como não ser um político

Lançado em 2023, o livro ‘How not to be a politician’ escrito por Rory Stewart, historiador e filósofo foi considerado pela grande mídia internacional e por proeminentes políticos, o melhor  e mais cativante livro da memória recente da política, com revelações fascinantes e outras horríveis.

A Rory Stewart sobra bons adjetivos, qualificação e experiência na política britânica e internacional. Ex-professor da prestigiosa Universidade de Oxford, com a vida dedicada ao serviço público, como diplomata que acumulou conhecimento sobre várias culturas políticas na Indonésia, Turquia, Afeganistão, viajou a pé pelo Afeganistão e Paquistão, serviu no Iraque, caiu nas graças dos políticos americanos e de Harvard, onde deu aulas sobre direitos humanos. Em 2010 largou tudo e iniciou uma carreira na política parlamentar, esteve vários anos no Parlamento britânico, foi seis vezes ministro de várias pastas e concorreu a Primeiro-Ministro, quando Theresa May renunciou, contra Boris Johnson, que foi o escolhido, mais pelos discursos inflamados do que pelos cabelos, sempre desalinhados. 

O ex-diplomata Rory Stewart entrou na política inglesa com a esperança de promover mudanças profundas e necessárias. Relata que testemunhou confusão, corrupção e fracassos nos programas de ajuda internacional do seu país e que achou muito complicado o processo de se tornar candidato, buscar o apoio de partido em vários níveis e montar uma campanha, dentro de padrões amarrados e não independentes. Venceu tranquilamente para o parlamento e aí sim, diz ter entrado de fato, num sistema definido por uma claustrofobia deprimente e sem cultura, onde poucas conversas eram sobre política e o tempo junto com outros parlamentares era absorvido em fofocas sobre a promoção de um colega ou o escândalo que envolvia outro.

Com discurso culto, citando Shakespeare e às vezes, frases em latim, o ex- diplomata acreditava que os discursos deveriam ser valorizados porque era um tempo reservado para explorar todos os lados de uma discussão, o que era vital para ampliar os valores da razão, tolerância e igualdade, que, em tese, deveriam sustentar a democracia, em vez disso, diz ter percebido que relatar suas experiências, argumentar com voz e preceitos moderados, afastar-se das alas radicais não levam efetivamente à vitória, porque a maioria dos políticos vivem numa redoma de vidro, ignoram gráficos que expõem a realidade e com muito esforço, compreendem apenas o elementar sobre mercados, pobreza, renda, educação e saúde. Relata que na política sentiu-se impotente diante do ambiente de desconfiança, inveja e ressentimento.

Mesmo frustrado, decidiu continuar no parlamento. Mais tarde, foi promovido a cargos ministeriais, onde diz ter convivido com colegas vaidosos e alguns cínicos, sem precisão alguma para tomar decisões. Foi crescendo em Rory a ideia de que quanto mais permanecia na política, mais estúpido e menos honrado se tornava. A leitura revela que a hipocrisia e a ignorância que permeiam o universo da política é uma advertência séria que pode frustrar os esforços de quem escolhe a política como vocação ou dos eleitores, que esperam muito dos políticos que elegem.

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