Vote no garantidor de um futuro melhor

Dizem alguns estudiosos que a ciência política brasileira não tem dado a devida atenção às estratégias de comunicação das candidaturas, especialmente no que se refere à função de conduzir e mediar o diálogo político entre os candidatos e os eleitores. Não há diálogo. A disputa eleitoral tem sido, na verdade, disputa entre estratégias de convencimento, em um debate que se dá entre interpretações sobre o mundo atual, se ele está bom ou ruim, comparações sobre os mundos futuros que as campanhas prometem e sobre quem pode garantir a realização de um mundo futuro melhor. Enfim, as campanhas têm o objetivo de persuadi o eleitor a votar em determinado candidato e rejeitar seus adversários.

Os processos eleitorais têm sido entendidos como um processo de comunicação política de duas vias, onde candidatos e eleitores estabelecem um pacto fundamentado numa troca de intenções: os eleitores querem que seus desejos, interesses e demandas sejam atendidas e os políticos querem ser eleitos. Nos processos eleitorais, a ideia de convencer a maioria é complexa, pois os candidatos transitam, o tempo todo, entre mundos possíveis, atuais e futuros.

A estrutura dessa argumentação que arranjei se baseia em duas vertentes: se o candidato for oposição ao atual prefeito “o mundo atual está ruim, mas ficará bom se de votarem em mim”, ou se o candidato for continuação ou apoiado pelo atual prefeito: “o mundo atual está bom e ficará ainda melhor”. Sempre reforço que é fundamental e boa estratégia de campanha sustentar a credibilidade do candidato como garantidor de um futuro melhor. O livro de Thomas Holbrook, Do Campaigns Matter? é um trabalho exemplar elaborado para avaliar a importância das campanhas nas eleições americanas. Eu responderia que as campanhas são importantes, em toda parte e em todos os níveis de eleições.

Nos comentários de matérias políticas podemos perceber que as campanhas são importantes para o eleitor, que tem aprendido que é uma boa estratégia o candidato reduzir ao máximo a quantidade de temas em debate, de forma que os temas sejam aqueles que ele tem maior domínio; o eleitorado aprendeu a rejeitar o discurso destrutivo e a prática de alguns governantes de interromper as obras dos outros para fazer as suas. O eleitor aprendeu que isto é um desperdício, de tempo elaborando novos projetos e de recursos públicos.  

Os eleitores aprenderam que as mensagens negativas ou falsas de ataques a outros candidatos não são eficazes como foram anos atrás, onde algumas pessoas influentes na condução de campanhas eleitorais se caracterizavam pelos ataques pessoais negativos ao candidato da oposição. As ‘fakes news’ estão ainda absurdamente imbricadas no processo eleitoral, apesar de estarem sendo firmemente combatidas pela justiça e percebidas pelo leitor de bom senso.

As campanhas são tão importantes, que nos salvam da ignorância sobre o que está sendo feito na nossa própria cidade, sobre a economia local, os problemas. Estabelece ligações entre as informações sobre os candidatos e as questões sociais, as atitudes e crenças dos eleitores, que precisam ser encorajados a participarem do processo eleitoral, para calibrar um pouco mais as forças representativas nos cargos de poder. O perfil médio dos deputados federais em exercício do mandato são homens, brancos, com patrimônio de 1 milhão de reais ou mais.

Quer mudança? Aceite, ouça, opine, se envolva para não ter que votar com zero entusiasmo, no menos ruim.

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