Os solitários dirigentes partidários

É cobrado que os partidos sejam, assim como empresas, competitivos, entretanto nem todo bom político é bom dirigente partidário. No momento, promovem atos de filiações, apresentam empresários como potenciais candidatos, é o vale tudo para ganhar espaço nas mídias e nos corações dos eleitores e fatias gordas do Fundo Partidário.

Além de preparar o partido para as eleições municipais de 2020 e fortalecer as bases, alguns partidos miram atingir metas e colocar-se entre os dez maiores partidos brasileiros, para terem acesso a valores significativos do fundo partidário, que é fator de fascínio dos dirigentes e dos candidatos, mas também se tornaram munição na guerra interna, a exemplo do que aconteceu no PSL.

A saber que, o MDB lidera o ranking com 2,39 milhões de filiados, seguido pelo PT com 1,59, PSDB com 1,46, PP com 1,44 e o PDT com 1,25, etc…,observando que esses números sofrem alteração a todo instante.

É impressionantemente tímida a participação do cidadão nos momentos que antecedem as eleições. Os dirigentes partidários, solitariamente montam suas chapas, articulam com outros partidos e lideranças. E devem até gostar dessa autonomia delegada pelo pouco caso. Daqui a pouco, nas convenções, apresentam candidaturas que mais representam a si mesmos.

As convenções partidárias, sem peso algum para formular candidaturas, simplesmente formalizam o que fora acordado, via de regra, por discussão entre parlamentares com mandato. Tem sido assim e não creio que mudança alguma possa acontecer num curto período de tempo. Estamos acomodados em exercer o voto de acordo com a lista de candidatos democraticamente elaborada por executivas e comissões provisórias, também instituídas em ações solitárias dos dirigentes.

As executivas nacionais dos partidos não são tão solidárias com as estaduais e assim segue a toada com as, quase sempre comissões provisórias nos municípios. A falta de informação é grande. Quantos dirigentes partidários já tem um diagnóstico do tamanho do partido nos municípios e dos possíveis candidatos mapeados no estado?

Quem tem pretensão política precisa de capacitação para ocupar espaços, precisa minimamente conhecer as bandeiras defendidas pelo partido no âmbito nacional e devem conhecer pessoalmente os dirigentes locais.

Os dirigentes partidários tem que inovar, investir na valorização da formação política, treinar a militância para lidar com as modalidades de campanhas digitais, além de formar quadro político qualificado, tanto de dirigentes, candidatos e colaboradores.

Os presidentes dos partidos não podem mais trabalhar apenas visando as próximas eleições, instalando-se em ambientes favoráveis, onde há muitos cabos eleitorais. Além de promoverem certa orientação aos filiados, devem normatizar as reuniões pequenas, frequentes e proveitosas, focadas no quesito de atingir metas com dinheiro curto. Recomenda-se que antes de enfrentar um ano eleitoral estejam zerados todos os problemas financeiros e administrativos remanescentes de campanhas anteriores.

A remuneração dos dirigentes partidários é permitida por meio do Fundo Partidário, aos dirigentes com dedicação exclusiva.

A ambiguidade das nossas emoções

Para se conquistar uma vida mais equilibrada é importante aumentar a consciência a respeito do corpo, da mente, das emoções e relações. Estar mais presente à vida, encontrar um meio de velejar com segurança entre os rochedos perigosos que circundam nossos caminhos, sem nos tornarmos frios, indisponíveis e intocados pela dor dos outros.

Lidar com nossas emoções é sempre um grande desafio. Entretanto, identificar e melhorar nossas qualidades emocionais pode ser uma possibilidade real de aprender que as coisas não são tão ruins ou tão boas quanto parecem. E perceberíamos isto se não vivêssemos com o coração à flor da pele.

Cultivar a empatia e respirar emoções mais saudáveis, são ferramentas eficazes para melhorar nossos relacionamentos. O conhecimento sobre as emoções que correm soltas, pode ajudar a lidar com as emoções aflitivas e a cultivar um equilíbrio emocional que afete a vida, de forma positiva.

Não estamos acostumados a estar no momento presente, nossa mente habitualmente sente-se atraída em direção ao passado e ao futuro. Porém, preocupar-se em demasia com o futuro, pode nos tornar ansiosos crônicos; se refletimos seguidamente sobre o passado podemos nos tornar nostálgicos crônicos, então, consideremos conduzir à atenção plena para o momento presente, como um possível remédio para ambos deslocamentos.

Devemos nos ver mais claramente. Conhecer e apreciar nosso próprio processo de pensar. Nos tornarmos especialistas em apreciar. Sem medo de ficarmos a sós com os pensamentos e medos. Todos nós temos a capacidade de sentir ternura, assim como somos capazes de experimentar um coração partido, a dor e a incerteza. Então, não entre nessa de projetar a possibilidade de viver a distrair a mente. A distração pode resultar numa receita favorável a ansiedade, infelicidade e estresse.

A noção de espiritualidade tem sido ampliada para abarcar um leque de interpretações que almejam torná-la um indicador de bem-estar. A filosofia budista se baseia na afirmação de que nós sofremos  e causamos sofrimento aos outros  porque insistimos em não ver o mundo como ele é.

Honestamente, acabamos nos habituando a sermos zeladores. Zeladores do corpo, da mente, da casa. Zeladores, tudo bem. Não podemos ser escravos.

Coisas fora do lugar

Do despertar a hora de deitar me ocorre uma inconveniente sensação de que há muitas coisas fora do lugar nos caminhos da vida. As pessoas estão menos flexíveis com “bolas foras”, descuidos tão naturais no dia-a-dia e isso nos faz nos sentirmos, às vezes, inadequados.

Vigia-se para interpelar, para cobrar retratação.

É um prazer estranho expor o suposto erro do outro. Em casos severos, indivíduos podem passar a evitar a interação social com medo de serem ridicularizados, rejeitados ou humilhados, após exposição.

Estamos vindo um claro momento de retração das emoções autênticas. E para onde vai a espontaneidade, a discordância saudável de tudo o que não é uma caixa fechada? Falar para contestar ou para acrescentar, eis a questão.

O ator americano Keanu Reeves, discretíssimo com a vida pessoal, resolver aparecer em público com a namorada. Uma artista plástica americana. A foto foi milimetricamente esmiuçada em todas as mídias. Criticaram a aparência da mulher, a roupa, os modos e decidiram (fãs) que a mulher parecia inapropriada para o ator, inclusive concluíram que ela aparenta mais velha do que ele. A mulher é uma artista plástica e em momento algum, ocorreu a alguém falar sobre a qualidade da vida profissional dela. Vês, a superficialidade em que nos metemos?

Este caso é apenas um exemplo, que nos faz concluir que Keanu Reeves estava certo quando não compartilhava a vida íntima. Ou então, não creio que seja perfil dele, deveria repercutir uma resposta na mesma mídia e no mesmo tom.

Semanas atrás, a atriz brasileira Cléo Pires fez um desabafo sobre as críticas que vem recebendo porque engordou muito. Ela falou do medo dos julgamentos, da vergonha que acabou adquirindo de ir as ruas, mas disse também que tem respondido à altura os que questionam o fato de ela estar “fora dos padrões”. Ela está em tratamento contra a compulsão de comer.

Padrão tem significado diferente para pessoas diferentes.

As faíscas de indignação estão propensas a prosperar ao menor ruído. Estamos nos sentindo críticos poderosos demais depois que nos aliamos as mídias sociais.

Entretanto, não deve nos dar prazer fazer as pessoas se encolherem, fazer com que se sintam inseguras. É muito importante que estejamos atentos, que sejamos honestos ao interpretarmos as mensagens alheias, sem julgamentos apressados.

Nunca é tarde e em qualquer tempo, tratemos de iniciar a reconstrução de nossas existências, porém, não espere perfeição de ninguém. Há muitas pessoas que vestem lindas embalagens mas são absolutamente sem conteúdo e dissimuladas por dentro.

Na dúvida, seja educado e acolhedor e não aja como se fosse a única luz que brilha no mundo.

Representação feminina nos cargos eletivos

A eleição para vereador é extremamente disputada. Candidatos esbarram no mesmo eleitor, o pleito é personalizado e a reputação pessoal, sobretudo de quem já detém mandato é exaltada ou esculachada  às últimas consequências.

As denúncias, mesmo de casos já noticiados voltam com força numa demonstração clara de que vale tudo nesta disputa, que coloca o político mais próximo do eleitor. O vereador povoa as proximidades, vive os mesmos dramas de coleta de lixo, saúde pública, transporte e escolas.

O fim das coligações acaba com as parcerias de muitos para eleger um e com essa modificação, os candidatos com maior visibilidade e poderio econômico encabeçarão a lista dos mais votados.

No universo de 57.814 vereadores eleitos em todo o país nas eleições municipais de 2016, apenas 7.803 são mulheres.

Cuiabá não tem nenhuma representante na Câmara Municipal. As mulheres não se investiram do poder real que possuem para ir à luta por uma cadeira, pelo menos. Nesta campanha, os homens gozam da vantagem de já deterem mandatos, de exercerem a liderança dos espaços e posições de poder, fator que reflete na participação masculina na política e nos processos de tomada de decisões.

Em que pese o ambiente político ser altamente difícil para as mulheres, pois são, diariamente desqualificadas e lidam com uma constante descrença da capacidade feminina de estar neste ambiente, tanto por parte dos eleitores quanto dos próprios políticos, o que desmotiva e repele muitas mulheres da participação no processo político.

Mais do que antes, já que foi ampliado o número de candidatos que cada partido pode lançar, as mulheres serão convidadas a serem laranjas. Diga não, se não tem chance alguma. As políticas de cotas são insuficientes para garantir uma participação feminina plena e segura. Repila com veemência os que te pressionam para preencher a cota. Mas se, lá no fundo, tem um trabalho prestado, uma chance de brigar de igual para igual, não fique fora. Cuiabá merece ter mulheres na Câmara Municipal.

Você que tem condições deve se candidatar. Cuiabá precisa que você se candidate. As pesquisas mostram que as taxas de desigualdade social tendem a diminuir nas esferas de poder com maior participação de mulheres, como também, a presença de mais mulheres em posições de poder influenciam que mais mulheres se sintam inspiradas a concorrer!

A escolha de um partido não é um processo simples, mas muitas mulheres já são lideranças filiadas e se não, ainda há tempo.

Quem mais do que as mulheres sabem quais são os principais problemas do bairro e como esses problemas afetam a vida das pessoas.

Como é o acesso da população aos serviços públicos?

Se você já faz parte de organizações sociais, movimentos religiosos ou outros grupos é importante levar sua mensagem para além dessas delimitações.

Para conseguir sucesso na política é preciso ter resistência e determinação.

Xingamentos e constrangimentos

Por que os partidos políticos não são definitivamente atrativos? Porque não trabalham a questão da representação?

Não há incentivo para os jovens, para as mulheres, para os negros. Não são amplamente discutidas as necessidades e quais seriam os ganhos dos partidos se fossem compostos levando-se em conta uma representação mais balanceada.

Ainda que consideremos o elevado índice de renovação que houve sobretudo no Congresso Nacional e no legislativo do nosso estado, as práticas partidárias são requentadas. Brigam por falta de ideologias, por proposições equivocadas, pela disputa de posições de prestígios. Temos assistido a dias de terror na mídia.

Parlamentares escrachados, o melhor termo que pude encontrar para não ser vulgar, escrachando os outros, colocando apelidos sem o menor receio de estarem sendo inconvenientes. Motivo? Birra, mimo e aquela velha mania de entender o partido político como a extensão do quintal da casa, onde os dirigentes partidários, apesar dos riscos inerentes a generalização, agem como empresários políticos, donos de um negócio rentável: o partido.

Dias melhores, outros de recaídas. Assim tem sido. A política partidária brasileira, com raras exceções, tem sustentado discussões elevadas, tem proporcionado filiações de políticos de nível para o engrandecimento das disputas eleitorais. O que deveria ser regra, a preparação do político para a vida pública, acontece minimamente com 03 ou 04 partidos. Eu, sendo generosa!

Ao deterem o monopólio sobre a aceitação de quem serão os políticos, os partidos iniciam seus vexaminosos movimentos em torno do poder. Seria interessante o desenvolvimento sério do sistema partidário, até porque os partidos são veículos de acesso aos cargos públicos e deveriam ser o mais importante elo de identificação dos políticos com seus seguidores.

Do ponto de vista do eleitor comum, faz até sentido prestar pouca atenção às questões políticas e, em vez disso dedicar maior parte do tempo a administração da vida pessoal, porque na maioria das vezes, as decisões são tomadas a portas fechadas, e os filiados são chamados depois, apenas para validar as decisões tomadas. Lembremos que a ignorância política é um problema que pode trazer sérias consequências.

A apatia e baixa participação dos eleitores na política são exatamente reflexo da fragmentação dos partidos políticos brasileiros. Os partidos não emplacaram suas marcas no gosto do cidadão. Partidos sérios não vivem de parlamentares celebridades nem de ecos das mídias sociais.

É, os partidos políticos precisam verdadeiramente, de análise sociológica.

No momento em que somos confrontados

A política se torna prejudicial quando você menospreza os outros para manter suas opiniões. Porém, não tem nada a ver com a inteligência  fato de uma pessoa não mudar de ideia acerca de qualquer assunto que discuta. Entretanto estamos mais abertos a mudar de ideia em tópicos mais amenos.

Li um artigo da colunista e escritora americana Arianna Huffington sobre o quanto a política está nos deixando psicologicamente doentes e ampliei a leitura sobre o tema. Os psicólogos têm ventilado uma possível razão pela qual as crenças políticas são tão teimosas: identidades ideológicas ficam vinculadas a nossas identidades pessoais, o que significa que um ataque às nossas crenças é fortemente defendido pelo cérebro.

Quando somos atacados, fugimos ou nos defendemos – como se tivéssemos um sistema imunológico para pensamentos desconfortáveis. Quando nosso eu se sente atacado, nosso cérebro lança mão das mesmas defesas que ele tem para proteger o nosso corpo.

Temos a tendência de levar os ataques políticos para o lado pessoal. Em um estudo publicado no Scientific Reports,  40 profissionais liberais que declararam ter convicções políticas firmes, foram colocados em um tipo de scanner de ressonância magnética. A questão do estudo era a seguinte: ver o que acontece no cérebro no momento em que somos confrontados com um argumento que contraria nossas identidades ideológicas e partidárias.

Chegaram a conclusão que quando os participantes foram desafiados em suas crenças mais profundas, houve mais ativação nas partes do cérebro que se acredita corresponder à preservação da identidade.

Logicamente a pretensão não era estudar a teimosia partidária em si, mas entender o que acontece no cérebro quando resistimos a mudar de ideia. O estudo pode ser limitado, entretanto é uma evidência intrigante que confundimos desafios ideológicos (com boa argumentação) com insultos pessoais.

Os resultados são intrigantes porque mostra que o cérebro processa informações politicamente carregadas de maneira diferente e com mais emoção do que processa fatos mais mundanos.

Pessoas de todas as faixas políticas experimentam ansiedade e alienação por causa da política – a questão é como lidamos com isso.

A política é uma ladeira escorregadia, especialmente com tensões recentes. Há uma tempestade de opiniões, argumentos e ideias voando por todo o país. A política pode facilmente se tornar um relacionamento tóxico, quando colocamos os outros para baixo. Contudo, podemos trazer da seara política uma atmosfera mais tranquila, respeitando as opiniões dos outros, sendo capaz de defender as crenças com fatos e dados, evitar brigas apaixonadas por quaisquer crença ideológica e saber que não há problema em discordar das pessoas, até porque política tem tudo a ver com ambiente de ideias conflitantes.

As naturezas da traição

É um fato da vida. Traições acontecem. E não raramente quando estas acontecem, os relacionamentos já estão deteriorados. Traição não tem graça nenhuma e as traições não tem que ser propagadas, tampouco perdoadas como ensinou a filha do apresentador Silvio Santos, Patrícia Abravanel num programa na TV aberta. Uma moça bonita e estúpida, que não se dá o valor.

Grande número de relacionamentos são impactados pela infidelidade. Trair é trapacear, trazer trauma e drama para a preciosa vida de quem perde tempo com alguém que não corresponde. Trai-se por falta de comprometimento.

A frustração no casamento é também um gatilho comum e isso pode não tão dificilmente acometer o marido da Sra Abravanel.  Mas aí, não tem problema. Traição e perdão se encontrarão.

Trapaças ou infidelidade são grandes tabus sociais e muitos que foram traídos podem atestar o quão destrutivo isso pode ter sido. A traição traz questionamentos profundos sobre si mesmo e pode destruir completamente a auto estima de alguém.

A infidelidade, por sua natureza, é baseada em desonestidade, de modo que os trapaceiros não são honestos sequer sobre o motivo de terem traído. Inventam estórias, criam fantasias, desmerecem o outro.

Pra que anunciar publicamente que a traição será perdoada? Ou seja, já libera o amado para viver um súbito interesse por outra pessoa e ainda recolhida à ignorância admite que deve-se perdoar quem trai. Por que? Porque bons momentos da vida foram envoltos em mentiras?

Sei que devemos respeitar a opinião alheia, mas quando o alheio é também público, não há porque conter. A Sra Abravanel não deve saber que muitas pessoas que traem não procuram estar com outra pessoa; eles estão procurando ser outra pessoa, sentir-se como uma pessoa diferente ou pode ser que em dia o amado sinta-se pressionado e infeliz com as responsabilidades de certos papéis (marido, pai, parceiro).

A traição, se não causar desmantelamento no casamento da Sra Abravanel, por certo causará desgosto e isso poderá impactar uma gama de variáveis em sua vida e pode impactar a escolha de um novo parceiro no futuro ou ela pode acabar se contentando com menos do que merece ou aguentando mais do que deveria por ter a auto estima ferida.

Não basta muitos de nós nos sentirmos traídos em algum momento de nossas vidas familiares. Isso pode acontecer de muitas maneiras, com pessoas diferentes. Mas de onde quer que venha, qualquer que seja a forma, causa algum grau de sofrimento. Na vida profissional, geralmente ocorrem acordos espúrios. Um cai. O outro trai e ocupa a vaga de quem dedicou-se.

É fato lamentável que muitas pessoas vivem ignorantemente, inconscientes e hipnotizadas pelos bens materiais que que produziram.

Debate necessário: mulheres na política

Pensou em entrar para a política?

Para, pensa e repara todos os seus atos dos últimos tempos.

A vida privada será muito mais explorada do que as competências e tudo, absolutamente tudo pode vir à tona e contribuir para eleger ou para afundar um pretenso candidato.

Dias atrás participei de seminário sobre comunicação política voltada para mulheres candidatas. E lá não nos pouparam de revisar as criticáveis estatísticas. O Brasil está em 95ª posição no ranking mundial de igualdade de gênero, considerando mais de 50 itens, entre os quais, acesso a saúde, educação, renda e participação política. Igualdade de gênero somente no ano de 2080, em diante.

52% da população é feminina, 40% das famílias mantidas por mulheres. Brasil é o 5º país considerando a taxa de feminicídio.

Mesmo representando 52% do eleitorado as mulheres são sub- representadas na política em todos os níveis de poder. Em Brasília, um grupo de quatro mulheres jovens  estão rodando o documentário chamado “Me Farei Ouvir” e quer mostrar exatamente esta vulnerabilidade, da baixa representação.

Elas abordam questões como sub-representação, Lei de Cotas e a urgência na equidade de gênero. Estão tentando passar conteúdo para servir de alerta nas eleições do próximo ano.

O documentário aborda a questão da cota de 30% para as candidaturas e 30% do financiamento público de campanha também para elas e faz um paralelo com as candidaturas que não entram na cota eleitoral, como ao Senado Federal e Executivo. A presença feminina é ainda menor. Algo injustificável, uma vez que mulheres são responsáveis por 40% dos lares, segundo o IBGE, e representam 30% dos candidatos.

O objetivo do filme, que descarta qualquer recorte partidário e ideológico, é .promover um debate necessário no país: a dificuldade de as mulheres se elegerem.  O trabalho destaca números instigantes: dentre os 513 membros da Câmara dos Deputados, só 77 são mulheres. Destas, apenas 13 são negras e só uma é indígena, números desproporcionais em relação a representação do universo feminino existente no país.

Em outra ponta, o seminário apresentou o estudo de Jennifer L.Lawless, professora de política na Universidade de Virgínia, E.U.A., que cita que entre tantos fatores é preciso que as mulheres tenham motivação e ambição pela política. A autora questiona se homens e mulheres estariam num grupo de elegibilidade de candidatos em potencial com a mesma probabilidade e condições de concorrer a um cargo público. Claro que não!

Aponta o estudo que as mulheres, mesmo nos níveis mais altos de realização profissional, são significativamente menos propensas do que os homens a demonstrar ambição de concorrer a cargos eletivos. E os mais importantes cargos dentro dos partidos estão nas mãos dos homens, assim a estrutura partidária é indiscutivelmente masculina e machista. Nisso, tanto o documentário brasiliense quanto o estudo americano estão de pleno acordo.

Tem que ter o que mostrar

Quem trabalha com política sabe que cada minuto é crucial para o bom andamento do planejamento de uma campanha. É gratificante quando uma campanha ganha a mente e o coração dos eleitores por meio de uma estratégia de marketing cuidadosamente elaborada, humanizada, que divulgue uma mensagem crível.

Os políticos são quase todos indomáveis. Mais ainda agora com a novidade da eleição sem coligações partidárias, portanto, cada candidato por si e os maiores, com passos largos à frente.

A política é uma atividade complicada. Dá enorme visibilidade e poder. E se exercida com seriedade, também tolhe, exige abnegação e expõe.

Os partidos já estão em plena preparação para as eleições municipais em 2020, buscando adesão de lideranças com perfil político e não estão se antecipando muito não. O pleito municipal é algo grandioso, em números. Na última eleição, a Justiça Eleitoral registrou quase meio milhão de candidatos aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador nos 5.568 municípios brasileiros. (Exatamente 496.894 candidatos).

A tecnologia certamente continuará sendo uma grande aliada das produções de conteúdo de campanha, mas vale lembrar que nas eleições municipais nada substitui uma visita ao bairro, uma batida na porta, uma boa conversa para relatar as práticas diárias. Passou o tempo das campanhas envoltas em pirotecnias e superficialidade.

Vale muito ter o que mostrar.

Apesar dos números grandiosos, a eleição municipal não rende muito entusiasmo na mídia tradicional, mas grandes batalhas ocorrem nesse paralelo entre o desinteresse, a falta de informação e as “fakes News”.

Para combater as “fakes News”, há um acordo entre a Câmara e o Senado para aprovar, antes de outubro, um projeto de lei que possa coibir a proliferação de notícias falsas durante o pleito eleitoral de 2020.

As eleições municipais tem muito a ver com educação gratuita, bons serviços de saúde, distribuição de água, geração de emprego, pautas que em geral resultam na inquietação diária das famílias menos favorecidas.

Um ponto que vale muito observar é como as nossas cidades sairão das eleições, se transformadas em zonas conservadoras, liberais ou oposição. Esse é um legado interessante do processo eleitoral nos municípios ano que vem.

A escritora mineira, Adélia Prado, ao perceber a aproximação da eleição, certa vez escreveu: “Ô-vida, meu Deus. Pior é que eu já perdi a inocência para os partidos, então quando falam em ‘os estudantes‘ ou ‘as donas de casa‘ eu saio no meio do discurso, seja quem for, porque não acredito que a humanidade se salvará por uma de suas classes. Não quero ser governada por operários enfatuados, deslumbrados por terem a chave do cofre. Quero que me governe um homem bom e justo, que cuide para que chegando a noite todo mundo vá dormir cedo e cansado com tanto trabalho que tinha pra fazer e foi feito”.

A mão que afaga é a mesma que apedreja

Vale tudo é um tipo de esporte, considerado agressivo e violento, uma luta com poucas regras e limites em que os mais diversos golpes são aceitos, tem a duração de 15 minutos, divididos em 3 blocos chamados de round. Isso quer dizer que um sujeito tem 15 minutos para espancar o outro, tentar nocauteá-lo. Só que normalmente as lutas se dão em igualdade de peso e potencial de bater e defender-se.

O vale tudo do qual vou falar é o que tem estampado as primeiras páginas de todos os jornais locais e nacionais e tem acontecido no ringue em espaço familiar, na sala, quarto e qualquer lugar público. Sim, tem tido audiência! A luta desigual em força física, tem acontecido inclusive, na frente das crianças e muitas vezes tem a duração de uma noite toda.

O que está acontecendo com os homens? A mão que afaga tem sido a mesma mão que espanca impiedosamente.

Temos lido sobre sessões de tortura, mordidas que arrancaram pedaços da face e dos lábios, casas incendiadas, animais de estimação sendo envenenados. Como pode o amor transformar-se em ódio brutal, como pode compartilhar uma gestação e depois matar o bebê apunhalado com chave de fendas por retaliação ao fim do relacionamento?

O que tem cegado os homens, que explodem em fúria, espancam, atiram, queimam, arrancam coração? Como crer que tenham sido humanos um dia?

O fim, não apenas de um relacionamento mas de tudo na vida é coisa certa, não perceberam ainda?

A ignorância de depositar no outro a responsabilidade sobre a própria felicidade e a confiança de que as coisas vão se ajeitar, de que a violência não vai se repetir tem resultado em mortes absurdas.

Os indomáveis estão à solta, os alvos estão ao alcance e vulneráveis e imagino o medo que tem permeado algumas relações, sobretudo quando baixa a noite.

Não estamos conseguindo superar a violência praticada por homens contra mulheres, na qual o agressor e vítima estão intimamente ligados à explicação dessa violência, quase sempre perpetrada pelos homens para manter o controle e o domínio sobre “sua” mulher. O fato é que, geralmente, as mulheres estão emocionalmente e economicamente envolvidas com seus agressores.

Torna-se cada vez mais evidente que os abusos cometidos contra crianças e adolescentes é tanto mais comum quanto mais severo nos segundo casamentos, com a figura dos padrastos. Mas a agressão contra as mulheres está acontecendo em toda esfera de relacionamentos.

Temos percebido a justiça mais ágil, os assassinos logo presos, mas nas manchetes do dia seguinte um novo rosto com marcas roxas estampará as capas dos jornais. Mais um assassino será preso e assim tem sido cumprido o círculo de sonhos, casamentos filhos, espancamentos e mortes.

Boas práticas e tentativas de diminuir a violência têm acontecido nos Conselho, nos Governos, com adoção de políticas públicas para prevenção e combate à violência, porém todas tem sido ineficientes no sentido literal de seus propósitos, inclusive a ativista Maria da Penha, que cede seu nome à Lei de proteção à mulher, criticou a Lei num evento recente, justamente porque não tem, com efeito, conseguido proteger as mulheres.