Tudo e nada

Somente a mudança social pode ajudar a trazer a sociedade, ainda que  gradualmente para mais perto da política e isso provavelmente só acontecerá se essa mudança estiver de acordo com o espírito pré-existente da sociedade, cuja visão de realidade é, de certa forma, fragmentada e preferencialmente leva em consideração aquilo que pode trazer benefício imediato.

Não gosto de perceber na política mistura de ingenuidade e cinismo, isso me remete a característica marcante de um mundo incompreensível e em constante mudança onde as massas chegam ao ponto de acreditar, ao mesmo tempo, em tudo e em nada, pensando que tudo é possível e que nada é de verdade.

O que devemos fazer nesses casos de inconsistência?

Em nível relativo estamos nos esforçando para encontrar coerência porque certamente deve existir fundamentos lógicos que não descaracterizam nossas suposições e dentre estas; a de não conceder à política a fama de portar-se como uma realidade perigosa. Hannah Arendt abriu com uma declaração dramática um de seus ensaios mais famosos, “Verdade e Política: “A verdade e a política estão em desacordo umas com as outras, e ninguém, até onde eu sei, jamais contou a verdade como uma das virtudes políticas”.

Para Arendt, o antagonismo entre verdade e política está sempre latente no discurso público e mesmo meras opiniões podem ser estabelecidas como fatos e os políticos habilidosos podem explorar esses dispositivos de retórica para promover sua opinião e torná-la “verdade” compartilhada por um número cada vez maior de apoiadores.

A manipulação em massa de fatos e opiniões cria imagens e enquadramentos falsos e na era da internet, somos bombardeados com tamanha diversidade de pontos de vista ofensivos e estúpidos que é natural alternar entre o desejo de reagir violentamente e o impulso de se retirar de cena silenciosamente.

É fácil ridicularizar a opinião dos outros e flutuar nessa “vibe” de acreditar e negar tudo que seja conveniente politicamente. Mas isso é esquecer que o pensamento político exige que resistamos ao desejo de combater opiniões com violência e ao desejo de fugir completamente das opiniões. Em vez disso, precisamos aprender a pensar em e com os outros cujas opiniões frequentemente discordamos. Não é necessário nenhuma ética artificial ou enquadramento ideológico. Devemos reproduzir a verdade e encontrar na confusão de opiniões divergentes a alegria que existe na experiência da pluralidade.

Não seja apenas uma conexão virtual

Vivemos procurando formas mais inteligentes ou efetivas de nos comunicar com os outros seres humanos, porém, boa parte do nosso tempo vivemos em estado de negação. Negamos ser preconceituosos, negamos ser rancorosos, negamos o que dissemos e até o que fomos e somos. Na complexidade do mundo moderno, o indivíduo tem ficado impossibilitado de orientar suas decisões de maneira independente e em razão disso, encontra-se condenado a viver o mal-estar de negar suas próprias convicções, ora por necessidade social, ora por questões de alinhamento político ou porque habituou-se a viver em negação de seus próprios valores éticos e morais.

Como estratégia da civilidade social, ficamos em silêncio sobre coisas que sabemos profundamente, mas não sabemos se devemos dizer ou não. Assim, as vivências se tornam ilusórias e remotas. Toda nossa realidade é vivida para a mídia. O deslocamento físico e grande esforço não são mais necessários para se falar com grande público, o que me leva a crer que a excitação da mente acaba contrastando com a imobilidade dos corpos diante do computador para propagar uma verdade ou negá-la.

Contudo, creio que o indivíduo deve ser chamado para dentro das campanhas eleitorais, não apenas como uma conexão virtual, mas como um sujeito clássico, com personalidade para realçar o pensamento moderno, autonomia para expressar-se com relação aos temas complexos, sem medo de assumir  posicionamento contrário as ditaduras impostas pela moda, pelo costume ou pela história.

Nos momentos em que os políticos se mostram como políticos há uma profusão de vozes, tolerância e pluralidade de opiniões para ganhar sua atenção e voto. Corremos o risco de aceitarmos as inverdades dos outros. Desconfie do discurso político que favoreça a visão de um mundo desatrelado da verdade, da lealdade e da coerência. Em situação desesperadora na caça ao voto muitos desistem de preservar a fé e a integridade.

A negação contida nos discursos pode ser tão simples quanto recusar-se a aceitar que alguém está falando com sinceridade ou pode ser tão insondável quanto as múltiplas maneiras de evitarmos reconhecer os pontos fracos. A negação do que se é ou do que se pensa é furtiva, se esconde da verdade e constrói uma verdade nova e conveniente.

De certa forma, a negação das nossas crenças pode ser apenas uma maneira mundana de respondermos ao desafio incrivelmente difícil de viver em um mundo virtual, onde qualquer pessoa pode subir num palanque online e criar ambiente de negação da verdade, de discurso de ódio, ajudado pela tecnologia que tanto espiona quanto aprisiona.

 

Alguns são bons. Outros ruins. Nenhum é perfeito

A política não separa o individuo de tudo, não confina a pessoa em si própria, não fecha todos os horizontes, não proíbe buscar o frescor e reciclar as coligações. Não é regra política que as conversas sejam tão defensivas, cheias de metáforas, quando não há o silêncio desconfortável.

A política remete à ideia de democracia e esta pressupõe a participação do eleitor, de modo que, é praticamente impossível imaginar uma democracia sem voto, embora o voto seja um indicador insuficiente de democracia num sistema político.

Para garantir a efetividade nessas eleições, o voto consciente seria o voto de conceito, o voto dado numa ideia pontual, numa característica marcante, num projeto e discurso focados, cujos candidatos rebatam notícias falsas com fatos e números, candidatos que lêem e não apenas repassam dados aleatórios repassados por pseudos mentores intelectuais, para confundir a opinião pública.

É lamentável que grande parte dos eleitores vão para os locais de votação sem ter ideia clara em que projeto estão votando. De forma fragmentada, levam rabiscos dos números dos candidatos e guardam vagas promessas que ouviram nos programas eleitorais.

Portanto, sendo a política uma atividade exercida por seres tão diversos quanto contraditórios, alguns serão bons, outros ruins e nenhum é perfeito. Grande parte dos políticos tem ligações intrínsecas com a ganância, com a sublimação do foco em si mesmo, o que, de certa forma cria o ambiente favorável para a implantação de ações políticas predadoras.

Nas eleições de 1959, a população da cidade de São Paulo votou em massa num rinoceronte, chamado Cacareco para vereador. O momento era de insatisfação imensa com a classe política local e a popularidade do rinoceronte que viera por empréstimo para a inauguração do zoológico de São Paulo inspirou a manifestação de protesto dos eleitores. No final da apuração, Cacareco surpreendentemente recebeu quase 100 mil votos.

Em 1988 alguns jornalistas irreverentes e críticos da classe política do Rio de Janeiro, lançaram a candidatura do macaco chamado Tião, a prefeito da cidade. O Macaco Tião era muito conhecido por ser temperamental e nos rompantes de fúria, jogava restos de comida e fezes nos visitantes do zoológico. Obviamente a votação foi anulada, mas estima-se que Macaco Tião tenha recebido mais de 400 mil votos.

Alguns tipos populares surgiram depois e arrebanharam milhares de votos de eleitores igualmente decepcionados e confusos.

Pode ser que a expectativa da renovação não se cumpra nesse pleito, mas pode ser agora a hora de arejar os grupos políticos tradicionais

Capilaridade e estrutura

A análise de conjuntura política revela-se uma tarefa extremamente complexa, e intelectualmente desafiadora. A eleição é um evento que mexe com a emoção, com as expectativas e com as aspirações das pessoas. A eleição é antes de mais nada, um julgamento, onde segundo os próprios critérios e juízos de valores, os cidadãos fazem suas escolhas.

Se cada eleição nos ensina alguma coisa é que cada voto conta muito. Não podemos estar ocupados demais para participar do processo político ou simplesmente dizer que não nos sentimos atraídos por nenhum candidato.

Francisco Ferraz, professor de ciência política e ex-reitor da UFRGS afirma que interpretar os processos políticos, relacionando os eventos entre si e com a sociedade, é interpretar a história no exato momento em que ela está ocorrendo. Portanto, a análise de conjuntura é um empreendimento intelectual que supõe conhecimentos sólidos, de amplo espectro e dotados de consistência metodológica.

Tocqueville ao fazer análise da sociedade americana, aprofunda-se na observação dos hábitos políticos dos americanos, estuda os padrões sociais e culturais evidentes no cotidiano. Analisa como as características estruturais sociais, culturais e históricas determinaram a forma de democracia que lá se instituiu e o impacto da democracia política na vida familiar, na cultura, nos valores e na forma de viver dos americanos.

Estrutura, conjuntura e capilaridade política são expressões comumente utilizadas na linguagem da política, em todos os tipos de mídia e conversas entre candidatos e assessores. O entendimento dessas palavras, contudo, não é frequentemente assimilado, embora sejam termos técnicos da ciência política.

Na realidade, viabilidade e grana são os sinônimos mais diretos das palavras capilaridade e estrutura respectivamente, principalmente para enrolar candidatos e eleitores novos. Auxiliares apresentam-se para as campanhas reiterando a velha máxima que fazem política e campanhas por pura paixão, que está no sangue e nem buscam compensação financeira. Querem apenas “estrutura” para levar o nome do candidato. E aí está embutido do salário ao carro, combustível e contratação de parentes para atuarem como cabos eleitorais. Portanto, em linhas gerais, um termo completa ou contempla o outro. Quem tem capilaridade consegue apoio financeiro e quem tem boa estrutura financeira viabiliza a própria candidatura.

A capilaridade resvala na decolagem da candidatura, na tendência de subir e ocupar espaço. Nas plantas a capilaridade representa o modo como esses seres conseguem levar a água com os nutrientes necessários à sobrevivência, desde suas raízes até às folhas.

Não pense num elefante

George Lakoff, é professor de Ciência Cognitiva na Universidade da Califórnia em Berkeley e autor do livro “ Não pense em um elefante”, no qual ele relata o estudo sobre a propensão dos políticos em usar o discurso sucinto como forma de manipular o eleitor e como isso tornou-se uma estratégia valiosa na comunicação eleitoral. Palavras e mensagens curtas, corretamente passadas, são essenciais para ganhar apoio popular.

Ciência Cognitiva é uma ciência interdisciplinar, que lança mão dos recursos que podem contribuir para o estudo da mente, tais como; psicologia, linguística, ciência da computação e das neurociências. E o título do livro remete à questão de que é necessário transmitir uma mensagem e repetí-la várias vezes para que ela ganhe vida. E se você pede a alguém que não pense num elefante, a primeira coisa que vem à mente da pessoa, é um elefante.

O livro é sobre como entendemos as mensagens que recebemos, como aprendemos o que sabemos e como absorvemos as ideias novas que nos são apresentadas. Se um fato bate de encontro aos nossos valores, ele será aceito e, por outro lado, se a ideia for muito distante da realidade, a tendência é refutá-la, independentemente de ser verdade ou não.

Uma coisa que o autor menciona e reforça é que o enquadramento do sistema de crenças e de valores morais do candidato, ao passar a sua mensagem, é valioso e é reprovável o político que vende ideias nas quais sequer acredita apenas para obter benefício político ou econômico. Enfim, agir sempre sem deixar nenhum rastro nefasto é um bom exemplo, e a sensatez é uma virtude cada vez mais necessária e quando é acompanhada de lealdade e franqueza é melhor ainda.

O que vemos acontecendo hoje nos governos não sustenta a ficção de direita e esquerda e tampouco é possível para um só partido ou coligação representar o rigor econômico e a justiça social. Pode ser que no fim das contas, entraremos em um período de redistribuição ideológica e política, onde as ações e ideias afirmativas tenham sobrepeso às negações. Do ponto de vista político, é melhor afirmar uma posição e discurso do que viver a negar fatos e desmentir boatos.

Lakoff diz seguidas vezes que os eleitores não votam em seus próprios interesses, eles votam em seus valores e estes, são constantemente ignorados. Mas observe que, quando suas ideias não se encaixam na visão de mundo de determinado público, então eles não se dispõem a ouvi-lo.

Reforça ele dizendo que quando ouvimos mensagens que não se encaixam em nossa cosmovisão, simplesmente não conseguimos processá-las; então podemos ignorá-las ou contra-atacá-las, ou literalmente, nem ouvi-las.

O que Lakoff fez foi vincular a questão da crença política à ciência cognitiva, levando o entendimento de que a melhor maneira de sensibilizar a opinião política das pessoas é falando sobre valores, em vez de argumentos específicos sobre questões específicas, em explicações demoradas.

Grandes ideias ganham eleições. Estatísticas e detalhes esmiuçados, não.

Não é engraçado. É machismo. É misoginia

A educação está vinculada ao respeito às culturas e sabemos que nossa base de valores culturais são questionáveis e que trabalhar a educação vinculada a valores fundamentais tem sido um desafio nesse país que nunca priorizou políticas educacionais de qualidade.

As famílias fazem o que é possível para a formação do caráter dos filhos dessa pátria, grande parte, sem educação.

A atitude dos quatro brasileiros, semi-bárbaros na Rússia, em torno do lamentável caso de misoginia, mostra que avançamos pouco na educação dos nosso jovens. Falta civilidade.

Todos os envolvidos no episódio tiveram oportunidades de receber educação de nível superior e isso reforça os resquícios da falta de seriedade de um país que cria leis para proteger as mulheres, nunca, porém preocupou-se em educar seus filhos para tratar não somente as mulheres, com respeito e igualdade. Não podemos deixar de acreditar no papel da educação, mas tem sido desanimador.

Trato de comentar o caso, embora eu saiba que esses quatro idiotas não representam a maioria dos jovens brasileiros, todavia, não creio que seja um fato isolado.

Os “meninos” são conhecedores dos efeitos das mídias sociais de catapultar indivíduos ao estrelato da noite para o dia. E buscaram a fama. Só não contavam que a reação seria absolutamente contundente no sentido de expô-los ao ridículo e até levá-los a responder criminalmente pela “brincadeira”.

Não podemos minimizar e banalizar a cena grotesca em que homens cercam uma mulher, gritam palavras vulgares ao som de risadas e deboches. Expressou-se bem a atriz Leandra Leal ao escrever: “não é engraçado. É machismo. Misoginia”.

Pena que somente agora, depois da repercussão internacional e estrondosa do caso, os quatro marmanjos vieram a público lembrar que são pais de meninas, que respeitam muito suas esposas. Bem, poderiam ter pensado nisso 1 minuto antes de deixar escapar o ranço do machismo, da falta de educação e misoginia.

Já assinei a petição criada pela russa Alena Popova, que já juntou outro vídeo de brasileiro perseguindo uma mulher tomado pelo exagero da má conduta.

O ministério das Relações Exteriores já se manifestou envergonhado diante dos casos e estuda uma possível punição quando os homens retornarem ao Brasil. Dois dos, quatro citados acima, já foram demitidos de seus empregos. Outra vergonha sofrida pelo ministério das Relações Exteriores foi a prisão pública de um assaltante brasileiro foragido da Justiça, há muito procurado pela Interpol, dentro do estádio de São Petesburgo, durante o jogo Brasil X Costa Rica.

Renato Janine Ribeiro, é professor titular de ética e filosofia política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e acaba de lançar o livro A Pátria Educadora em Colapso”, pela editora Três Estrelas.

Tem o propósito de nos lembrar ou ensinar que o atraso cultural que nos perturba é crônico e que educar é tirar a pessoa do confinamento na casa, no bairro e dar-lhe a compreensão para conviver com um universo maior e com a diferença. Educar precisa incluir e abrir as pessoas para o mundo e para a convivência civilizada.

Diz Janine que a educação tem de ser um instrumento para o crescimento pessoal, para abrir oportunidade profissional, mas este é um ideal que o Brasil está longe de ter.

Não há uma mensagem atraente

Ao mesmo tempo em que a arquidiocese de Cuiabá está envolvida na celebração da Semana do Migrante, com o tema “A vida é feita de encontros”, o Instituto Datafolha ouviu pessoas de 129 cidades brasileiras e divulga uma pesquisa onde constata que 62% dos brasileiros jovens querem e planejam ir embora do país.

E a população adulta mostra-se igualmente insatisfeita e cerca de 56% dos adultos, principalmente os que têm ensino superior também sonham viver no exterior.

Falo por mim, mãe de uma jovem jornalista que mudou-se para a Austrália há 9 anos e lá, decentemente estabelecida, casou-se e tem marido e filho australianos. Amor não falta na nossa relação, mas falta-me argumentos para insistir para que ela, um dia volte.

O Brasil está marcado pela cicatriz dos cerca de 60 mil homicídios contabilizados no último ano, uma média de um a cada 9 minutos. Os números são do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Além disso, instalou-se no país um ciclo de corrupção endêmica que insiste em não cessar.

Por estas e outras razões enfrentamos com relativa serenidade, a distância e as dores impostas à aqueles que não reconhecem fronteiras e se estabelecem onde se encaixam e levam suas famílias a viver o mesmo processo, porque dentro da transversalidade que permeia os processos migratórios, a família viaja junto em sonhos, pensamento, oração e visitas esporádicas.

Migrar nunca é um ato solitário. Na verdade é um fenômeno de dupla condição de estranhamento entre dois mundos, grupos culturais diversos e conflituosos.  Quem parte nem sempre consegue distanciar-se dos costumes, liberar-se para viver novas fusões com outras pessoas e culturas e o país da sua nacionalidade existe latente, mesmo quando não há um projeto de volta. Não é hora de voltar.

O Papa Francisco, ao falar no 2º Diálogo da Santa Sé sobre a Migração Internacional, enfatiza que precisamos mudar nossa mentalidade e deixar de considerar o migrante como uma ameaça à nossa comodidade e passar a estimá-lo como alguém, cuja experiência de vida, pode contribuir com nossa sociedade.

Diz mais, que devemos “sair ao encontro do outro para acolhê-lo, conhecê-lo e reconhecê-lo irmão”. Assim tem sido com minha filha na Austrália.

Em Cuiabá, falo dos haitianos, que são vistos por toda parte, alguns, há 4 anos. Aparentemente incluídos. Mas, desde que comecei estudar os processos migratórios contemporâneos, me deparei com uma Cuiabá indiferente, que não discrimina porque sequer enxerga os migrantes e o Poder Público não consegue desenvolver estratégias mínimas de inserção desses homens e mulheres.

Os migrantes haitianos que estão em Cuiabá vivem um momento extremamente difícil, um momento em que a rede de apoio à instalação deles na cidade (a Casa do Migrante) está voltada para apoiar novos migrantes. E a questão agora vai além de analisar o momento de retração que vivem os haitianos.

O que ficou explícito foi que o governo brasileiro não soube lidar com a chegada de um contingente expressivo e particular de migrantes em seu território e, tampouco, articular com eficiência os órgãos estaduais e municipais para que pudessem elaborar políticas públicas considerando a inclusão desses estrangeiros.

Cuiabá não conseguiu criar um ambiente seguro para promover encontros com a pluralidade e muitos haitianos, cumprindo a sina de diáspora, foram embora do Brasil.