Grandezas e misérias da política

Manuel Azaña Díaz foi um dos políticos e oradores mais importantes na política espanhola do Século XX, doutor em Direito, um jornalista excepcional e escritor premiado. Foi deputado, ministro e presidente da Segunda República Espanhola, em 1936. Um crítico enérgico contra a ditadura, foi vigiado e caluniado por agentes do general Franco. Numa conferência histórica na cidade de Bilbao, proferiu um discurso intitulado ‘Grandezas e Misérias da Política’.

Encontrei informações sobre a preciosidade desse discurso, ao fazer uma busca de leituras interessantes para melhorar a argumentação em temas de política. O discurso, contextualizado em época e condição política, é uma corajosa declaração de apoio à mudança, quase um texto legislativo, argumentando hipóteses sobre como tornar a vida pública menos exposta às incertezas do sistema.

Com a profundidade, que lhe era peculiar, sobretudo por ter tido uma vida intelectual intensa, Azaña cobrou em discurso, a coerência entre o ideal político e os projetos de poder. Um político não deve ser apenas um líder ou um estadista, passando constantemente por processos de votação. São os políticos, verdadeiramente, pessoas que vivem sujeitos a ir da glória da superioridade à inferioridade do defeito. Grandezas e misérias marcam trajetória dos políticos e dos jogos políticos e ele, que prima pelas qualidades morais além do personagem do político, não crê que haja responsabilidade pública sem vocação ou inteligência.

Azaña foi publicamente contra os líderes privilegiados, amparados pela força dos grupos políticos, que estendiam proteção a elite política espanhola, defendeu a democracia, como incentivo à participação da população daquela época, nas decisões políticas. Um sistema político democrático, não pode ser sustentado em benefício de um grupo em detrimento de outro e deve ser estabelecido numa base coerente entre a política e a sociedade. Disse: “Sou um democrata e não sou apenas um republicano, sou um democrata porque acredito que é a única forma de tirar os políticos da posição privilegiada na qual estão deitados há séculos.”

Disse isso, com a propriedade de quem estabeleceu um espaço para ampliar as bases de um projeto republicano, já que criticava as formações de poder incapazes de reconhecer o talento do país e de seus filhos, para ficar, de forma menor, fazendo a vergonhosa política convertida em distribuição de cargos.

Promoveu grandes comícios por acreditar que a mobilização política era a base para a transformação da própria política, um eixo de mudança e modernização. Disse que a sua candidatura nunca foi capricho pessoal, nem honra a um grupo, nem uma transação de princípios abandonados, ele estava determinado a contribuir com a renovação da raiz até a folha da política. E a colaboração não era para o presente, mas para o futuro, para que fosse calmo, fecundo e glorioso para quem governa e para o povo.

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