A virtude de não reabrir feridas

Aideia ultrapassada de que a boa política necessita de cidadãos virtuosamente democráticos, heróis como aqueles a quem é lícito aquilo que não é lícito ao homem comum, me faz pensar nos atributos considerados mais usuais que a fama atribui aos poderosos: magnânimo, grande, vitorioso, temerário, ousado, imbatível. Nesta galeria de poderosos, alguma vez foi visto o homem sereno? Não. Parece não haver lugar entre os poderosos para os serenos. A palavra serenidade não combina com a considerada “boa” reputação política?

Mas a definição da serenidade como virtude não política não agrada a muitos, alguns inclusive, teóricos das virtudes consideradas “fracas”. A política pensada com as virtudes tradicionalmente consideradas essenciais para o jogo, não rege tudo e não é mais unânime. É possível pensar em política e políticos que cultivam a virtude da serenidade, uma virtude social, uma disposição de espírito que somente resplandece na presença e para o bem do outro, uma disposição que não precisa ser correspondida para se revelar em toda a sua dimensão de indizível beleza. Um político sereno que não acumula rancor, não é vingativo, não sente aversão pelo opositor, não continua a remoer as ofensas recebidas, a alimentar o ódio, a reabrir as feridas.

Norberto Bobbio, filósofo, jurista e político italiano me inspira mas pode ter elaborado exageradamente a tese que trata a serenidade como uma virtude que adquire ao longo de sua teorização, a qualidade de uma virtude tipicamente feminina e que Bobbio reconhece como a mais “impolítica” das virtudes. A serenidade é, portanto, uma virtude não aceita pacificamente na política. E para completar, numa acepção maquiavélica, a serenidade chega a ser mesmo a outra face da política. O tempo vai moldando os homens e a serenidade pode caber na atuação política atual e não como a virtude dos fracos e submissos.

O homem sereno não precisa ausentar-se da política, a serenidade pode converter-se em força, uma força distinta que opera para acabar com as provocações estéris. A política não precisa ser um reino exclusivo da teoria maquiavélica da raposa e do leão.

Na luta pelo poder, na maioria das vezes, os homens serenos não têm muito espaço  para participar, porque os lobos tendem a devorar os cordeiros. E os lobos, que cultivam opinião exagerada sobre os próprios méritos são os imtempestivos, poderosos e insolentes, que são exatamente as virtudes ou mais possivelmente os vícios, segundo as mais diversas interpretações, da maioria dos homens políticos. Mas, ousemos acreditar na existência de políticos serenos, abertos e sensíveis, elaborando suas campanhas utilizando métodos que não ameaçam e nem desumanizam seus opositores, que não estabelecem relações de conflito com os demais, nem perdem tempo num jogo de acusações recíprocas.

Não ousemos excluir a esperança! O paradoxo é que  nossa mente confusa, habituada a ações impensadas quer inverter o que tem sido o tumulto de nossas vidas diárias pela aceitação do caos que não podemos transformar, como escreveu o Reverendo protestante Reinhold Niebuhr, na Prece da Serenidade: “Concedei-me, Senhor a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar. Coragem para modificar aquelas que posso e Sabedoria para conhecer a diferença entre elas”.

Tipos de cegueira

Observando as resenhas sobre o ano que passou, nada efetivamente novo a chamar à atenção, na soma geral, ganha-se aqui, perde-se ali, há quem amou muito, há quem perdeu o único amor, há quem partiu e há quem ficou. Por toda parte, em todos nós há feridas que sangram, feridas que cicatrizam e feridas que contaminam. Muitos venceram o medo, se expuseram, outros, apegados a preconceitos, se fizeram de cegos para não ver.

Pense em quantas vezes você foi cego e quantas vezes você fingiu ser cego para não se envolver, não se comprometer.

Saramago, no livro “Ensaio sobre a Cegueira” fala sobre olhar e poder ver, ver  e entender.No romance, a cegueira está metaforicamente relacionada a ver a verdade além das nossas próprias opiniões e preconceitos. O romance de José Saramago, conta a história sombria de uma sociedade devastada por uma epidemia de cegueira conhecida como “cegueira branca”, que só permite que vejam um branco intenso, ao contrário da escuridão completa em que se vive quando é cego, mas o resultado final é o mesmo. O primeiro homem é atingido de repente pela cegueira enquanto está parado em um semáforo.

Os casos de cegueira crescemem um ritmo alarmante, sem causa e sem tratamento. Saramago vai então abordando situações que descrevem a importância da consciência dos outros, do sentir-se oprimido pelo medo, falta de confiança, desumanização e a segregação, até a triste constatação que as almas “boas” roubam quando percebem que não estão sendo vistas e que histórias de amor acontecem e sobrevivem até no ambiente terrívelda epidemia da cegueira, como o caso do Doutor e sua esposa, da Jovem de Óculos Escuros e o Velho.

A cegueira cai para cada um como uma tragédia pessoal. A maior parte da ação do livro ocorre em um hospital onde os cegos e contaminados são colocados em quarentena. E até mesmo o cumprimento das necessidades básicas passam a ser um sofrimento. No caótico estado de cegueira as pessoas foram se unindo para se protegerem ea partir daí – amor, lealdade, medo, ciúme, bravura, heroísmo, covardia, violência, felicidade, decepção foram sendorevelados de forma vibrante pelos personagens, até queinevitavelmente os mais fortes e espertos assumem o controledos fracos, que voluntariamente abrem mão de direitos e vontades em troca dapromessa de segurança e ajuda.Sim, este é o mesmo processo que ocorre, aos trancos e barrancos no nosso mundo onde muitas vêzes nos deixamos guiar por cegos.

A epidemia da cegueira foi um pensamento interessante porque não mata, incapacita. Isso significa que é algo que muda a pessoa de uma forma fundamental, mas não fatal, o que faz com que as pessoas obrigatoriamente interajam e apesar da desconfiança precisam estabelecer parcerias para prosseguir. É interessante observar que as pessoas sob condições extremasnão são descaradamente más nem puramente boas; na verdade elas são o que sempre foram.

O que não podemos é nos deixar cegar por uma falsa moralidade, por julgamentos inflexíveis, não podemos nos deixar cegar por um afago, por vantagens indevidas, não podemos deixar de ver, reparar e denunciar a violência cometida contra as mulheres, não podemos permitir que a “cegueira branca” cubra nossos olhos diante das desigualdades, das crianças famintas espalhadas nos semáforos. Que nossa essência e valores não sejam apenas simbólicos e que nenhuma cegueira conveniente atrapalhe a expansão da nossa humanidade!

2022-uma conversa inadiável

Desde a década de 1950, os cientistas políticos teorizam que a polarização, o fato de ver o mundo adicionado a um viés ideológico em tudo, está associada a incapacidade de tolerar a incerteza e a uma necessidade de manter crenças previsíveis sobre tudo. Descobriram que a percepção polarizada,  percepções ideologicamente distorcidas da mesma realidade é mais forte nas pessoas com  menor tolerância à incerteza em geral, isto mostra que parte da animosidade e mal-entendidos que vemos entre as pessoas não se deve a diferenças irreconciliáveis ​​nas crenças políticas, mas depende de fatores surpreendentes  e potencialmente solucionáveis, como a constante incerteza que todos nós experimentamos na vida diária.

Muitas das nossas diferenças são sobre valores fundamentais e não apenas sobre política porém, o senso comum resgistra que estamos mais divididos do que nunca, por razões políticas. Faltando dez meses para as eleições gerais de 2022, fico imaginando o quanto a polarização política reduziu a qualidade do tempo das familias que se reuniram à mesa de jantar na passagem do ano.

Quando surgem diferenças, muitos de nós, não sabemos como e quando persuadir ou apenas escutar. Nossas conversas políticas geralmente giram em torno da proclamação entusiasmada das nossas próprias crenças, enquanto questionamos as motivações e a moralidade de quem se opõe a nós, embora saibamos que não é assim que se muda a mente de pessoas com convicções fortes. Nossas declarações políticas não precisam ser consensuais, basta que sejam respeitosas.

Em 2022 vamos ter que falar sobre política em que pese não termos aprendido a lidar com  nossas crenças e respeitar as crenças alheias ao mesmo tempo. Com a família, costumamos supor que temos muito em comum e quando as diferenças despontam marcantes, a discussão é inevitavel, é como se um membro da nossa família estivesse nos sabotando, colocando nosso bem-estar em risco.

Com familiares e amigos nos sentimos tentados a partir para o convencimento e compartilhamento de nossas crenças mais do que fazemos com conhecidos com quem não temos interações próximas porque tememos ser encurralados e não dispor de argumentos bem construídos para sustentar uma discussão com pessoas cujo conhecimento não sabemos até onde vai. Agravamos o problema quando pensamos na política como uma fator segregador de pessoas entre justas e erradas. É como uma forma de dominação. Ou seja, um lado está certo e o outro lado está errado e não há qualquer pista que permita às pessoas descobrirem o que é certo e errado nesta perspectiva singular.

Percebemos que a divisão ocupa nossa imaginação coletiva e por incrível que pareça, isso agrada a milhares. Somos um país aleatoriamente formado a partir de sérias divisões culturais, raciais, regionais e históricas. Nosso sistema partidário dissolve os debates e transforma-os em batalhas, o que faz nossas discussões políticas parecerem impiedosas e desrespeitosas.

Falar além das diferenças não significa comprometer a identidade política ou os valores de alguém, nem é um compromisso centrista. Penso que as pessoas podem se identificar com ideologias políticas específicas, mas permanecerem sensíveis às necessidades dos que raramente são partidários por natureza. 2022 será um ano político mas não precisamos utilizar marcadores de identidade política nas nossas conversas. Uma conversa boa pode encerrar-se em uma conversa respeitosa.

O bem que eu não fiz

Não sou uma pessoa dominada pelos humores, pelas paixões e pelo acaso, sigo, às vezes, sem habilidade para dançar a música da conveniência e da exibição, mas falha e imperfeita, pego-me outras tantas vezes, vigiando a mediocridade minha e dos outros diante de impasses intoleráveis.

É tão fácil seguir quanto não seguir um objetivo estipulado especialmente quando não há nenhuma punição vinculada, a não ser o risco da não realização de um sonho, de um projeto ou de uma promessa. Temos um álibi forte para nossos fracassos de 2021, o mesmo que tivemos em 2020 e sabe Deus se não estaremos falando da mesma coisa em 2022: pandemia!

Sim, estes são tempos difíceis! A pandemia elevou o nível das desigualdades sociais, os impactos locais e globais da fome trazem a cada dia traz um novo lembrete dos desafios que enfrentamos. E isso é apenas no mundo externo! Nosso universo interior é complexo, absorve toda essa diversidade de problemas, dores miúdas e frustrações. No mais, é abaixar a cabeça e admitir; o bem que eu não pratiquei foi porque eu me omiti, porque não entendi a urgência, porque não priorizei o outro e até porque não me importei o suficiente.

Como sempre, há a escolha das prioridades e há as coisas que simplesmente deixamos para trás. Pequena, que sou, não ofereço cuidados de saúde a quem necessita; não estou na linha de frente em defesa do clima; pessoalmente, não forneço comida a quem tem fome. O impacto do meu trabalho e da minha voz não são tão potentes e imediatos quanto sempre quis que fosse. Mas tenho estendido minhas mãos e ampliado minha voz em favor de um mundo mais fraterno, de mais igualdade, menos julgamentos e mais acolhimentos. Gosto de acreditar que entre todas as histórias que contei aqui aos domingos, ao longo do ano, uma possa ter tocado seu coração, despertado um desejo, uma inspiração.

Faltando cinco dias para o fim do ano eu estou me perguntando em que eu desejo que o mundo melhore no próximo ano, no que eu preciso melhorar e as possibilidades são infinitas! Mas chegaremos no final do próximo ano com resultados insignificantes se continuarmos culpando a pandemia, a falta de tempo, a falta de dinheiro pela nossa pífia atuação em favor da vida mais justa e digna, o que é possível quando nos interessamos em conhecer o trabalho feito pelo outro. Aceito que não preciso protagonizar, líderar um projeto para entrar nele com todo meu coração.

Fui descobrindo coisas, me juntando à pessoas mais anjos do que gente, que pregam e fazem o bem o tempo todo. Através de uma amiga evangélica, tomei conhecimento que a população de rua em Cuiabá, tem um protetor incansável, um padre, que sem interromper suas ações em tempo de pandemia sequer por um dia, arrecada comida, roupa, dinheiro para comprar os itens necessários e distribuir todas as noites, onde há irmãos amotinados com medo e fome nas periferias e centro da cidade. Regra simples para colaborar com o projeto, não fazer da ação postagens para se redimir diante de Deus e dos homens.

Mulheres ajudam mulheres a saírem do ciclo da violência doméstica e assumirem o comando de suas vidas e emoções. Recontamos suas histórias, registramos os talhos na pele, choramos juntas. As denúncias são encaminhadas, a justiça é cobrada antes que a morte vença essa guerra, desigual em força e propósitos. Dentro das especificidades do grupo, cada mulher doa o que sabe, o que pode alcançar, o que pode contribuir para amenizar senão resolver uma situação grave colocada.

No bairro Pedra 90, um jovem visionário, quase sozinho produz cultura com o propósito de promover a inclusão social. Não é sorte, é utilizando a criatividade que ele transborda bons sentimentos nos cursos de teatro, aulas de dança, sessão de cinema e de leitura que oferece para os jovens da região. As vezes, ele pede apenas o compartilhamento do trabalho dele. 

Haverá distrações e momentos de dúvida, mas a hora de enxergar a dor do outro, de colaborar com algum projeto que não pode ser apenas um processo, mas sim, uma atitude de toda a jornada, é agora! Só precisamos reenquadrar as prioridades e parar de ter atitude de desconfiança para com o diferente, em qualquer aspecto da condição humana!

Estarei mais inteira e disponível nas minhas lutas. Calma e tranquila, sem reagir a maldade gratuita, não por fraqueza, mas por acreditar que a minha serenidade seja necessária para o outro vencer o mal dentro de si.

É possível adiar o fim do mundo

Ideias para adiar o fim do mundo” é o título de uma palestra do fabuloso ativista indígena Ailton Krenak. Claro que esse título é uma provocação mas há muito de uma ideia de apocalipse no ar que respiramos atualmente. E a proposta de Krenak para adiar o fim do mundo é exatamente para que possamos ter tempo de contar ou viver mais uma história. É o tempo que precisamos para aprender lutar pela sobrevivência com respeito, com reconhecimento às lutas dos outros, para ampliarmos nossa cultura e vivermos uma relação amorosa com os nossos iguais, com todos e com a natureza.

Prestar atenção no que ele fala é mais urgente do que nunca!

A ideia central da palestra, que tornou-se um livro, lançado em 2019 é alertar para o que muitos já perceberam, a autodestruição da vida humana nesse lindo planeta azul. As palavras, quando otimista de Krenak falam de um agir urgente sobre um mundo que agoniza e propõe uma virada de perspectiva para iniciarmos, em coletividade, um processo de transformação social, cultural, ambiental para salvarmos não apenas as populações originárias ameaçadas em todo mundo, como a dele próprio. Ele fala sobre todos nós, que somos abraçados por este espaço mágico chamado Terra, mas alerta que não somos os únicos seres que o planeta abraça.

Ele conta sobre um pesquisador europeu que foi aos Estados Unidos visitar um território indígena. Ele havia pedido que alguém da aldeia intermediasse o encontro dele com uma anciã que ele queria entrevistar. Quando foi encontrá-la, a anciã estava imóvel diante de uma rocha. O pesquisador esperou bastante até que finalmente perguntou: “Ela não vai conversar comigo, não?” o interlocutor respondeu: “Vamos esperar, ela está conversando com a irmã dela”. “Mas é uma pedra”, disse o pesquisador e o facilitador da conversa disse: “Qual é o problema, é a irmã dela!

Krenak nos tira a sensação da qual sempre nos gabamos, de sermos os donos do planeta e torce para que o casulo humano imploda  e se abra para uma visão de vida não limitada. Krenak encantou Lisboa com essa fala, proferida no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde entre uma metáfora e outra falou das pequenas constelações de pessoas felizes, que ainda experimentam o simples prazer de estarem vivos, cantando, dançando e fazendo chover, gerando, sem querer, grande intolerância na humanidade que ele chama de zumbi, aqueles que não toleram tamanha leveza, felicidade e fruição.

Ao longo do texto ele se mostra convencido que precisamos partir para a construção de uma nova humanidade, porque, do jeito que as desigualdades e injustiças se instalam, vivemos, o que ele chama de uma condenação antecipada do fim do mundo. E uma das ideia para adiar o fim do mundo é, diante da certeza que estamos em queda como civilização, aproveitar e ressignificar a queda e recomeçar a partir dela. É indispensável que reflitamos sobre o começo, o fim e com sorte, que tenhamos algum tipo de recomeço.

A crise da qual Krenak fala refere-se à nossa humanidade, a nossa experiência como seres humanos.  O mundo está atravessando muitas crises; terremotos, epidemias, a incontida violência contra mulheres e meninas, crise climática, conflitos em larga escala, invasões, massacres e guerras, além da fome que traz em seu bojo crises humanitárias devastadoras.

É muito importante viver a experiência de circular pelo mundo, de poder contar uns com os outros, promover mudanças na forma de vida, sem jamais recorrer a práticas desumanas contra qualquer outro ser. O que Krenak faz em suas palestras é questionar qual o mundo estamos deixando para as futuras gerações e compartilhar a idéia de um outro mundo possível.

Para quem não conhece Ailton Krenak, ele é um líder indígena mineiro, ativista do movimento socioambiental e da defesa dos direitos indígenas. Jornalista, escritor, que desde a década de 1980, dedica-se a articulação do movimento dos povos indígenas. Discursou no Congresso Nacional, durante as discussões sobre os direitos indígenas na Assembleia Constituinte. Palestrante, reconhecido nacional e internacionalmente, foi o grande sucesso da Festa Literária Internacional de Parati – FLIP 2019, quando lançou o livro “Ideias para adiar o fim do mundo”.

Polarização e o sonho da terceira via

O jogo político de 2022 efetivamente começou. Tento me recluir para ler, pensar, matutar bem a questão, sedimentar minha posição para o ano que vem. Vejamos o que já temos colocado no tabuleiro:

O presidente Bolsonaro já definiu o novo partido (PL), pelo qual disputará à reeleição, o ex-presidente Lula, segue fiel ao partido dos Trabalhadores e ambos aguardam a confirmação das candidaturas que brigam entre si pelo posto cobiçado de terceira via das eleições presidenciais.

Os tucanos escolheram o governador João Dória para ser candidato a presidente, Ciro Gomes não entra em disputa interna no partido, onde é candidato praticamente unânime, o ex-juiz Sérgio Moro, filiou-se ao Podemos e entrou definitivamente na disputa.

Na última semana, o MDB apresentou a senadora Simone Tebet como candidata a presidente. Mulher sensível e engajada, presidiu a Comissão de Justiça no Senado. Se ela se apropriar de um discurso destemido, contemplando as pautas de interesse do público feminino, pode fazer bonito na eleição, considerando a lógica de que as mulheres são detentoras de 52% dos votos.

Detalhes, uns atraentes, outros intrigantes são adicionados aos arranjos para viabilizar as candidaturas majoritárias; de um lado, ideologias que polarizam crônicamente as discussões e do outro lado, as tais federações que devem unir num bloco só vários partidos para reforçar determinadas candidaturas. No âmbito da polarização, pelo que temos percebido nas pesquisas, Bolsonaro e Lula somados deixam espaço apenas para mais um candidato com chance de ser bem votado e interferir no resultado do primeiro turno. Esse voto, no terceiro colocado, será o voto útil, ao qual muitos amigos e analistas tendem convergir como opção.

Muito difícil porém, combinar esta estratégia com os eleitores não ideológicos, que embora queiram evitar um segundo turno polarizado entre Lula e Bolsonaro, estão espalhados e alheios, esperando as pesquisas sinalizarem crescimento real de Dória, Ciro, Moro, Simone, Mandeta ou quem mais surgir.

Localmente, não vivemos o cenário de polarização e a reeleição do governador Mauro Mendes é aparentemente tranquila, se o prefeito Emanuel Pinheiro não entrar efetivamente na disputa, como candidato, ele próprio. Nomes do agro, depois do case de sucesso do Blairo Maggi, vão surgir sempre, mas eleição de governador não é assim tão simples; eu quero, eu vou.

Como sabemos, Blairo era um nome conhecido nacionalmente como empresário, destacou-se quando foi suplente do senador Jonas e viabilizou-se politicamente com apoio de grandes nomes da política de Mato Grosso. Balbinotti, sem grupo de apoio, contando com possível amizade à distância com o presidente da República, não segura uma candidatura ao governo, deve estar ensaiando vôo para a Câmara Federal.

O prefeito Zé do Pátio é considerado um forte candidato ao governo, embora não tenha admitido isso ainda, viria apoiado por uma frente progressista vigorosa e protegido pela figura jurídica da federação, que obrigaria diversos partidos a apoiá-lo em nome da manutenção e fortalecimento da candidatura do ex-presidente Lula.

Mas, intempestivo, começou mal, atropelou o Partido dos Trabalhadores ao anunciar a criação de um comitê pró-Lula e avocar para si a coordenação da campanha no Estado, onde o Partido dos Trabalhadores tem uma bancada respeitavel de deputada federal (Rosa Neide) e dois deputados estaduais (Lúdio Cabral e Valdir Barranco).

Fora da majoritária observa-se o espaço que pode ser deixado na disputa de deputado federal com a saída do deputado Neri Geller para concorrer ao Senado. O grupo PSD/PP, que tem se mantido unido e ampliado a força com a eleição do senador Carlos Fávaro, não deve abrir mão de manter o espaço e tem cacifado o deputado Neri para acirrar o embate com o senador Wellington Fagundes em torno da única vaga oferecida ao Senado.

O senador Wellington Fagundes tem o palanque reforçado pelo correligionário Bolsonaro, o que é importante num estado que tem 141 municípios e 122 deles deram vitória a Bolsonaro em 2018.

Porém, a realidade hoje é outra depois de 616 mil mortos pela Covid e descontrole no aumento do custo de vida, com a gasolina em alta de 40% no ano de 2021, empurrando a inflação de setembro para 10,25%, o maior índice dos últimos 27 anos. Isto sim, pode ser determinante numa eleição.

Lembramos que análise política não deve ser guardada nem para a semana seguinte. Retrata o momento em que a conversa acontece e muito pouco além.

Qual é a minha cruz?

Estamos desde o dia 20 de novembro vivenciando a campanha 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. Internacionalmente a campanha começa dia 25 de novembro, dia Internacional da não violência contra a mulher,  porém no Brasil a data foi antecipada para 20 de novembro, dia da consciência negra.  A campanha busca conscientizar a população sobre os diferentes tipos de agressão perpetrados contra as muheres.

A violência contra as mulheres constitui uma manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres e é usada como uma ferramenta de opressão, impondo o domínio e a discriminação das mulheres em todos os cantos da sociedade. O feminicídio, que é o assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres, ocorre muito no âmbito familiar, nas relações afetivas, e é uma violência que não esconde a estratégia de humilhar, desmoralizar o ser feminino e se estende por todas as culturas, classes sociais e localidades do planeta.

A violência doméstica é uma das violações dos direitos humanos mais generalizadas e devastadoras. Mulheres são mortas no local onde deveriam estar mais seguras. Elas são mortos em suas próprias casas, na maioria das vezes pela pessoa em quem mais confiam e na frente de filhos pequenos.

Semana passada os jornais locais estamparam a noticia de um agressor de mulher, filho de um desembargador. Qual é a relevância de se dizer quem é o pai do agressor? Tudo o que é publicizado a respeito da violência contra a mulher, cada detalhe, amplia o debate, dá visibilidade ao tema, traz novas perspectivas e novo público para as discussões sobre a violência endêmica contra as mulheres e o aparato criado pelo sistema para coibir-la; a Lei Maria da Penha, medidas protetivas, botão de pânico, o novo tipo penal; a violência psicológica contra a mulher.

O noticiário tem sido intenso, com mulheres que foram brutalizadas, espancadas, ameaçadas a não denunciarem, ameaçadas a permanecerem no relacionamento violento e depois mortas.  1 em cada 3 mulheres em todo o mundo sofre violência física por parte de seu parceiro íntimo. Isso significa que todos nós, certamente conhecemos mais de uma mulher que sofre ou sofreu violência doméstica. Olhe a sua volta. O abuso se dá de muitas formas, em muitos casos não lesiona o corpo, definha a alma. Afeta muitas pessoas, não importa onde estejam no mundo e as crianças que crescem nessas famílias costumam ser vítimas de abusos também e carregam marcas pela adolescencia e vida adulta.

No ano de 2020, o Brasil  registrou 105.821 denúncias de violência contra a mulher. Em 2019 o Brasil ocupava o quinto lugar no mundo em feminicídios, com 50% dos casos cometidos por parceiro íntimo. Ainda há o estigma da denúncia. Se você relatar um estupro, é sobre o que você estava vestindo. Se você denunciar assédio sexual, é sobre o que você fez para provocá-lo. Se você relatar abuso, é sobre a dinâmica de seu relacionamento. Até quando as mulheres vão se levantar todos os dias e se perguntarem: qual é a minha cruz de hoje?

Na moderna América, um deputado republicano do estado da Virginia fez uma apologia ao estupro ao dizer textualmente que o estupro pode ser um ato bonito (rape can be beautiful) se deste ato resultar o nascimento de uma criança. Um  senador, tentando corrigir o incorrigível nas declarações do outro, disse que as mulheres rotineiramente fabricam histórias de violência e estupro para obterem vantagens.

A América não me inspira. Em “A educação do príncipe cristão”, Erasmo de Roterdã, teólogo e filósofo holandes, escreveu que as virtudes mais elevadas para ser um homem ideal, seriam as virtudes consideradas fracas: a clemência, prudência, gentileza, civilidade, sobriedade, temperança, integridade e a equidade”. Por mais homens brancos, negros, ricos, pobres, iletrados, formados dotados de virtudes fracas!

Ninguém está seguro até que todos estejam seguros

A pandemia não chegou ao fim. Não estamos liberados do uso de máscara em local fechado, temos que ser vacinados e as normas sanitárias estabelecidas continuam vigentes, embora percebamos um relaxamento desproporcional das norma de biosegurança, considerando o “inferno” que estamos vivendo há quase 2 anos. O que vou relatar agora está nas capas dos maiores jornais do mundo e no site da Organização Mundial da Saúde este final de semana; os países estão lutando para impedir a entrada de uma nova variante da covid, batizada de Ômicron, com casos confirmados na África do Sul, Bélgica, Egito e líderes globais reconhecendo o quanto estamos vulneráveis. O alerta ao mundo foi feito por cientistas sul-africanos.

A descoberta é muito recente e o rastreamento do novo vírus está sendo feito especialmente na África, em Botsuana, onde pesquisadores indicam que pode ter ocorrido uma mutação genética, com suposta capacidade do vírus se disseminar mais rapidamente do que a variante Delta, amplamente conhecida. Outra grande preocupação é saber se as vacinas até aqui produzidas e aplicadas serão eficazes para conter a propagação dessa variante, considerada altamente infecciosa e evitar mortes.

Cientistas alertam que a nova variante não precisa de muita ajuda para encontrar as dezenas de milhões de pessoas que estão desprotegidas, sem vacinação completa. E enquanto houver partes do globo com baixas taxas de vacinação, continuaremos a ter criadouros ideais para novas variantes.

Todos os lugares do mundo, das metrópoles aos vilarejos foram alcançados pela pandemia do coronavírus, porém, nem todos foram alcançados pela vacinação. Agora, a realidade de um mundo globalizado não apenas pelas relações comerciais, mas ligado também pelas misérias volta a nos assombrar. Sob muitos aspectos essa nova situação muda definitivamente nossa ideia de lugar, de segurança. Para onde tentarmos ir, não encontraremos terra segura, esta epidemia está a nos acompanhar por onde andarmos. Se os cientistas a debelam de uma forma, o vírus se transmuta e ressurge numa terra que muito provavelmente tenha sido negligenciada ou esquecida.

Para quem decidiu sair e viver a vida, virando a página da tragédia das 614 mil mortes e mais de 22 milhões de casos no país, apresentando a narrativa de que a pandemia essencialmente chegou ao fim, seria bom um recuo mental e reavivar as imagens das unidades de terapia intensiva colapsadas, os anúncios dos números assustadores de mortes diárias incluindo aí, familiares de muitos de nós.

Pode parecer uma ideia atraente acreditar que atingimos o equilíbrio, porque ansiamos voltar à vida normal, mas isso vai de encontro à realidade da existência de uma pandemia que continua latente. Existe uma realidade ruim eclodindo hoje na Africa que pode ser irradiada para muitas outras populações, inclusive a nossa.

Além disso, vale relembrar as entrevistas de cientistas, infectologistas e virologistas afirmando que  novas variantes continuariam a evoluir, mas com os cortes das verbas do fundo para a ciência, a comunidade científica brasileira não tem recurso (equipamento e reagentes) para fazer pesquisas para entender se as variantes são mais ou menos virulentas. Entretanto, virologistas mundo afora estão voando em alta velocidade para entender se as propriedades e o potencial da nova variante pode evitar a imunidade das vacinas e das pessoas que já foram infectadas.

A narrativa cruel de que “todos vamos morrer um dia e não adianta fugir dessa realidade e que temos que deixar de ser um país de maricas”, não pode se repetir, caso o monitoramento da nova variante mostre que ela tem potencial para causar surto em países com alta taxa de cobertura da vacina.

Longa caminhada até a liberdade

Foi estabelecido a data de 20 de Novembro como dia nacional de Zumbi e Consciência Negra. A data é uma homenagem póstuma à Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do Brasil colonial, o quilombo dos Palmares, no Estado de Alagoas. Por muitos anos, Zumbi, nascido presumidamente em 1655, foi o comandante da resistência dos negros contra a escravidão. Poucos estados, entre os quais, Mato Grosso adotaram a data como feriado em todos os municípios.  A luta contra o racismo é um estado de vigilância permanente e na contemporaneidade encontra representação na figura de um homem que fez da luta contra o racismo a razão de sua vida, Nelson Mandela!                                               

“Long Walk to Freedom” – Longa caminhada até a liberdade é a autobiografia do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, uma das pessoas mais influentes do planeta no século XX. O livro relata a vida de Mandela desde seus primeiros anos, até as experiências amargas vividas nos 27 anos que passou na prisão, maioria do tempo em Robben Island sob o governo severo do apartheid. Desde jovem, morando no interior, Mandela se destacava academicamente e ao mesmo tempo ia construindo sua identidade nos movimentos contra o regime segregador que governava a Africa do Sul. Frequentou a única Universidade de Direito que permitia o ingresso dos negros. Mais tarde formou-se também em Artes. Envolveu-se profundamente nos movimentos de boicote liderados pelos negros, participava de reuniões políticas nos comitês de partidos de oposição (ANC). Assim, o Nelson Mandela ativista chegou em Joanesburgo e Pretória. 

Envolvido em discussões diárias sobre os abusos do governo, a segregação e indignidades. Incitou greves, deixou o país ilegalmente para denunciar no exterior, as atrocidades cometidas pelo governo contra seus cidadãos negros. Foi preso e na sua defesa, disse no tribunal: “Durante a minha vida tenho-me dedicado a esta luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e alcançar. Mas se for preciso, é um ideal pelo qual estou preparada para morrer ”.

Mandela foi considerado culpado neste julgamento e condenado à prisão perpétua. Sofreu retaliações na própria prisão. Havia restrição em tudo que era para ele, correspondência, visitas.

No entanto  começou haver uma grande pressão internacional sobre a África do Sul, por parte de governos e da ONU, que recomendou ao governo que concedesse anistia a todas as pessoas que se opunham ao apartheid. O governo porém, seguiu promovendo segregação, propagando ódio e exclusão dos negros da vida política e espaços de poder no país.

Na prisão, Mandela lutou contra a crueldade dos carcereiros, organizou uma greve de fome para melhorar as condições de vida em Robben Island. No final, os guardas aderiram à greve. Mandela também usou seu tempo na prisão para educar outras pessoas. Ele fundou um tipo de universidade dentro da prisão, com um programa organizado por prisioneiros políticos do ANC. Conseguiu escrever muitos depoimentos relatando sua situação e a do país, os quais foram conseguiram chegar às mãos de líderes de outros países e assim a pressão pelo fim do apartheid ganhou importantes adeptos.

Finalmente em 1980, a campanha “Mandela Livre” foi criada e ganhou o mundo. O Governo tentou negociar a liberdade de Mandela com o fim dos movimentos e greves dos negros. Mandela recusou. A popularidade do líder negro cresceu e o presidente da Africa do Sul quis se encontrar com ele e juntos começaram a elaborar um plano para enfraquecer e desmantelar o apartheid. Mandela deixou a prisão em 11 de fevereiro de 1990, após cumprir 27 anos.

Mandela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993, graças a sua vida de luta pelos direitos da África Negra. Em seguida, ele inicia uma campanha eleitoral. Presidiu a Africa do Sul de 10 de maio de 1994 até 16 de junho de 1999. Morreu em 5 de dezembro de 2013.

Voltando ao cenário alarmante brasileiro, li no site do Senado um artigo recente, que começa dizendo que “o Negro continuará sendo oprimido enquanto o Brasil não se assumir um país racista. E que no Brasil, ser negro significa ser mais pobre do que o branco, ter menos escolaridade, receber salário menor, ser mais rejeitado pelo mercado de trabalho e assim, ter menos oportunidade de chegar à cúpula do poder político e aos postos de comando na iniciativa privada, além de ser vítima preferencial da violência urbana, ter mais chances de ir para a prisão e consequentemente morrer mais cedo. 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros. A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado. São 63 mortes por dia, que totalizam 23 mil vidas negras perdidas pela violência letal por ano.

A conferência da reputação global das marcas

Uma das ideias dominantes na nossa sociedade é a idéia generalizada da escassez, da falta de recursos suficientes, comida ou qualquer outra coisa para suprir a demanda de todos. Milhares de pessoas insistem dizer que, com quase oito bilhões de pessoas no planeta (7.906.439,177), a escassez é uma realidade num futuro próximo. 

As soluções para crises globais estão sob a responsabilidade dos líderes mundiais e das grandes corporações. Foi clara e contundente a chamada à uma consciência climática global feita pelo Secretário-geral da ONU, António Guterres ao saudar os líderes presentes na Conferência do Clima, no Reino Unido: “É hora de dizer chega! Chega de brutalizar a biodiversidade. Chega de nos intoxicar com carbono. Escolha a ambição. Escolha a solidariedade. Escolha proteger nosso futuro e salvar a humanidade”.

Jeff Bezos, o famoso fundador da Amazon, goza de boa reputação e discursou na COP 26 anunciando que criou o “Bezos Earth Fund”, uma organização para financiar e administrar projetos climáticos, para investir recursos em empresas que assumem essa pegada de mudança climática. Bezos, que foi duramente criticado, inclusive pelo Principe William por gastar dinheiro com viagem ao espaço em vez que colaborar com a solução dos problemas na terra disse que o fundo que criou vai investir na restauração de paisagens e na transformação de sistemas alimentares em várias partes do mundo.

A reputação das corporações está sendo usada para estimular o progresso sustentável. Escrevi dias atrás sobre reputação de mandato político e assistindo os discursos e entrevistas dos líderes políticos e empresariais, percebo que a palavra “reputação” permeou as rodas de conversas das altas cúpulas na COP 26. Todas as metas sugeridas que avançarem, o êxito será creditado ao zelo e ao medo que as grandes corporações tem com suas reputações. Um investidor, admitiu em entrevista que as marcas maiores e mais bem estabelecidas tem medo do papel que uma má reputação no quesito ambiental pode desempenhar nos lucros, no conceito e na durabilidade das empresas.

Assistindo videos sobre a conferência, percebi um certo ambiente de lobby propositivo que rolou nos bastidores da conferencia, onde outro investidor arriscou dar o nome de capitalismo consciente a esse momento em que os governos e grandes corporações experimentam quando conciliam investimentos com exigências de endurecimento ao cumprimento das metas de desenvolvimento sustentável. Mais de 30 das maiores corporações do mundo assinaram um documento prometendo não mais investir em atividades que desmatam as florestas e 141 mandatários de países, incluindo o Brasil, assinaram documento com a promessa de reduzir o desmatamento embutido no comércio gobal de alimentos.

Enfim, a reputação de qualquer governo e das grandes corporações está intrinsicamente associada a uma série de valores e a excelencia operacional não é mais suficiente. Na conferência do clima falou-se o tempo todo na responsabilidade por melhorar a reputação da política climática diante da população para que a população jovem escolha cada vez mais trabalhar para empresas que tenham propósito e compromisso com as mudanças climáticas.

Ao final, especialistas desiludidos disseram que o ideal seria que nenhum tipo de acordo tivesse sido assinado na conferência porque os políticos já se mostraram totalmente incapazes de cumprir tratados e que senão o povo, ninguém mais pode construir algo para salvar o mundo. E ouviu-se, nos momentos finais da conferência a voz da jovem ativista da Uganda, Vanessa Nakate, endereçada aos líderes políticos: “Eu estou aqui implorando para vocês nos mostrarem que estamos errados”.