposicionamento de muitos parlamentares federais e estaduais que migraram para o PL, partido do Presidente da República, que da noite para o dia se tornou a maior bancada da Câmara Federal no momento, saltou de 33 para 78 deputados.

De muito bom, houve a significativa diminuição no número de partidos que disputarão as eleições em outubro próximo. Na última eleição geral de 2018, 30 partidos elegeram representantes, com as fusões e trocas de legendes, o número de partidos caiu para 23.  

Praticamente nada na política é constante, as mudanças de partido ocorrem antes mesmo da abertura da janela partidária, principalmente nos casos de fusão de partidos e registro de novos partidos, o que não implica em perda de mandato para quem migra. Não é um troca-troca fechado em si mesmo, segundo o cientista político João Beato a troca de partido no ano eleitoral permite uma reconfiguração das forças políticas no cenário das eleições, sem que partidos ou mandatários sejam prejudicados, por outro lado, uma mudança de partido ocorrida em decisão solitária, pode influenciar negativamente o eleitor, colocando o candidato em risco de perder, sobretudo projetos de reeleição, se a mudança não for discutida com os apoiadores políticos.

Os dirigentes partidários do estado atravessaram meses em conversas públicas e de bastidores para a construção de candidaturas fortes, de puxadores de votos para eleger uma boa bancada na Assembleia Legislativa e pelo menos um deputado federal, o que muda radicalmente a configuração do partido em termo nacional e é responsabilidade de todos os dirigentes ajudar a cumprir a cláusula de desempenho, que fixa número de deputados federais eleitos para que os partidos possam ter acesso e quanto receberão do fundo eleitoral partidário.

No estado tenta-se construir, até o momento, sem sucesso, um grupo de oposição para disputar contra o governador Mauro Mendes, que com o caixa equilibrado segue para uma agenda recheada de lançamentos e inaugurações de obras. Dos 24 parlamentares estaduais, 11 mudaram de partido, aproveitando a janela partidária: Allan Kardec, que concorre a deputado federal, Sebastião Rezende, Xuxu Dal Molin, Dr. Gimenez, Wilson Santos, João Batista, Faissal, Elizeu, Claudinei, Cattani e Ulysses.

Uma das principais discussões no país neste momento trata da nova tentativa de construir uma terceira via como alternativa à polarização entre Bolsonaro e Lula. Há tempo porque nenhuma construção em andamento traz somente elementos novos. Há composições com políticos que vem de eleições bem sucedidas para governo e senado, outros não foram bem sucedidos, mas o nome ficou massificado. E a eleição é a soma de todos esses contrastes e arranjos.

A cegueira do conhecimento

Se existe profundidade é preciso que ela suba à superfície. Porque hoje a superficialidade se impõe à profundidade”, diz o filósofo alemão Peter Sloterdijk, para quem a vida atual não convida a pensar. Precisamos nos renovar sem nos fechar nos modismos.

A humanidade é una e diversa porém, estamos nos mostrando adaptados para agradar, para receber elogios, estamos lendo o que se comenta nos grupos porque pesquisar tem sido até certo ponto, um exercício doloroso de resgate de uma vida, que tornou-se esvaziada pela pressa e pela superficialidade a que estamos submetidos nas práticas diárias. Dos baques sofridos não temos aprendido quase nada. Tomados pela vaidade, deixamos para trás o frescor dos fins de tarde e nos trancamos vencidos pelo cansaço de um dia vivido em colisões frontais por espaço político, para manter uma posição, para manter o relacionamento corroído pela aspereza. Enfim, temos sido aprisionados pela rotina, condicionados à incerteza, a falta de contextualização, de ponderação. Não estamos aproveitando a passagem do tempo a nosso favor.

O sociólogo francês Edgar Morin, numa entrevista disse: “Não ensinamos a compreensão do outro, que é fundamental aos nossos dias, não ensinamos a incerteza, o que é o ser humano, como se nossa identidade humana não fosse de nenhum interesse. As coisas mais importantes a saber não se ensinam”.

Morin, que não se cansa de debater a relação entre a razão e a emoção no pensamento complexo, estamos perdidos, irremediavelmente perdidos. Estamos perdidos e falhamos porque nem todos tem uma casa, um lar, falhamos na proteção do nosso planeta, falhamos porque não fomos capazes de viver integrados o homem e a natureza. A natureza humana está perdida.

Segundo Morin, estamos perdidos e essa pode ser a nossa salvação, se explorarmos as brechas, as frestas por onde entram o ar fresco das metamorfoses que proporcionam as mudanças.

Como disse o poeta T.S.Elliot: “no meu fim, está o meu começo”. Quando um sistema se desintegra dá lugar a um outro. Devemos reformar nossas vidas, abandonar o ciclo artificial onde os valores são reduzidos na ostentação de roupas, cargos, comida, jóias e carros. Para restaurar a natureza do humano é preciso bem mais. É preciso crer na autonomia, conservar a unidade, respeitando a diversidade humana, acreditar que pensar é iluminar caminhos, é validar projetos humanizados, é escolher o melhor, é conhecer os riscos seguir seguro rumo aos desafios.

As necessidades e potencialidades deveriam nos levar a um placar de empate, no entanto, temos negligenciado nossos valores interiores. Não lemos porque tememos não compreender, não estendemos a mão, porque tememos ser tocados, não ouvimos o outro, porque colocamos nossas verdades acima de tudo. Sinceramente?

Se um dia nos fizeram simples, nos afastamos dessa natureza e resgatá-la é o serviço de emergência que vai nos devolver os movimentos vitais. O bem-estar não é apenas material. Devemos mergulhar em nossa profundidade e dedicar tempo às amizades, leituras, pensamento crítico, tolerância e respeito; coisas e sentimentos que habitam o lado profundo da vida e, tão somente, apenas esporadicamente tem emergido à superfície para serem pinçados aqui e ali para nos mostrar que há um mal-estar quando se vive acomodado na superfície, seguindo a moda, o grupo, sem acrescentar contribuição alguma porque você se fez sombra.

Edgar Morin estudou a superficialidade da sociedade contemporânea, o mal-estar de vivermos desapegados da boa educação e da cultura transformadora. Críticas que chamou à atenção da Unesco, que convidou o sociólogo para sistematizar um conjunto de reflexões sobre a cegueira do conhecimento.

Comporte-se como em um banquete

 Em meio aos infinitos pensamentos que percorrem nossas mentes a todo momento perdemos de vista o que mais importa. Ou seja, estar verdadeiramente em sintonia com o presente, desconectar a tagarelice e cobranças incessantes que desarmonizam nossas mentes, sem considere primeiro, o que nossa própria natureza é capaz de suportar.

Quando nos deparamos com turbulências em nossas vidas, desejamos ter um manual para nos guiar, palavra por palavra. Isso é exatamente o que é o Encheirídion ou Manual de Epicteto, um manual para a vida, escrito com apaixonada sensibilidade no século II, por Epicteto. Há 1800 anos, as palavras filosóficas de um escravo pobre e com deficiência física chamado Epicteto foram escritas pela primeira vez. Epicteto nasceu como escravo em 55 EC na atual Turquia. Continuou escravizado na casa de um secretário do imperador romano Nero.

“Das coisas existentes, algumas coisas estão sob nosso encargo e outras não. As coisas sob nosso controle são opinião, busca, desejo, repulsa e, em uma palavra, quaisquer que sejam nossas próprias ações. As coisas que não estão sob nosso controle são o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos e, em uma palavra, tudo o quanto não seja ação nossa”. A citação resume o que é a dicotomia de controle,  a compreensão do que está e do que não está sob nosso controle, um ensinamento filosófico para nortear a vida.

O Manual de Epicteto ensina que não são as coisas em si que perturbam as pessoas, mas os julgamentos que pesam sobre elas. O Manual exalta a liberdade que há no exercício daquilo que está sob nosso controle. Intenções e julgamentos são lindamente livres e irrestritos, por isso devemos colocar nossos esforços nos espaços abertos sobre o quais temos controle e muitas vezes não conseguimos, por falta de tempo e habilidade resolver assuntos que são encargos nossos e ainda, tendemos a nos meter sobre a maioria das coisas que não são da nossa conta. Bastaria que cada um cumprisse bem a sua função.

Uma vida de realização e felicidade é estabelecer domínio sobre as coisas que podemos controlar. “Se você depositar suas esperanças em coisas fora de seu controle, tomando para si coisas que pertencem legitimamente a outros, você estará sujeito a tropeçar, cair, sofrer e culpar deuses e homens. Mas se você focalizar sua atenção apenas no que é verdadeiramente seu interesse, e deixar para os outros o que lhes diz respeito, então você estará no comando de sua vida interior. Ninguém poderá prejudicá-lo ou impedi-lo.” — Epicteto.

O Encheirídion é um manual  cujo ponto central é a lição que embora não possamos controlar tudo o tempo todo, sempre podemos ter um controle firme sobre nossas emoções, não apenas inclui esta lição, mas aplica esse conceito de controle a assuntos mais banais, como aprender a lidar com insultos e com a opinião das pessoas sobre nós. Um ensinamento é que na vida devemos nos comportar como em um banquete; Se um prato que está sendo servido chega até você, estenda a mão, toma a sua parte disciplinadamente. A bandeija não passou por você, não a persiga. Ainda não chegou? Não se desespere de desejo, mas espera que o prato venha até você.

Lido apressadamente e fora do contexto, trechos do livro Enchiridion pode parecer uma referência vaga a nos isolarmos dentro das nossas bolhas, nos entregarmos as limitações da nossa zona de conforto. Não estão na sua bolha e na zona de conforto, suas palavras ofensivas e suas decisões mais destrutivas? Não carregas por onde andas o apego, a aspereza e o vazio desconcertante?

Epicteto completa: “Se você deseja ter paz e contentamento, libere seu apego a todas as coisas fora de seu controle. Este é o caminho da liberdade e da felicidade.”

Podemos tentar melhorar as habilidades sociais e podemos tentar despertar julgamentos e desejos que nos torne mais queridos e respeitados, mas, isso não está sob nosso controle direto. Partes do meu caráter dependem de mim, eu sou a causa das partes indesejáveis contidas nele. Este é um ponto sutil, eu sou responsável pelo meu caráter, não posso colocar a responsabilidade por quem sou nos outros ou em circunstâncias passadas. Portanto, sempre que somos impedidos, perturbados ou angustiados, nunca devemos culpar ninguém, mas apenas a nós mesmos.

É ato de uma pessoa mal educada jogar a culpa nos outros quando as coisas vão mal; aquele que deu o primeiro passo para se educar lança a culpa em si mesmo; enquanto aquele que é totalmente educado não lança culpa nem a outro nem a si mesmo.

Uma fração das histórias de guerras

A enviada especial da Agência das Nações Unidas para Refugiados, Angelina Jolie, visitou dias atrás o Iêmen em uma tentativa de chamar a atenção para as consequências catastróficas do conflito que dura sete anos. Em conversas com famílias iemenitas, incluindo famílias deslocadas e refugiados, Jolie ouviu sobre suas perdas e como o conflito destruiu suas vidas. São pessoas que estão vivendo em abrigos, o conflito fez com que perdessem suas casas, entes queridos, os meios de subsistência e arruinou o futuro de seus filhos.

Jolie é a enviada especial para refugiados desde 2011. O trabalho da atriz tem sido dar voz aos refugiados e em audiência com autoridades locais, pediu que todas as partes envolvidas na guerra evitem atingir civis e garantam acesso humanitário desimpedido a todas as pessoas necessitadas e passagem segura para civis para fugir de áreas de conflito. Com autoridade de quem fala pela ONU, o apelo da atriz pode resultar em demonstração de compaixão e solidariedade internacional.

Viver em um campo de refugiados impacta a vida das pessoas, dificulta muito a vida das mulheres e crianças, que são a maioria da população deslocada. Jolie passou o dia internacional da Mulher entre os refugiados e desabafou ao deixar o país, três dias depois dizendo: “o nível de sofrimento humano aqui é inimaginável. A cada dia que o conflito brutal do Iêmen continua, mais e mais vidas inocentes são perdidas e mais pessoas continuarão a sofrer. Vivemos em um mundo onde o sofrimento e o horror dominam as manchetes, que precisa urgentemente de uma solução rápida e pacífica para este conflito e para outras pessoas deslocadas, quem e onde quer que estejam no mundo.”

Em todo o mundo, o número de pessoas deslocadas, a maioria devido à guerra, atingiu um recorde. Em outras palavras, as mortes em batalha podem ter diminuído, mas o sofrimento devido ao conflito não. São mais de 80 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo, A guerra da Síria causou mais de 11 milhões de casos de migração forçada, dos quais 5,6 milhões de sírios são hoje considerados refugiados. A República Democrática do Congo tem o maior número de pessoas deslocadas no continente africano, com quase 6 milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas por causa dos vários conflitos  e cerca de 4 milhões de pessoas podem fugir da Ucrânia.

As mortes em combate é uma fração da história das guerras. Não se dimensiona o horror de uma guerra pelo número de mortes que ela causa. Há conflitos que matam principalmente mulheres e crianças pequenas, devido à fome e doenças evitáveis​, há combates que não acarretam milhares de mortes, mas afastam milhões de pessoas de suas casas e o êxodo de refugiados causa devastação humanitária, com crianças desnutridas morrendo de fome e sede.

Uma entidade que monitora conflitos em todo o mundo elaborou no começo deste ano uma lista de dez conflitos internacionais que precisam receber atenção internacional. Entre os listados, estão Iêmen, Etiópia, Sudão e Mianmar, Ucrânia, etc… A `Crisis Group` colocou a Ucrânia no topo da lista, por entender que há riscos específicos na Ucrânia que fazem desse conflito uma ameaça à segurança global, mesmo que os números de mortos e pessoas em grave situação humanitária sejam menores do que em outras partes do mundo, que é a possibilidade (não assumida pelas autoridades) de ataques nucleares.

Com quase vinte anos de progresso nos campos econômicos e sociais, a Ucrânia pode ter um terço da população vivendo abaixo da linha da pobreza e 62% poderão cair na pobreza, segundo dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A população fragilizada pela guerra poderá viver traumatizada pela queda alarmante do padrão de vida pós guerra. 

A luta feminina por justiça, igualdade e respeito

O Presidente Jair Bolsonaro diz que as mulheres hoje estão ´praticamente´ integradas à sociedade, em evento comemorativo ao Dia Internacional das Mulheres. Bolsonaro tem uma filha, concebida numa ´fraquejada`.

Para o Presidente Bolsonaro a resposta vem de um trecho do discurso da deputada constitutinte em 1934, Carlota Pereira de Queirós: “Sou a única representante feminina nesta Assembleia e sou, como todos que aqui se encontram, uma brasileira,´ integrada´ nos destinos do seu país e identificada para sempre com seus problemas.”

O procurador-geral da República, Augusto Aras homenageou as mulheres limitando-as a seres cujos prazeres são escolher sapatos e esmaltes. Aras tem uma filha. Ao Aras não respondo porque não encontrei estudos ou textos que tratem concomitantemente de sapatos e esmaltes.

Em Mato Grosso, dois presidentes de Câmaras Municipais deram show de arrogância e violência política contra mulheres. O presidente da Câmara de Indiavaí impediu a realização de uma Sessão Solene para homenagear mulheres, requerida pela vereadora Rhillary Milleide, uma jovem de apenas 21 anos.

A vereadora não se calou, expôs o ocorrido e recebeu apoio do estado inteiro. Bem próximo dalí, na mesma região do estado de MT, no município de Araputanga, a vereadora mais votada do município, Sandra Ferreira, passou por constrangimento igual. O presidente da Câmara negou-lhe a instalação da Sessão para homenagear mulheres da cidade. Mulheres que tiveram suas prerrogativas cerceadas pela truculência masculina dos colegas.

Não são falas e atitudes ao acaso. Convenhamos, a forma como nos  expressamos, revela nossas crenças, verdades que contruímos ao largo da nossa jornada, verdades íntimas, por isso preocupa os fatos e falas que permearam as comemorações do Dia Internacional das Mulheres, logo após a indesculpável fala sexista e agressiva do tosco deputado Arthur do Val sobre as mulheres ucranianas.

Se você pessoalmente não sente nenhuma discriminação, se todos os homens ao seu redor lhe tratam como igual, dando-lhe oportunidade de boa posição, salário igual dos homens, se não a interrompem quando está falando, se não reparam enviezados o vestido justo, o decote, parabéns!  Mas o Dia Internacional da Mulher  não é sobre você individualmente, é sobre mulheres de todos os lugares, que sofrem violências em suas formas múltiplas.

É uma data que desde a sua concepção, em 1910 carrega em si o ideal pelo protagonismo feminino, quando a feminista alemã Clara Zetkin propôs a ideia do Dia Internacional das Mulheres para mais de 100 mulheres trabalhadoras representantes de 17 países, em uma Assembleia realizada na Dinamarca, ela propôs um dia para as mulheres pressionarem o poder público, privado, a sociedade, em geral por suas demandas. A conferência aprovou por unanimidade a proposta mas a ONU institucionalizou a data somente em 1975.

Vês? a luta é antiga e desde o início foi forjada para ser de cobranças de demandas, de alerta e prontidão para denunciar e avançar. E sem desconsiderar qualquer avanço, que claro, são imensuráveis e bem vindos, é preciso manter a militância sim, é preciso cotas para as candidatas mulheres ingressarem na política. O aumento da presença de mulheres eleitas se deve principalmente à adoção de cotas eleitorais de gênero.

Os ataques contra as mulheres políticas geralmente se intensificam e tornam-se mais visíveis à medida que o período eleitoral se aproxima. Então, o momento é de vigilância e solidariedade, é momento de apontar as injustiças, cobrar reparações e admitir que ainda serão necessárias muitas intervenções para que genuinamente se torne possível criar um ambiente de diálogo e respeito entre homens e mulheres.

Isso não é literatura, é bruxaria

  • Eu antes era uma mulher que sabia distinguir as coisas quando as via. Mas agora cometi o erro grave de pensar.

A literatura é uma das mais importantes fontes de estudo que nos leva a compreensão de um determinado momento histórico, a literatura nos auxilia a resgatar a história da mulher e esclarecer a condição feminina na sociedade numa determinada época e seus reflexos nos anos futuros.

Neste mês de março, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, considero um momento propício para homenagear uma muher ucraniana, naturalizada brasileira, “uma feiticeira glamourosa, um nervoso fantasma que assombra a literatura brasileira.” Clarice Lispector nasceu em 1920 numa família judia na pequena cidade de Podolia, oeste da Ucrânia. Durante a guerra civil que se seguiu à Revolução Bolchevique, seu avô foi assassinado, a casa de sua família destruída e, pouco depois, sua mãe, já com dois filhos pequenos, foi violentada por soldados russos e infectada com sífilis. A família Lispector juntou-se aos refugiados que cruzavam a fronteira tentando fuga para outro continente.

Vieram para o Brasil. Desembarcaram no estado de Alagoas em 1922. O pai, um professor de matemática foi reduzido a vendedor ambulante de roupas usadas. Aos nove anos, Clarice perdeu a mãe e o pai proclamou que estava determinado a mostrar ao mundo o tipo de filhas que ele tinha. Estudou, formou-se em Direito e antes dos 20 anos, perdeu o pai. Aos 23 anos publicou seu primeiro romance, registrou-se como jornalista e começou a escrever para jornais.

Tudo em Clarice Lispector parecia magnético: sua beleza, a fama precoce, o status de ícone na literatura brasileira, suas paixões e máscaras, as explosões inevitáveis e sua trágica história familiar. Em 2016 ganhei o livro “Todos os Contos”, um grosso volume de 654 páginas, onde pude perceber uma mulher de contradições assustadoras, o retrato complexo da escritora e a dor de cabeça de estar muito à frente de seu tempo. A escritora é livre das amarras sociais, mas mergulha no desassossego da falta de sentido de quase tudo e parece concluir que a vida incomoda e que a sua alma não cabe no seu corpo.

 A leitura é viciante, como alertou certa vez um amigo da escritora: “Cuidado com Clarice, ela é uma experiência emocional muito forte. Isso não é literatura. É bruxaria”.

Certa época, surgiu comentário que Clarice era por muitos, tida como uma mulher alienada das questões sociais brasileiras. No entanto, em sua biografia lê-se que ela foi fichada no governo Dutra e depois novamente, durante a ditadura militar de 1964 por como jornalista, continuar dando espaço e entrevistando personagens marcadas como “comunistas” pelo regime. Quando escreveu “A hora das estrelas”, imprimiu um tom de denuncia à miséria e a falta de tudo no Nordete da época.

A personagem Macabéa, nordestina, tão sem nada, que nem corpo tinha para vender.  “Sei que há moças que vendem o corpo, única posse real, em troca de um bom jantar em vez de um sanduíche de mortadela. Mas a pessoa de quem falarei mal tem corpo para vender, ninguém a quer, ela é virgem e inócua, não faz falta a ninguém. Aliás – descubro eu agora – eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode lacrimejar piegas”.

Clarice vai emprestando aos personagens suas aflições e desabafos: “Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.” “E como nasci? Por um quase. Podia ser outra. Podia ser um homem. Felizmente nasci mulher. E vaidosa. Prefiro que saia um bom retrato meu no jornal do que os elogios. Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo!. Hão de me perguntar por que tomo conta do mundo: é que nasci assim, incumbida”.

“Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.”  Morreu em 1977, aos 56 anos.

*Clarice Lispector

Não sejamos guiados como ovelhas

2022 – ano de eleição e não há hora melhor para exercitarmos nossa liberdade debatendo temas políticos e outros temas que interferem nas boas práticas políticas. Estamos diante de um círculo eleitoral, que é um dos mais divididos que vimos na história recente do país, com um presidente altamente polarizado concorrendo à reeleição, uma pandemia viral que vem há mais de dois anos causando estragos em todo o país. Em tempo tão polarizado é tentador recuar, silenciar.  Mas ensina-nos o ex-presidente americano George Washington que: “Se a liberdade de expressão nos é retirada, então mudos e silenciosos, podemos ser guiados, como ovelhas para o matadouro.”

É preciso ter personalidade para dizer o que se pensa. E personalidade não é um dom, não tem nenhum caráter romântico ou naturalista. É sim, a soma do sentido da vida, dos valores desenvolvidos durante a trajetória, construídos com profunda e sincera humanidade. Pensar igual ou diferente, alinhar-se do mesmo lado ou em campo oposto, em qualquer área da vida diz muito sobre respeito à compreensão do homem que quer ganhar clareza sobre si, sobre seu tempo e seus contemporâneos.

O objetivo das discussões não é mudar a mente das pessoas e sim, fazer com que as pessoas aceitem os pontos de vista umas das outras de maneira civilizada. Se quero ser vista e ouvida, também tenho que ver e ouvir os outros. É assim que o verdadeiro diálogo começa. Se eu falar civilizadamente, provavelmente serei ouvida e receberei respostas civilizadas. Ouvir o que pensa o outro diz muito sobre ir modelando a vida, como se fosse uma obra de arte e não apenas defender nossas próprias crenças, sobre isso ensina-nos o ex-primeiro ministro Winston Churchill: “o conceito de liberdade de expressão de algumas pessoas é que elas são livres para dizer o que quiserem, mas se alguém disser algo em resposta, isso é uma ofensa.”

Há uma pesquisa produzida pelo Instituto Avon, em parceria com o Coletivo Papo de Homem, intitulada “Derrubando muros e construindo pontes: como conversar com quem pensa muito diferente de nós”, Em temas considerados delicados, como: gênero, a grande maioria afirma que o principal obstáculo é o tom agressivo e as frases prontas que permeiam essas conversas, as pessoas, em grau menor sentem-se com a sensação de contribuição para o debate, embora também reconheçam que o nem sempre é possível estabelecer um ambiente acolhedor para essas conversas.

Para qualquer lado que viremos a chave da discussão, esbarramos na polarização, nas fakes news e muitos seguem acreditando naquilo que lhes agradam e desacreditam por completo verdades ditas por pessoas com as quais não compartilham a ideologia política. Outras pessoas, quando percebem que a conversa está encaminhando-se para um ambiente de vigorosa discórdia, passam a concordar com a argumentação emocional do outro, para evitar a discussão.

O diálogo com quem pensa diferente deve ser fundamentalmente baseado no respeito, isso deveria bastar para que duas pessoas que jamais sentariam numa mesma mesa, tivessem um diálogo interessante. Mas, lamentavelmente, uma das conclusões da pesquisa é que 8 em cada 10 pessoas sequer tentam conversar com quem pensa diferente.

É certo que não estamos o tempo todo construindo pontes ou fechados entre muros, grande parte do tempo, estamos em trânsito, ouvindo, falando com as pessoas, inclusive com as que estão fechados entre muros, ampliando e moldando as bases das nossas crenças. É preciso ler muito, fortalecer os argumentos com fatos e filosofia, é preciso reconhecer e manter como elemento saudável, a contradição e as dúvidas. Estamos em constante fluxo, aprendemos e evoluímos todos os dias.

O número de Dunbar

Estudando a amplitude dos relacionamentos que conseguimos manter com os mais diversos tipos de pessoas, fiquei precupada em saber quantas dessas pessoas sou capaz de efetivamente amar, de nutrir algum tipo de sentimento como amizade, gratidão, lealdade, com quantas construo e compartilho uma história pessoal, com vínculos que valem a pena serem preservados. Penso que precisamos encontrar um equilíbrio entre a quantidade dos relacionamentos e o nível de intimidade que desenvolvemos com as pessoas envolvidas. É extremamente difícil chorar em um ombro virtual.

Por meio de estudos com primatas não humanos, o antropólogo britânico Robin Dunbar concluiu que o tamanho do neocórtex, parte do cérebro associada à cognição e à linguagem está vinculado ao tamanho de um grupo social coeso com o qual conseguimos nos relacionar. Em um estudo de 1993, Dunbar aplicou esse princípio aos seres humanos, examinando dados históricos, antropológicos e psicológicos contemporâneos e teorizou que os humanos não poderiam ter mais do que cerca de 150 relacionamentos significativos simultâneos, uma medida que ficou conhecida como número de Dunbar.

O número de Dunbar se aplica a relacionamentos de qualidade, amizades significativas não a conhecidos que representam as camadas externas mais casuais de nossas redes sociais. 150 é o número de pessoas com as quais mantemos uma relação com pouca ou nenhuma reserva, com uma história de vivências passadas em comum e algum nível de intimidade. Essas são as pessoas com as quais procuramos manter contato, em cujas trajetórias de vida temos um interesse maior. São pessoas com as quais recíprocamente trocaríamos ajuda.

Os indivíduos não dão peso igual a cada relacionamento e as evidências da hipótese do cérebro social sugerem que nosso círculo social mais fechado é formado por apenas cinco pessoas, que são os entes realmente queridos. Devemos acumular apenas 15 bons amigos, 50 amigos, 150 contatos significativos, 500 conhecidos e 1500 pessoas que você pode reconhecer de um evento ou outro. Dunbar diz que o que determina a camada de afeição na vida real é a frequência com que vemos as pessoas.

A maioria das relações são temporais e quando um novo amigo é feito, normalmente um antigo provavelmente será abandonado para equilibrar as relações. Quando as pessoas têm mais de 150 amigos, as relações excedentes geralmente são fugazes, pois o estudo considera que não é possível ter intimidade com número grande de pessoas. E, de acordo com ele, se um grupo exceder 150 pessoas, é improvável que o agrupamento dure muito tempo ou seja harmônico.

Há uma verdade implícita nos números de Dunbar que considero fazer muito sentido. Se nos dedicamos a construir relações sólidas, buscando informações sobre as pessoas, destinando-lhes tempo para mensagens e visitas, estes relacionamentos tornam-se melhores, mais significativos, por outro lado, isso provavelmente também limita o número de relacionamentos saudáveis e verdadeiros que conseguimos ter. Até mesmo na internet, é mais fácil ter relacionamentos mais sólidos quando temos menos contatos para dar atenção. E alguns relacionamentos deixamos morrer porque nos custa muita energia para mantê-los. No final, faz sentido que haja um número finito de amigos com os quais possamos compartilhar amorosamente nossa caminhada.

Evidentemente os números representam uma média e contextualidos o tempo, o alcançe incrível das mídias sociais, as contestações de alguns pesquisadores sem contra provas contundentes. A teoria de Dunbar tem quase 30 anos e  os jovens que nunca conheceram a vida sem internet, podem entender que as relações digitais são tão significativas quanto as presenciais.

*Robin Ian MacDonald Dunbar é um antropólogo e psicólogo evolucionista britânico, especialista em comportamento de primatas, é chefe do Grupo de Pesquisa em Neurociência Social e Evolutiva do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford.